Dia do Rock: Os desafios das bandas locais no mercado

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Os Tangerines

Neste sábado, 13, é comemorado o Dia do Rock, que começou a ser celebrado em meados dos anos 90 e se popularizou em todo o país. “Eu comemoro, não apenas nesta data, e sim todos os dias, porque ele (rock) mudou a minha vida. Foi aquela identificação, de encontrar um lugar no mundo, de inspiração e novas ideias que faz do rock muito importante pra mim”, afirma o músico itaunense, Isaac Sander.

Itaúna, na década de 90, possuía um grande público fiel ao estilo musical, criando oportunidades para bandas locais crescerem e se consagrarem como a “Deadlines” e “Taxman”, entre outras. Com isso, espaços destinados exclusivamente ao rock começaram a nascer, fazendo o intercâmbio entre os artistas do gênero e seus fãs.

Foi assim que surgiu o bar “Pantheon”, que ficava no Vila Tavares, criado pela Associação de Rock e Cultura Alternativa de Itaúna – Arca. O Pantheon foi um dos primeiros locais destinados ao estilo musical e dava espaço para bandas da cidade e região. Segundo o presidente da associação, Jânio Geraldo Lara, o bar conseguia trazer bandas diferentes todo final semana e era mantido apenas com esse público, mas com o tempo e a nova geração, o bar precisou fechar. Outros bares entraram para a história do rock de Itaúna, como o “Galpão”, no bairro Universitário e o “Bar do Raul”, no Brejo Alegre, que sempre deram espaço ao estilo.

Mas hoje, a nova geração encontra desafios no mercado. “Eu mexo com rock desde os 19 anos, hoje, estou com 46, tenho um bar, o Motorock bar, que dá apoio as bandas da região, e eu vejo que atualmente, Itaúna parece ter mais dificuldade no ramo que as demais cidades, porque há um certo incentivo cultural para manter as bandas e nossa cidade não tem isso, mas fazemos porque gostamos, porque se não tiver também acaba. Itaúna tem muito potencial no gênero, ainda, várias bandas, artistas, mas ninguém valoriza. Os demais gêneros também cresceram e foram ganhando cada vez mais espaço, fazendo com que perdêssemos muito o público jovem”, afirma Jânio.

O presidente ainda explica que a criação da Arca foi para tentar incentivos culturais para as bandas locais e fomentar o rock na cidade, além de impulsionar a dança, artesanato, entre outras culturas itaunenses.

Isaac acredita que o desafio maior é atrair o público novamente. “Como o rock não é o estilo preponderante nas paradas de sucesso, o grande público prefere seguir a tendência do que apostar em algo ‘novo’. E esse novo é entre aspas porque o rock parece não dialogar muito com as novas gerações, apesar de tanta produção atual de qualidade em nichos espalhados pelo país. Creio que com organização e uma visão de mercado mais acertada a cena musical poderia se agrupar novamente, trazendo o público por consequência”, explica.

Já o músico Stéfan Magalhães acredita que a perda de espaço é devido a inúmeros fatores, principalmente ao retorno financeiro que a indústria da música busca, investindo no popular. Mas, segundo ele, o rock ainda tem suas particularidades e são nelas que deve-se investir. “O rock é o único estilo em que existem bandas covers. Você já viu alguma dupla sertaneja que toca só Zezé Di Camargo e Luciano? Nada contra quem gosta de reviver e homenagear os clássicos, mas fechar os ouvidos para coisas novas no estilo é purismo exacerbado e uma das coisas que faz com que novas bandas morram rapidamente”, declara.

Stéfan destaca ainda que há muito material bom. “Tem muita banda nova na estrada e a cada dia um novo som é lançado. É só abrir os olhos e ouvidos. Aqui na região, tem a Tangerines (minha banda), M Jack, Gatilho, Bicho Mecânico de Asas, Cracked Skull, Devise, Lafetah, enfim muitas bandas que mantém viva a chama do rock e com diversas influências dentro dele. Mas elas precisam de fãs, de gente que escuta, que compartilha, que vá em shows. Vamos juntos?”, proclama.

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