Vereador Iago diz que especulação imobiliária está por trás de corrupção na Câmara

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Foto: Jornal S´Passo

Parlamentar afirma que necessidade de aprovar novo Plano Diretor pode ter motivado tentativa de compras de votos

Iago Souza Santiago era um fenômeno na internet quando decidiu se candidatar a vereador.  O carisma de seu personagem “Pranchana Jack” ampliou sua visibilidade e ele acabou sendo eleito com 678 votos, um número significativo para um estreante na política. Com atuação discreta, Iago passou os dois primeiros anos incólume, mas viu sua trajetória política e pessoal, dar uma guinada ao sofrer, segundo denúncia do próprio vereador, uma tentativa de suborno e cooptação de voto, durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara, em 2018.

No olho do furação e abandonado pelos seus próprios colegas, Iago adoeceu, se afastou das atividades parlamentares, mas não das polêmicas. Após denunciar uma possível prática de “Rachadinha” na Câmara e insinuar que colegas tem comportamento inadequado, inclusive com denúncias envolvendo casos amorosos nos bastidores do Legislativo o vereador se diz convicto que as especulações imobiliárias e aprovação do Plano Diretor estão por trás da trama de tentativa de compra de voto sofrida por ele.

O que fez surgir essa suposta negociação com você para beneficiar a chapa das vereadoras Otacília Barbosa, Gláucia Santiago e Márcia Cristina? Houve alguma tentativa de negociação com a atual mesa diretora?

Sempre falaram que eu ficava em cima do muro, não tinha lado, vereador “poste”, “ninguém sabe se é do lado do prefeito ou não”. Só que eu procuro ser independente. Já que eu não concordo com aquilo ali, com o sistema político, eu faço o meu, eu quero fazer o meu. Na época da eleição [da nova Mesa Diretora] eu conversei com os dois lados, para ouvir as propostas, o Alexandre Campos, por exemplo, também fez isso, outros vereadores fizeram.

Tinha o lado das meninas, que era muito bom, né!?, A Otacília, a Gláucia e Márcia, mulheres bem-sucedidas nas áreas delas. Inclusive, na primeira reunião que teve da Câmara com a Prefeitura, a primeira coisa que eu falei para o prefeito foi que era bacana ter uma grande participação das mulheres, hoje elas me chamam de machista [ risos], a Márcia não.

Os mais próximos a mim ali, mesmo, eram a Gláucia e a Márcia, principalmente a Gláucia… A dificuldade de estar em público ali, de falar, ela compartilhou comigo. Ela [Gláucia] me falava “faz isso para ficar mais calmo”, tinha essa proximidade mais humana, fora da política… Os que me tratavam melhor, foram os que tentaram me corromper, isso que me deixou puto.

O que te motivou a gravar as conversas que teve com os vereadores envolvidos no suposto caso de corrupção? Qual era seu objetivo com aquilo?

No dia do áudio, eles chegaram na Câmara… O Lequinho chegou em mim primeiro, eu cheguei e sentei, tem o vídeo [da reunião ordinária]. A Gláucia falou um negócio comigo, falou “o Lequinho vai falar um negócio com você”. E, passou um tempinho ele [Lequinho] chegou perto de mim e falou: “Ou! Arrumei um negócio bom para você! Tenho R$ 20 mil para você”. Eu ri, no vídeo mostra isso, ele até bateu dois dedos, acho que sinalizando os R$ 20 mil. Aí, lá na Câmara eu já comecei a gravar.

Era a corrupção mais… Nunca ninguém iria saber se eu fosse um cara que… Eu não quero aparecer não, porque teve gente falando que eu queria aparecer, foi por conta do social mesmo. Não gosto que me ofereçam coisas em troca de favor. Eu estava de jurado na Eliana, gravei três programas, eu que não quis continuar.

Em que momento você decidiu divulgar o áudio com as conversas?

Não fui eu.

Quem divulgou as gravações?

Assim que peguei no WhatsApp o vídeo eu compartilhei no meu Facebook. Nas matérias que saíram está como se eu tivesse soltado. Mas, não foi eu não.

De onde você acredita que viriam os R$ 20 mil? A quem interessaria a eleição dessa chapa?

O Lequinho não falou de onde viria o dinheiro. Ele falou que iria para um sítio e disse “ele vai te entregar o dinheiro lá”, se eu tivesse ido, talvez saberia.

Eu tenho a minha convicção que está tudo relacionado ao Plano Diretor. As ligações que eu consigo fazer disso, são com o Plano Diretor. São dois mandatos tentando colocar o Plano Diretor.

Mais de um vereador tem um senso de proteger eles [empresários do município], não sei o porquê, se tem vínculo familiar…  Mas, ele [um empresário, cujo o nome não foi revelado por Iago] estava gritando na porta de um dos vereadores naquela época lá da eleição da Mesa Diretora, por causa da votação do Plano Diretor. Eu falei na Câmara e ninguém ligou. Eu disse: “Gente! Melhor a gente fazer o Plano Diretor técnico, saber escolher o que precisa, não favorecer ninguém”.

Quais foram as consequências para você de trazer a público esse suposto esquema?

Desde novembro que teve esse trem de ameaça, foi tipo assim, a cartada final para eu não querer sair mais. (SIC). Depois que eu denunciei o caso na Câmara, eu recebi um print de um amigo meu, que estudou na granja, e ele falou comigo que já tinha informações que tinha gente rondando minha casa, teve isso!

Antes do áudio vazar já estava tendo algumas conversinhas assim, por isso, eu fiquei meio assustado. Teve notícia até de que eu tinha morrido, tomado três tiros, depois do áudio. Minha mãe ficou doida com isso.

Qual o motivo da sua licença médica?

Eu pedi na Câmara… Conversei com o pessoal da Câmara para eles verem algum mecanismo mais fácil para mim… Eu estava com medo de sair de casa, sem vontade de sair. Eles mandaram um psicólogo aqui em casa, que fez uma análise. Sou muito grato por ele ter vindo. Eles me ajudaram.

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