Itaúna entra para o Circuito Veredas e prepara roteiro de ecoturismo pelo Rio São João

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Município já se cadastrou na plataforma do Estado e se prepara para o credenciamento Federal, o que possibilitará à destinação de recursos de ambas as esferas para projetos na cidade

Em abril de 2017, a Prefeitura criou a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Turismo, inicialmente, com foco no fomento do setor econômico. O objetivo era trabalhar ações que viabilizassem a geração de emprego e de renda no município, meta que foi alcançada pela pasta, que hoje tem um saldo de 29 concessões de terrenos e 49 reversões de lotes que estavam parados, sem possibilidade de retorno para a população.

Com os resultados, a pasta começou a dar atenção a mais uma possibilidade para alavancar a economia local, o investimento no turismo. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Turismo começou a realizar estudos sobre o que seria viável para fomentar o segmento em Itaúna e também conseguir a destinação de recursos estaduais e federais. Para isso, o Município reativou o Conselho de Turismo e criou um fundo para receber os recursos destinados para fomento do setor.

O JORNAL S’PASSO esteve com o secretário de Desenvolvimento Econômico e do Turismo Diógenes Lopes Nogueira de Sousa Vilela e com a assessora de Turismo Sabrina Gonçalves Villefort para saber detalhes do projeto de fomento do setor no município, as estratégias de atuação e também expectativas. 

O que o Município espera conseguir com o setor de Turismo e, especialmente, com o Fundo Municipal de Desenvolvimento do Turismo – Fundetur?

DIÓGENES – No início deste ano, com a vinda da Sabrina para cá, nós abrimos o leque para buscarmos recursos para o turismo. A gente entende que o turismo também agrega valor e agrega receita para o município. E nós temos áreas boas para serem exploradas.

Para começar a parte do Departamento do Turismo, você precisa estar inscrito em alguns órgãos e nós não tínhamos nada. Nós começamos do zero. O Município nunca participou de nada a nível Estadual e Federal para arrecadar dinheiro, e tem muito fundo do Governo Federal para o turismo. Então, nós tínhamos que começar do zero e nós começamos, desde o início do ano. Primeiro nós tínhamos que nos associar a uma instituição, a um circuito. Buscamos o circuito que está melhor inserido na nossa região, que é o Circuito Veredas. Hoje, ele faz parte das cidades de Itaguara, Brumadinho e uma série de cidades que circundam Itaúna. Nós achamos por bem, fazer parte desse circuito e nós achamos a proposta deles melhor para nós, principalmente, em relação a essa coordenada do Rio São João. Eles estão na nascente do Rio São João. A gente pega toda a extensão do Rio São João.

SABRINA – Essa parte da regularização, da criação do plano, das leis para nos nortear, para que tivéssemos um parâmetro legal, o processo já está caminhando. Essa associação já foi feita com o Circuito Vereadas para começarmos a colocar a mão na massa.

DIÓGENES – Mandamos toda documentação necessária para a plataforma do Estado de Minas Gerais. Estamos nos preparando para o credenciamento federal.

Qual vai ser o papel do Conselho Municipal de Turismo nesse projeto junto ao Circuito Veredas?

DIÓGENES – Primeiro, para nos cadastrar nós temos que fazer um trabalho para termos membros na cidade, da sociedade civil organizada, envolvidos. Não são somente membros do governo. O conselho teve que passar pela Câmara de novo. Hoje, nós temos pessoas ligadas ao governo e pessoas ligadas aos comércios de turismo na cidade. Depois de criado o conselho, nós criamos uma plataforma de trabalho, com o que vamos explorar no turismo. Com esse trabalho pronto, nós mandamos para a plataforma do Governo Estadual. Eles têm um espelho que nós precisamos. E onde que entra aí esse pessoal do circuito? Eles entram com o assessoramento jurídico, apoio de toda parte documental, quais são os caminhos, para onde mandar, quem procurar… E, sem estar filiado e associado você não consegue fazer nada, nem o cadastro. Cadastramos e passamos pela Câmara com o nosso Conselho. Agora, tudo aprovado, estamos aguardando o “ok” do Estado. Com o “ok” do Estado, nós vamos começar nossas reuniões e elas precisam ser realizadas pelo menos quatro vezes ao ano, para fazermos as diretrizes e propor a programação.

Qual deve ser a primeira programação do Conselho Municipal de Turismo de Itaúna? E qual tipo de turismo o município apresentará no Circuito Veredas?

DIÓGENES – Tentar fazer uma parceria público-privado para pegar o trecho dentro da cidade, dentro do município, de onde começa e onde termina o Rio São João e catalogar as cachoeiras, restaurantes, fazer totens e fazer placas de identificação sinalizando o caminho. Esse é o primeiro programa dessa reunião. 

Um outro trabalho que nós temos feito é com o pessoal de hotelaria. Por que hotelaria? É de interesse deles que venham o pessoal para a cidade. Hoje, por exemplo, eles nos relatam que o pessoal vem para uma formatura na sexta-feira, acorda no sábado e o que tem para fazer na cidade? O que eles têm de referência na cidade são os bares. E nós temos como explorar, principalmente, o ecoturismo. Nós temos cachoeiras muito bonitas, nós temos restaurantes na zona de rural. Podemos trabalhar com o pessoal do ciclismo, pois, nós temos áreas para isso. Existem muitos grupos na cidade dispostos a fazer estes eventos. Só que eles precisam de apoio do segmento público. Hoje, não temos como fazer esse apoio porque não temos nem dotação orçamentária. Então, arrumando a documentação, providenciando essas dotações para o próximo ano, nós teremos recursos tanto municipais como estaduais para poder estar incentivando esse tipo de ecoturismo na cidade.

Basicamente, iremos explorar muito a questão do ecoturismo. De festas folclóricas e populares que existem hoje, somos parceiros da Secretaria de Educação e Cultura.

Quanto Itaúna pode conseguir com os governos Estadual e Federal fomentando turismo?    

DIÓGENES – São valores que nós não temos como estimar, porque depende do que iremos ter de projeto. Tem muito dinheiro do governo, principalmente Federal, voltado para o turismo. Só que para você conseguir pleitear… Não é valor, depende do projeto. Posso conseguir R$ 1 mil, R$ 10 mil, R$ 100 mil… Uma vez inseridos, aí iremos buscar os parceiros e os projetos, aí mandamos para o governo emitir os recursos. Os recursos são muito bons. É uma pasta que tem muito recurso e pouca gente que consegue fazer bons projetos para poder buscar estes recursos. 

Vocês se espelharam em algum município para desenvolverem essas ações voltadas para o turismo? 

SABRINA – Sim, em Mateus Leme, que é uma cidade próxima e também está nesse processo e faz parte deste mesmo circuito.

DIÓGENES – Nós temos buscado também informação em relação a Brumadinho. Brumadinho está bem na frente em relação a isso. Até mesmo porque existe o Instituto Inhotim. Eles têm uma área na qual trabalham isso de forma bem mais pesada. Então, nós estamos nos especializando para isso, buscando maneiras de trabalhar informações como eles.

Fora a destinação de recursos específicos, qual é a expectativa de retorno financeiro com o incentivo ao turismo?  

DIÓGENES – O que nós temos de valores de despesas é muito pouco. Nós temos um custo anual de R$ 15 mil com essa associação. É um custo muito pequeno. E agora, o que nós podemos trazer depende somente de criarmos projetos. Por exemplo, um evento de ciclismo, eles

conseguem trazer de 200 a 300 ciclistas para Itaúna. Só de diárias em hotel, você consegue, no mínimo, 150. Você movimenta o comércio todo da cidade. Isso tudo em um final de semana. Com um simples evento, você consegue trazer para a cidade de R$ 20 mil a R$ 30 mil, fora os projetos que podem trazer recursos do governo.

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