Adefi abre portas para as políticas públicas direcionadas às pessoas com deficiência

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A Associação das Pessoas com Deficiência de Itaúna – Adefi – foi fundada em 2006 e em 2009 recebeu certificado de entidade de utilidade pública. No entanto, a instituição permaneceu com as atividades paralisadas por um período, devido às dificuldades na parte burocrática, por falta de recursos e também por não contar com uma sede. Apesar de todos os obstáculos, os voluntários envolvidos com a organização somaram esforços e conseguiram regularizar todos os documentos necessários para garantir que a atuação da Adefi.

O processo foi longo e complexo, mas a etapa foi vencida, com mais uma conquista, em 2017, a partir da parceria com a Prefeitura para a gestão da Praça de Esportes do Lourdes. Desde então, com um espaço adequado, a entidade se tornou referência, além de cuidar do clube, que recebeu melhorias, ficando mais seguro e confortável para os frequentadores. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE -, ainda em 2010, quando foi realizado o último Censo, Itaúna tinha pelo menos 10.320 pessoas com deficiência, entre crianças, jovens e adultos. Uma importante ação garantiu à instituição 32 cadeiras de rodas, por meio de emenda parlamentar e doações, para empréstimos aos que não têm condições de adquirir o equipamento. Apesar de trabalhar com um plano de ação, elaborado em conformidade com as diretrizes estabelecidas, de desenvolver e ampliar projetos que beneficiem a proteção social básica e especial, trabalhando com pessoas em situações de vulnerabilidade, a Adefi ainda não foi credenciada pelo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS.

Em entrevista ao JORNAL S´PASSO, uma das voluntárias, a psicóloga Ana Luíza Corradi, falou sobre os projetos e desafios enfrentados pela organização.

Qual foi o objetivo do evento beneficente realizado recentemente pela Adefi?

Um deles foi atrair as pessoas para o clube, que precisa de movimento. Nós estamos restaurando esse local, como espaço para a família e para as pessoas com deficiência. Já tem um tempo que estamos nesse trabalho e graças a Deus está dando muito certo. E também necessitamos arrecadar recursos para comprar mais cadeiras de rodas, estamos com uma demanda altíssima. O cantor Valdo [Santos], que é deficiente visual, muito talentoso, veio ajudar a gente nesse projeto. Ele se apresentou ao lado do Arthur, que há pouco tempo chegou a ter parada respiratória, ficou meses internado e estava aí soltando a voz. Então, foi um evento bem bacana. Para conseguir adquirir uma cadeira de rodas de qualidade, que tenha uma boa durabilidade, o que é fundamental para o empréstimo, fazemos essas ações entre amigos e a comunidade para juntar recursos.

Como são feitos os empréstimos das cadeiras de rodas? Quantos estão na fila de espera?

Hoje, temos 32 cadeiras de rodas emprestadas, tem mais de banho. Muitas a gente conseguiu com parcerias com associação do Aeroporto, o Rotary. E também costumam nos repassar muletas. Esses equipamentos são destinados aos que não têm condições de comprar. Já chegamos em casa em que a pessoa estava usando uma cadeira de rodas de madeira, com arame do lado, faltando roda.

De três em três meses, nós entramos em contato para verificar se ainda tem necessidade, a como está a conservação, porque conseguimos esses itens por meio de uma emenda parlamentar, junto com o vereador Gleisinho e o deputado Agostinho Patrus. Não é algo que virá de novo tão fácil, foi muita burocracia. Então, nós precisamos cuidar do que temos e quem está utilizando também. Temos uma lista de espera, se não me engano, com 21 pessoas.

Qual é a fonte de renda da Adefi hoje?

A Adefi hoje não tem fonte de receita. Estamos com sede na praça de esportes, mas tudo que é arrecadado aqui é para manutenção do espaço, não da instituição. Aqui nós temos apenas o local e é importante deixar isso claro. Muitos acreditam que a arrecadação é destinada à entidade e é importante esclarecer que não, tudo é aplicado no clube. A contribuição dos sócios é para manter o funcionamento.

Nós temos voluntários e parceiros, mas recursos próprios não. A Prefeitura se comprometeu com um repasse mensal, só que até hoje não saiu, por questões no Conselho Municipal de Assistência Social. Nós apresentamos um plano de trabalho, um projeto de execução anual e várias ações voltadas para pessoas com deficiência, que a gente percebe como uma urgência, uma necessidade imensa na cidade, porém, ainda não tivemos retorno.

Porque a Adefi ainda não foi registrada pelo Conselho Municial de Assistência Social?

A Secretaria de Assistência Social, na pessoa do Dr. Élvio Marques, está sempre auxiliando a gente naquilo que precisamos. Mas, dentro do Conselho de Assistência Social, acabamos barrados. Está faltando a aprovação para que sejamos registrados e, com isso, possamos receber verbas.

Já apresentamos toda a documentação. Sempre que orientam dizendo que falta algo, nós corremos atrás, mas não sai daquilo. Sempre parece ter algo a mais. É por isso que não temos recursos do Município até hoje, não há um provimento que nós poderíamos aplicar em prol das pessoas com deficiência.

Somos todos voluntários, tudo que fazemos é de coração, para uma minoria que tem atendimento muito deficitário. Com uma força maior de atuação, conseguiríamos reverter essa realidade. O conselho não está pecando comigo, eu estou bem, mas sim com as pessoas com deficiência, que poderiam receber mais atenção. A nossa ação fica muito limitada por isso, porque a gente não tem recursos. Então, fazemos eventos, ações beneficentes para conseguir.

O que muda com o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência?

A previsão é que com a constituição do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência – CMDPD – a gente consiga recursos e mais ações para esse público. Todo mundo é voluntário e está ciente que vai ter que trabalhar muito.

O Município já estava em débito desde muito tempo. No ano passado, o secretário de Direitos Humanos esteve aqui no Município e trouxe computador, impressora… Um kit para a sala do Conselho das Pessoas com Deficiência, que não existia. Aí ficaram todos esses equipamentos na Assistência Social, até a constituição do órgão, um ano depois. A Valéria [Spínola Melo], que é presidente da Adefi, será presidente, foi eleita na última reunião.

Existem repasses que são feitos à cidade unicamente se este conselho estiver em atividade. Você pode pensar, por exemplo, nas multas das empresas por não terem completado a cota de pessoas com deficiência. Esse tipo de dinheiro tem que ser direcionado para o Conselho das Pessoas com Deficiência. Se o Município não tem, perde. Vai para outros lugares. Ele não pode ser direcionado para outro fim. Acredito que vai melhorar as ações e a estrutura.

Quais são os projetos da Adefi para o próximo ano e como está o funcionamento da praça de esportes do bairro de Lourdes?

Agora para o próximo ano a gente espera ampliar o leque de atividades da Adefi, contando com a parceria das universidades. Nós temos estagiários da Uemg, Pitágoras e Fapam, na área de Psicologia. Queremos incluir Fisioterapia, Enfermagem, Pedagogia, para aumentar os atendimentos com foco na inclusão e realização de atividades aos fins de semana, como as oficinas do corpo.

Aqui no clube, temos os educares físicos que dão a hidroginástica, treino funcional, natação, contamos com uma fisioterapeuta para orientar os meninos. Todo prestador de serviço aqui da praça de esporte é orientado sobre a inclusão das pessoas com deficiência. Temos intenção de realizar mais eventos e arrecadar mais recursos, para dar continuidade a esse trabalho. Isso aqui é do município, não é da Adefi. Só que antes, não tínhamos condições de fazer isso, porque o espaço estava abandonado, com diversos problemas estruturais. Já houve grandes avanços e melhorias.

A Adefi mantém uma parceria para oferecer equoterapia gratuitamente. Como funciona?

Temos parceria com a Hippo Campus. O Centro de Equoterapia pertence à iniciativa privada, mas por meio da Adefi, fazemos o atendimento social. Nós buscamos o patrocínio das empresas, padrinhos, para que doem pelo menos um pacote de milho para os cavalos, ou um feno. Tem muita gente na associação que não tem recurso mesmo, menino que chega na equoterapia, pede bolacha e a gente sabe que ele não teve nada para comer antes de ir. É como se fosse a merenda da escola, que às vezes é a única refeição do dia.

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