Quarta, 19 Setembro 2018

Militantes se organizam e anunciam mobilização para fortalecer Movimento Negro em Itaúna

Publicado em Cultura Segunda, 26 Março 2018 18:03
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Nesta quarta-feira, 21, foi celebrado em todo o mundo o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Apesar de Itaúna possuir grande influência da cultura africana, como a festa do Reinado, que conta com várias guardas atuantes, a Folia de Reis, o Hip-Hop e o movimentos de capoeira, ainda é pouco discutida na cidade a realidade dos afrodescendentes e a falta de oportunidades para esse público.

Negros e brancos, defensores do combate ao racismo se articularam e criaram uma mobilização para trabalhar o respeito e a inclusão de todos na sociedade. Em conversa com o JORNAL S’PASSO, uma das líderes da iniciativa, Edênia Ribeiro Alcântara, disse que mesmo muito tempo depois da segregação racial, muitos ainda sofrem. “É algo antigo, mas nós vemos, principalmente no nosso município, que, infelizmente, pessoas ainda são discriminadas. Não é uma coisa explícita, é velado”, comentou.

Edênia falou também da falta de oportunidades e da exposição de crianças e adolescente a situações de risco por causa disso. “Sou moradora de um bairro considerado periférico, onde a gente vê que a maioria da população é composta por negros, inseridos num contexto social de alta vulnerabilidade. São pessoas geralmente sem estudo. Ali, os jovens estão expostos às drogas e à criminalidade. E o que é feito pelo poder público para sanar esse problema? Esse é um questionamento, que nós do Movimento Negro sempre levantamos”, disse.

Segundo Edênia, a militância em Itaúna acaba limitada, por falta de apoio. “O Movimento Negro geralmente se articula mais na semana da Consciência Negra, que é em novembro. Fora isso, temos alguns encontros, algumas conversas. Por falta de incentivo, de suporte, nossas ações ficam meio limitadas”, relatou.

 

Mobilização intensificada

 

Para o delegado Jorge Antônio Pereira de Mello, militante da causa desde 1978, é fundamental que as pessoas estejam unidas na erradicação da discriminação racial e também de outros gêneros, além de buscarem direitos iguais.

“Já apurei crimes dessa natureza [discriminação] em outros lugares e até que aqui em Itaúna a incidência é bem menor. Já nos deparamos com casos, mas num nível bem menor. Começamos a organizar esse público na cidade para irem de encontro com as propostas da Unegro, que é a União de Negras e Negros pela Igualdade. Eu já faço parte há muito tempo. Agora, nós estamos discutindo os projetos e vamos criar uma unidade da organização em Itaúna. A Unegro vai movimentar o debate sobre a questão.Também estamos participando com outros segmentos da sociedade nesse trabalho de melhorar a sociedade como um todo. Queremos o fim da homofobia e a erradicação da violência. Quem passou o que os negros passaram ao longo da história do Brasil e ainda passa até hoje, não pode ficar parado. A mobilização visa isso, fazer com que esses absurdos sejam erradicados”, pontuou o delegado.

Jorge Mello possui vasto currículo na luta contra a discriminação racial e em outros movimentos sociais. “Em Juiz de Fora, como militante do movimento negro de lá, participei de todo o processo  da Constituinte. Inclusive, nós conseguimos coletar várias assinaturas para as emendas que tornaram racismo crime. Havia a ideia de que no Brasil não tinha racismo, de que havia a democracia racial plena e isso nos incomodava bastante. Existe um racismo que não é só individual, de pessoa para pessoa, mas do Estado, que contribui para certa segregação, em relação às oportunidades. O que nós pretendemos é alcançar igualdade e oportunidade. Que as autoridades, desde o presidente da República até a mais simples pessoa, tenham direitos iguais. O que desequilibra as coisas no Brasil é isso, uns podem, outros não. Uns são presos, outros nem de longe passam na cadeia”, salientou.

 

Semana da Consciência Negra

 

Em 2014, o ex-vereador Leonardo Rosenburg, o “Léo Bala”, conseguiu aprovar a criação da Semana da Consciência Negra em Itaúna. A lei estabeleceu que o poder Executivo deve apoiar a organização de eventos e criar mecanismos que possibilitem a realização de atividades, junto à Câmara, com entidades da sociedade civil, visando ampliar e debater a cultura afrobrasileira e melhorar a qualidade de vida dessa população no município.

 

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