Novo programa de saúde de Itaúna quer diminuir índices de suicídio e automutilação

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Em junho, Itaúna vai ganhar um ambulatório de Saúde Mental para atender desde crianças, adolescente até o público adulto. Um dos objetivos da iniciativa é reverter os números de suicídio e automutilação. Segundo o secretário, a ideia é vincular o ambulatório a toda a rede de atenção psicossocial do município. . O JORNAL S’PASSO conversou sobre este novo serviço com o secretário municipal de Saúde, Fernando Meira de Faria. Médico radiologista, concursado pela Prefeitura desde 2013, com passagem pelos hospitais das Clínicas e o João XXIII, ele salienta que o ambulatório de Saúde Mental é essencial para que Itaúna não seja referência em estatísticas de tentativas de suicídio e automutilação.

O que foi melhorado na prestação de serviços da Saúde no município até agora?

A gente teve a oportunidade de contratar alguns especialistas. Nunca houve aqui no município antes, como, por exemplo, o médico reumatologista, e recentemente também passamos a ter o cirurgião de cabeça e de pescoço e o médico infectologista.
Nós tivemos a ampliação de especialidades. Antes, tínhamos menos médicos atuando e especialidades que há algum tempo não tinham médicos. Hoje, a policlínica, gosto até de falar Centro de Especialidades Médicas, tem mais de 30 especialidades, entre aquelas médicas e não médicas. É claro que existem especialidades que possuem uma procura maior e essa demanda às vezes faz com que o atendimento demore um pouco, enquanto outras são mais rápidas. O importante é que a gente tenta fazer com que esse paciente fique aqui no município, que não precise ir para outras cidades para ser atendido.

A situação econômica/financeira da cidade, do estado e do país dificulta um pouco as ações e rapidez delas, mas a gente tenta avançar nessa área, principalmente na de especialidades médicas, em que buscamos oferecer um leque de especialidades à população. Além disso, procuramos implantar serviços aqui dentro de Itaúna, e mais especificamente dentro da Policlínica, que de alguma forma são muito organizados e estão completos. Cito como exemplo o Espaço da Mulher, inaugurado em 2017.
Nós também inauguramos o ambulatório de feridas crônicas, que é muito conhecido aqui na região e estamos prestes a inaugurar o ambulatório de saúde mental, com profissional psiquiatra, psiquiatra infantil, psicólogo, psicólogo para adolescentes e crianças, com provisão de inauguração para o próximo mês.

Estamos tentando criar mais serviços e aproveitar os profissionais que já estão aqui, oferecer um leque com mais especialidades e também com que consigamos fazer mais exames e procedimentos. Exemplo disso, é o laboratório municipal, em que conseguimos trazer mais exames para cá. Também tivemos a oportunidade de trazer um novo equipamento para o laboratório, que o de coagulação de sangue, o coagulômetro, compramos aparelhos para fazer teste da orelhinha, audiometria, imitanciometria, que são mais utilizados tanto em recém-nascidos, como em crianças e adolescentes com algum grau de dificuldade de aprendizado, ou de escuta.

A Saúde Mental é uma área que tem recebido muita atenção da administração municipal. Qual o objetivo da implantação dessa nova ferramenta, que será o ambulatório específico da Saúde Mental?

Hoje na Saúde Mental, nós temos três equipamentos que são o CAPS AD, o CAPS II e o Centro de Convivência da Saúde Mental. Desde o começo do ano, tentamos dar mais visibilidade a esses serviços, desmistificando e tirando um pouco daquele preconceito que muita gente tem a esse tipo de serviço.

Esse ambulatório de Saúde Mental, vai pegar um público desde crianças, adolescente ao público adulto, que muitas vezes não se sente confortável em participar de uma consulta com o psiquiatra no CAPS, ao mesmo tempo que vai trabalhar essas questões referentes ao transtornos mentais em crianças e adolescentes, em que é ativado o suicídio, automutilação, alguma crise em pessoas adultas e depressivas, enfim, a ideia é vincular o ambulatório a toda a rede de atenção psicossocial que temos no município, trabalhar em conjunto, sendo mais um equipamento de auxílio aos portadores de sofrimento mental.

Esse serviço de Saúde Mental já funciona de uma forma integrada hoje, com atendimentos psicológicos e psiquiatra infantil, e agora vamos receber mais um psiquiatra para o atendimento adulto, concentrando esses atendimentos em um espaço único, dando mais visibilidade ao serviço e fortificando a ação em conjunto. Esperamos que isso esteja funcionando no mês de junho, a sede será aqui também, na policlínica.

Nós precisamos muito desse atendimento específico, pois temos índices alarmantes de tentativas de suicídio e automutilação. Temos enfrentado essa questão de violência doméstica, violência sexual, então, vai ser algo importante, temos essa dívida com a população, que precisa, e vamos tentar diminuir esse índice a partir da inauguração desse ambulatório.

E o Espaço da Mulher, como estão os atendimentos?

Olha, os resultados são muitos bons. Nós tivemos um incremento de consultas, realização de exames e ultrassons, colocação de DIU, que supera muito os índices que tínhamos de alguns anos atrás. Chegamos a ter por quadrimestre quase três mil consultas neste espaço.

É claro que precisamos melhor um pouco ainda, em relação ao fluxo de atendimento, que é muito alto, trazer mais as pessoas para a consulta e prevenção. Precisamos avançar na obtenção de um aparelho de mamografia para o município, e a gente está buscando isso junto com os vereadores. A vereadora Gláucia Santiago mesmo citou, que está próxima de conseguir junto ao deputado federal Lafayette Andrada um aparelho de mamografia digital para Itaúna. Isso será de total importância, porque aí a gente consegue fechar o ciclo de prevenção da mulher aqui na cidade, sem que ela precise sair para fazer exames em outros lugares.

Como está sendo o uso do aparelho de raio-x digital conseguido pelo vereador Antônio “da Lua”?

O aparelho de raio-x já está instalado. Nós tivemos um pequeno atraso para o início do funcionamento, porque o funcionário responsável, o técnico de raio-x, pediu exoneração do serviço no dia seguinte a inauguração do aparelho. Temos que seguir o concurso que foi realizado em 2016 e fazer todo o procedimento burocrático, para a contratação da nova técnica, que deve começar na semana que vem. Espero que em breve esse aparelho comece a funcionar e que isso ajude a aumentar o número de exames de raio-x realizados aqui, diminuindo a fila para esse procedimento.
Durante levantamento de informações para a coluna S’PASSO BAIRRO A BAIRRO, moradores de algumas regiões reclamaram sobre filas nas unidades de PSF. Qual o posicionamento da Secretaria de Saúde sobre isso?

A gente percebe que essa questão da fila durante a madrugada acontece, na verdade, de uma forma pontual, principalmente nos PSFs do Garcia, Itaunense e algum outro, mas a grande questão é que estamos trabalhando junto com os médicos e enfermeiros dos PSFs para evitar, ao máximo, a ocorrência disso.

É claro que isso vai passar por uma consciência da população, mas estamos trazendo essa demanda de atendimento espontâneo, que apesar de não ser uma característica do PSF trabalhar com consultas agendadas e programadas, a gente sabe que a população tem demandas agudas e não podemos simplesmente falar que só trabalhar com consulta agendada, tem que tentar acolher.

Então, eu acho que são duas coisas, tem que conscientizar a população que esse tipo de conduta não é mais necessária, ao mesmo tempo, temos que trabalhar com as equipes de PSFs para que acolham as demandas agudas da comunidade e tente resolver no PSF, evitando ao máximo que esse paciente tenha que se deslocar ao pronto-socorro. Entendemos que o pronto-socorro é lugar para as patologias graves, agudas e que não têm condições de serem resolvidas dentro do PSF, que precisam de estabilização ou de um exame mais complexo. Inclusive, nesses últimos dias, o pronto-socorro tem ficado muito cheio por conta do aumento do número de casos de dengue.

Em relação a dengue, como Itaúna está?

Estamos vivenciando uma epidemia de dengue no estado de Minas Gerais, que é considerada a maior da história. É importante a participação da população para evitarmos que essa epidemia chegue ao nível que chegou em Itaúna nos anos de 2013 e 2016.

Aqui, estamos enfrentando a dengue com níveis de casos menores do que a região, porém, a participação da população é fundamental, porque temos relatos das equipes em campo, que 90% dos casos de criadouros estão dentro das casas.

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