Projeto visa usar linhas de trens de Itaúna para o transporte turístico de passageiros

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A estação em 2003. Foto Gutierrez Lhamas Coelho

As linhas de trem de Itaúna podem começar a transportar passageiros, um projeto idealizado pela Comissão da Assembleia Legislativa Pró Ferrovias Mineiras pretende usar vagões de trens, que não são mais usados para o transporte de cargas para continuarem a tradição mineira de Maria Fumaças e, principalmente, impulsionar o turismo da região.

De acordo com a proposta, o trem sairia de Divinópolis e passaria por Itaúna, Mateus Leme, Contagem, Belo Horizonte e chegaria até Sete Lagoas. A malha ferroviária, em si, chega até o porto de Salvador. Com isso, a Comissão abre a possibilidade de que Minas Gerais volte a ter linhas turísticas no estado com os trens de passageiros. Atraindo turistas, como acontece em cidade que possuem os passeios turísticos, como as linhas de Outro Preto – Mariana e São João Del Rei – Tiradentes e acelerar o tempo de viagem.

Com atuação intensa na Comissão, como vice-presidente, o Deputado Estadual Gustavo Mitre, trabalha a proposição para a implantação da linha de passageiros que dará mais visibilidade ao município, fomentando a economia da região através do turismo, bem como o presidente da Comissão João Leite.

Segundo Gustavo Mitre, estas linhas de trens para passageiros significarão passeios curtos ou longos, em viagens prazerosas. “Os usuários conhecerão Minas Gerais mais de perto, com custo muito menor de viagens rodoviárias. E isto sem falar na segurança dos turistas, pois o número de acidentes com trens é quase zero em relação aos acidentes em rodovias, que tiram a vida de centenas de pessoas por ano, deixando também feridas milhares de outros cidadãos”, afirma.

João Leite explica que o projeto possui etapas de curto, médio e longo prazo, mas já está sendo elaborado pela Comissão em parceria com o governo mineiro.  “O projeto do trem de passageiros que ligará Belo Horizonte a Divinópolis é bastante extenso e passará, também, por cidades como Sete Lagoas, Pedro Leopoldo, Mateus Leme e Itaúna. É um projeto de suma importância e que trará benefícios por ser um modal ferroviário dedicado à população, otimizando o tempo de locomoção dos passageiros entre as cidades contempladas e também proporcionando economia e impacto ambiental positivo”, disse João Leite.

A historiadora Ana Maria Nogueira Rezende ressalta a importância da volta dos trens de passageiros para a região. “É um grande ganho ao centro-oeste, tanto no que tange ao turismo quanto a mobilidade urbana, pois a região, como fora no passado, ainda é fortemente ligada à capital mineira. A singularidade se apresenta como viés potencial para a geração de renda para vários municípios, no eixo, Belo Horizonte- Divinópolis, entre elas está Itaúna, que conta com duas estações ferroviárias. O trem de passageiro não compete com de cargas, mas compartilha os mesmos trilhos, que podem ser melhor utilizados”, explica.

Ainda segundo Ana Maria, em 1985 o Brasil contava com 33 mil km de linhas de ferro em uso, passando para 26 mil km em 1996 e atualmente são apenas 12 mil km exclusivamente para carga, em sua maioria, acima de 50% da capacidade dos trilhos.

Por isso, além do compartilhamento da linha, o projeto reforça a importância das ferrovias tanto para o transporte de mercadorias quanto a locomoção de pessoas e, a viagem por belas paisagens traz resgate da história mineira, muitas vezes não contada e proporciona uma visibilidade e investimento em diversas áreas. Dessa forma, a cidade aguarda, com expectativa, a concretização desse projeto.

Recursos

Recentemente, a Comissão barrou a pretensão de renovação de concessão dos trilhos mineiros por mais 30 anos, feita pela VLI ao Governo Federal. O motivo é o fato de Minas Gerais não receber nenhuma arrecadação de impostos, mesmo com a empresa usando quase toda a malha ferroviária mineira, o que representa 70% de sua atuação no Brasil. A junta continuará atuando até que seja finalmente discutida a questão dos repasses dos recursos pagos pela empresa à União, sem nenhuma destinação ao Estado.

“Dessa forma, enquanto não se decidir esta questão do repasse a Minas na mesma proporção da utilização dos trilhos mineiros, a pretensão da VLI está suspensa na negociação com o Governo Federal”, explica Gustavo Mitre.

Para a Comissão Pró Ferrovias é um absurdo que a exploração de atividades em Minas resulte em investimentos em outros estados, enquanto a malha rodoviária mineira necessita de intervenções urgentes. Se conquistar o repasse de parte dos recursos arrecadados pelo Governo Federal advindos da prestação de serviços da VLI, estes mesmo recursos deverão ser aplicados na recuperação de Estações Ferroviárias desativadas, que hoje são abrigo para marginais e usuários de drogas, melhoria das condições de segurança no trânsito de trens dentro do Estado, ações de conscientização ambiental e social da VLI no solo mineiro.

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