Quinta, 19 Julho 2018

Entidades empresariais cobram execução da transposição da linha férrea no perímetro urbano

Publicado em Geral Segunda, 18 Junho 2018 13:57
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A transposição da linha férrea voltou à pauta em Itaúna, no último mês, após a empresa responsável pela manutenção da estrutura interromper o trânsito de veículos no cruzamento da rua Silva Jardim, onde há grande fluxo, sem qualquer tipo de aviso prévio aos motoristas. O trecho, principal itinerário do transporte coletivo, ficou um dia inteiro interditado, o que causou muitos transtornos para a população.

A questão já era discutida no Centro de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental - CDE. Em 2018, o presidente da entidade, Maurício Gonçalves Nazaré, esteve na Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT -, e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT -, em Brasília. Na capital do país, ele participou de reuniões acerca do assunto e cobrou um posicionamento em relação ao projeto para retirada dos trilhos do perímetro urbano. Maurício Nazaré também se encontrou com deputados federais, em busca de solução.

“As entidades entendem a importância do modal ferroviário para a região, pois, assim é transportada a nossa riqueza. Porém, cabe o bom senso, pois Itaúna cresceu, exigindo melhor projeção para locomoção e bem estar dos itaunenses e suas empresas, sendo a transposição da linha férrea, um passo muito importante para o pleno desenvolvimento de nossa cidade”, destacou

Há três anos, o CDE articula em todas as esferas de governo, a aprovação do projeto e início da obra, com o objetivo de dar fim às dificuldades enfrentadas por moradores da cidade e empresários devido à circulação dos trens dentro do município, principalmente na área central. Ainda segundo informações divulgadas nesta semana pela instituição, em 2015 foi destacado o cronograma de intervenções previsto para a malha ferroviária da região, abrangendo as cidades de Ibiá, Itaúna e Betim, nesta ordem. Porém, após as obras de Ibiá, Itaúna acabou sendo passada por Betim, por causa da grande representatividade política da cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte - RMBH.

Desde 2015, a Valor da Logística Integrada – VLI apresenta às entidades, anualmente, as atividades da empresa, referentes à transposição. Segundo Maurício Nazaré, o CDE se posiciona, argumentando que são muitos os problemas, como o aumento dos casos de suicídios, acidentes, além da perturbação devido à buzina da locomotiva, cada vez mais alta, afetando a vizinhança e, principalmente, os pacientes internados no Hospital Manoel Gonçalves.

Em reunião na quarta-feira, 06, no Edifício CDE, o analista de Comunicação e Relações Institucionais da VLI, Marcelo Quintino, apontou que o contrato da concessão da empresa termina em 2026. Mas, há uma proposta de repactuação e devolução de alguns trechos, para que haja viabilidade financeira através das multas geradas pelo processo. Esses recursos deverão ser utilizados para realizar obras como esta do contorno ferroviário de Itaúna, que tem orçamento previsto, com data de janeiro de 2016, na ordem de R$ 190.604.147,89.

“Nestes momentos, percebemos claramente a necessidade de união da classe política e da população itaunense. Temos que escolher um candidato com reais possibilidades de eleição, para temos um deputado estadual e um federal e, com isso, elevar o prestígio político de nossa cidade com os governos”, aponta Maurício Nazaré.

Transtornos

Além do incômodo à população, a passagem do trem na região central da cidade deixa o trânsito ainda mais complicado, afetando a rotina de muitas pessoas, que chegam atrasadas ao trabalho e à escola, ou perdem ônibus enquanto aguardam para conseguir atravessar os trilhos. Atualmente, os comboios chegam a passar até quatro vezes só no período da manhã, em alguns dias. Em 2017, houve pelo menos quatro ocasiões em que a locomotiva ficou parada por mais de 30 minutos, impedindo a circulação de pedestres e motoristas.

Promessa antiga e feita durante a campanha de Eugênio Pinto pelo primeiro mandato na Prefeitura, a transposição da linha férrea não “vingou”. E tornou o ex-prefeito o principal alvo de uma investigação da Polícia Federal sobre desvios de recursos destinados pela União à obra. Em 2013, a instituição denunciou um esquema de fraude em licitações direcionadas à realização do empreendimento em Itaúna. O golpe pode ter resultado num rombo de quase R$ 2,4 milhões. Ao todo, 73 pessoas foram ouvidas e 33 delas indiciadas. Entre os denunciados, secretários municipais e servidores ocupantes de outros cargos de menor escalão, à época, empresários e funcionários do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, além de Eugênio.

 A Polícia Federal gastou três anos de apurações e as conclusões estão num relatório de cerca sete mil páginas. A investigação foi deflagrada em 2010 e confirmou irregularidades praticadas pela administração petista ao contratar empresa para elaboração do projeto de remoção dos trilhos. Ao constatar as acusações, o delegado Benício Cabral, entregou o inquérito ao Ministério Público Federal. O ex-chefe do Executivo foi acusado de seis crimes, entre os quais, autorizar dispensa de licitação para contratação de consultoria, prorrogar e alterar contratos de maneira ilegal e prestar contas com atraso ou com informações insuficientes à Controladoria Geral da União – CGU.

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