Itaúna é destino preferido de pedintes e moradores de rua segundo o Creas

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Atualmente, 32 pessoas estão sendo acolhidas pela “Casa Azul”; 10 são de fora da cidade

Nos últimos seis anos, a quantidade de pessoas em situação de rua na cidade tem levantado várias discussões acerca das condições as quais estes indivíduos estão expostos e também em relação aos transtornos que alguns causam ao comércio e a transeuntes, como, por exemplo, depredação de patrimônio e intimidação na hora de pedir esmolas. 

Em 2013, as reclamações foram tantas, que no ano seguinte a Prefeitura chegou a fazer um apelo à população, para que não doasse mais dinheiro aos moradores de rua, como medida para encorajar os mesmos a aceitarem a ajuda da rede socioassistencial do município.

No entanto, a ação não surtiu o resultado esperado, uma vez que o Município parou a campanha de conscientização, atendendo a uma recomendação do Ministério Público, à época. A população então começou a cobrar do poder público municipal políticas e ações para coibir a intimidação dos moradores de rua. Em reposta, foi montada uma “força tarefa” composta pelos serviços de assistência social da Prefeitura e de organizações não governamentais, aliados aos órgãos de segurança pública. O primeiro resultado, foi um levantamento com o número e o perfil das pessoas em situação de rua em Itaúna, contendo a origem e os motivos que levaram esses indivíduos a viverem dessa forma, além dos pontos da cidade preferidos por eles.

Em 2017, foram registradas cerca de 40 pessoas em situação de rua em Itaúna. Já em 2018, esse número saltou para 55, conforme informações divulgadas pela própria Prefeitura. Atualmente, 32 pessoas estão sendo acolhidas pelo Centro de Apoio aos Irmãos de Rua de Santana, conhecida popularmente como a “Casa Azul”. E destes, cerca de 10 são de outras cidades.

De acordo com o coordenador do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – Creas -, Alexandre Nogueira, o município é conhecido como o destino ideal para pedintes e migrantes especialmente nessa época do ano. “O que corre de boca em boca é que Itaúna é uma das melhores cidades para eles. Todo mundo ajuda. Hoje, temos pessoas de Pará de Minas, Belo Horizonte, Itatiaiuçu e até de São Paulo”, disse à reportagem.

O coordenador também explicou que a maioria dessas pessoas acabam por se tornar moradores de rua devido a problemas com o uso de álcool e drogas e, durante os períodos de festas, como agora, os mesmos buscam a cidade para se abrigar. “90% dessas pessoas vem com problemas de alcoolismo e drogas. Geralmente, acabam tendo problemas com as famílias e saem brigadas de casa. Muitos deles nem voltam mais. E, nessas épocas em que ocorrem as festas e tem movimento do comércio e da economia é que eles vêm para a cidade”, relatou.

O que dizem os moradores de rua

A reportagem conversou com alguns moradores de rua que estavam acampando na Praça da Matriz. Dos cinco que procuramos para conversar, apenas dois aceitaram falar um pouco da vida que levam. Eles disseram que são de outras cidades, um contou que é de São Paulo e o outro não quis dizer a origem, e relataram que vieram para Itaúna devido à hospitalidade da população.

Embora tenham sido receptivos a um diálogo, os moradores de rua se recusaram a dizer os nomes. Um deles, aparentemente alcoolizado, disse que tem um mandado de prisão em seu desfavor, mas desconversou ao ser questionado o motivo, dizendo apenas que mudou de vida. Ao serem perguntados se sofriam algum tipo de violência ou intimidação durante à noite na praça, eles disseram que nunca tiveram problemas e que se sentem seguros na cidade. A reportagem perguntou também o motivo de não aceitarem ajuda das comunidades terapêuticas ou do Albergue Bezerra de Menezes. Eles novamente desconversaram, mas após insistência na pergunta disseram apenas que “lá não é o que parece”.

Ações assistenciais

 O Creas, juntamente com a Casa Azul, tem realizado constantes abordagens em pontos estratégicos da cidade a fim de resgatar pedintes e migrantes para então levá-los aos abrigos do município. Contudo, Alexandre Nogueira relata que nem sempre os resgates são possíveis, já que em sua maioria, os mesmos não aceitam as condições oferecidas pelas associações. “A maioria dessas pessoas não querem sair dessa situação e só chegam a pedir ajuda em casos extremos. Muitos passam pelas clínicas e não conseguem ficar durante o tratamento. Então, estão nessa situação, muitas vezes, por opção deles mesmos”, acrescentou. 

Além do resgate, as associações também prestam o auxílio oferecendo alimentação, roupas, emissão de documentos pessoais, passagens de ônibus, acompanhamento psicológico entre outras diversas benfeitorias. E, pelo fato das entidades realizarem o apoio diretamente, a recomendação é para que os cidadãos não doem quaisquer contribuições financeiras aos pedintes. “Não se deve dar esmolas, pois você estará contribuindo com o tráfico de drogas e, principalmente, com o consumo de álcool por estas pessoas”, afirmou o coordenador do Creas.

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