Desassoreamento do São João começou e vai retirar toneladas de resíduos do rio

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Com a doação de recursos privados, a Prefeitura pôde, enfim, começar a realizar a capina no entorno do Rio São João e fazer o desassoreamento do manancial, projeto que estava engavetado desde 2016. A previsão é que as ações de limpeza no rio, que visam evitar prejuízos ambientais e riscos de enchentes, sejam concluídas até a primeira semana de junho.

A estimativa é que sejam retirados cinco mil m³ de resíduos e materiais do rio, que se tornam obstáculos físicos na calha do São João, causando alterações no fluxo de água, podendo ainda gerar outros problemas.

“A cada obstáculo, vai-se somando mais lixo, mais resíduos, e os problemas são multiplicados. Todo obstáculo vai ampliar a retenção e diminuir o fluxo do rio, consequentemente, sujeitando o aumento do volume d’agua naquela região, por isso a limpeza se faz necessária”, explica o gerente superior de Proteção ao Meio Ambiente, Antônio de Moraes. 

Parceria pública privada

Os recursos para realização da limpeza no rio foram viabilizados por meio de uma parceria pública privada, contemplando o trecho compreendido entre a ponte do bairro Olímpio Moreira e a rodovia MG-431, num total de 2.100 metros.

O convênio foi firmado após a empresa que está financiando a iniciativa cobrar a limpeza do rio para o Município e ter como resposta que a ação era inviável no momento, devida a falta de recursos e da contenção de gastos estabelecida. O Município então propôs a empresa a colaboração privada, prevista na Lei 11079, de 2004, aprovada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMAD.

A outorga foi liberada no ano passado, sendo executada agora. O projeto de limpeza e desassoreamento do São João é de 2016 e está dentro do plano de macrodrenagem que constituí o Plano de Saneamento Básico do Serviço Autônomo de Água e Esgoto – Saae. 

Aumento no volume de água

Nos últimos dias, o volume de água no rio tem chamado atenção. No entanto, o gerente de Proteção ao Meio Ambiente garante que o aumento do nível da água é devido a incidência de chuva inesperada para o mês e não resultado das ações de limpeza.

“Como a barragem do Benfica não está produzindo energia elétrica há mais de um ano, então, pelo fato dela estar cheia, toda a chuva que incide na bacia de contribuição do rio, passa direto e aumenta o nível de água do São João. Ao contrário dos meses de setembro a novembro, em que o reservatório está com o nível baixo e as chuvas são reservadas”, explica.

Ainda segundo o setor, o índice médio de turbidez do rio, ou seja, o grau de atenuação que um feixe de luz sofre ao atravessar a água, é de 30 e 50, sendo considerado, relativamente, translúcido, tendo em vista que o máximo permitido é de 100. Com isso, o Rio São João está regular para a captação de água. Esse número ainda pode melhorar a partir da inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto – ETE –, prevista para 2020, que deverá tratar mais de 80% dos rejeitos despejados no rio, fazendo com que os resíduos diminuam e ele volte com uma coloração saudável.

Apesar dessas intervenções, a limpeza e revitalização do rio só estarão completas depois que a massa de rejeitos parar de escoar nas águas. “A jusante da área urbana, a turbidez e a qualidade da água, ficaram outras, apenas no fundo, em que há um acumulo de sedimentos, que permanecerá durante um tempo, pois existe um processo que chama autodepuração, em que, uma vez que a água está mais limpa, ela pode limpar o fundo do rio. Mas, o correto é fazer o mesmo procedimento de limpeza, só que até o Brejo Alegre. Porém, é mais difícil e quase inviável fazer com máquina pesada, por conta da vegetação antiga. Por mais que seja a mesma essência do que estamos fazendo atualmente, para essa limpeza profunda é preciso fazer um planejamento, por conta da dificuldade logística, o projeto deve ser diferenciado e pensado futuramente”, finaliza Antônio.

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