Empréstimo e criação de cargos iniciam mais uma guerra interna no Legislativo

0
308

Oposição e situação trocam farpas em reunião; concursados pressionam e Joel sugere “trancar” a pauta

A Câmara Municipal de Itaúna aprovou o pedido de urgência protocolado pelo Executivo em projeto que pode autorizar o Saae a contrair empréstimo na ordem de R$ 23 milhões. Por oito votos a seis, o pedido de urgência foi aprovado e o projeto deve entrar na ordem do dia durante a próxima semana.

A aprovação do pedido de urgência foi a primeira derrota dos vereadores da oposição e o que se viu, em seguida, na reunião de terça-feira, 18, foram derrotas consecutivas da ala e troca de farpas entre a base governista e a oposição, durante a sessão.

Ao comentar o pedido de urgência, Antônio de Miranda afirmou que enviar um projeto e solicitar sua análise em regime de urgência, faltando apenas uma sessão para o recesso parlamentar, era um desrespeito com a Casa. “Empréstimo com carência de 24 meses, para ser pago pelos próximos governantes e de R$ 23 milhões, não tem condições nem de justificar o pedido de urgência. Cinco dias para analisar isto é muito pouco. Temos que ter muita responsabilidade. O Poder Legislativo merece respeito”.

Márcio Hakuna endureceu o discurso e disse que era leviandade falar sobre o empréstimo. “A Prefeitura precisa do dinheiro, para fazer o reservatório de água do Morada Nova, o asfalto, a captação pluvial. O pagamento é mais para frente, porque vai se beber água para o resto da vida, andar no asfalto para o resto da vida. Não vou aceitar leviandade aqui mais”.

Concurso

Minutos depois, oposição e a base governista entraram novamente em atrito. Durante a aprovação de projeto que cria cargos no Executivo, oriundos do último concurso, Gleisson Fernandes, da base governista, sugeriu que o projeto seria uma resposta a um pedido dele. A fala desagradou e Antônio de Miranda alfinetou dizendo que a oposição lutou pela homologação do concurso. “Esse concurso entrou em vigor diante de tanta luta dos vereadores da oposição”, alfinetou relembrando o imbróglio envolvendo o concurso. Miranda complementou dizendo que estava entrando na Casa com indicações para a nomeação de outros cargos.

O presidente da Casa, Alexandre Campos, afirmou que é obrigação da Prefeitura nomear os concursados, mas pediu para que Antônio de Miranda retirasse, de sua indicação, os cargos que, segundo o presidente, não estariam contemplados no concurso. Imediatamente, Antônio de Miranda pediu a palavra, mas esta foi negada pelo presidente. Miranda insistiu, mas o presidente deu prosseguimento a sessão ignorando os pedidos.

Joel Arruda classificou como lamentável a atitude de Campos e a plateia, formada em sua maioria por concursados, se manifestou contra o presidente.

Com a repercussão negativa da atitude, Campos se viu em uma saia justa e posteriormente sugeriu a realização de uma audiência pública para debater a questão. “Estou dando minha palavra que realizaremos essa audiência”.

Joel Arruda, se dizendo independente, disse que não é subserviente ao prefeito. “No caso do concurso é muito fácil de resolver. Vocês têm o direito, se essa Casa for independente é fácil. Só juntar nove vereadores e trancar a pauta do prefeito. Olha prefeito, vamos votar só depois dessa situação ser resolvida. Essa Casa tem o poder nas mãos, mas não sabe que tem”.        

O presidente da Câmara, Alexandre Campos, disse que não faria discurso eleitoreiro e que o trancamento de pauta era balão de ensaio. “Temos o regimento e as leis para fazer com que o prefeito cumpra as determinações. Não quero fazer discurso eleitoreiro para ganhar a palma de vocês”.

Para finalizar o assunto, Márcio Hakuna disse que o prefeito iria receber parte dos concursados. Gláucia Santiago solicitou que todos os vereadores fossem também convocados.

Mais farpas

Em outro momento Otacília Barbosa, também da oposição, ironizou a base governista, perguntando quem seria o líder do prefeito na Casa. Até o momento nenhum vereador foi indicado para o cargo.

O clima voltou a esquentar quando Hakuna e Antônio de Miranda divergiram sobre o projeto que retiraria das sessões ordinárias as entregas de comendas e honrarias a população.  Novamente Antônio de Miranda foi derrotado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui