Divulgação de Fake News nas eleições do próximo ano preocupam candidatos

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A difusão de conteúdos enganosos na Internet nas disputas municipais de 2020 vem preocupando especialistas no assunto. O tema foi debatido no seminário “Internet, Desinformação e Democracia”, que foi realizado esta semana pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Criado em 1995, o comitê é responsável pela administração dos domínios “.br” e por diretrizes para o desenvolvimento da rede mundial de computadores no país. Durante o evento foram discutidas propostas para o enfrentamento de conteúdos enganosos nas plataformas digitais.

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral – TSE –, Henrique Neves, destacou a complexidade de tratamento das notícias falsas nas eleições de 2020, lembrando que a análise de violações na propaganda eleitoral será feita por 2.800 juízes das zonas eleitorais responsáveis pelas disputas municipais nas diferentes regiões do país. “A eleição municipal é muito mais complicada de ser feita do que a nacional. Você vai ter um universo menor, municípios com 20 mil pessoas, onde uma fake news pode se espalhar mais rapidamente. É importante uma qualificação para que os juízes, Ministério Público e advogados saibam lidar com o problema”, afirmou.

A preocupação do ex-ministro é a mesma de pré-candidatos e articuladores políticos de Itaúna. Segundo o jornalista especializado em Política, Júnior Fonseca, o atual cenário da política itaunense catapulta as chances de haver problemas nas eleições municipais. “As eleições de 2018 foram o termômetro para o próximo ano. Em pleitos municipais, pela proximidade dos candidatos e eleitores há sempre uma disputa maior entre os grupos políticos e consequentemente um ‘vale-tudo’ nas campanhas extraoficiais. Itaúna hoje está dividida em dois grupos e as notícias falsas tendem a se proliferar. Cabe à Justiça Eleitoral fazer um trabalho eficiente evitando que as fake news influenciem no resultado”.

No meio político as estratégias já estão sendo traçadas. Um vereador ligado à situação, que pediu para não ser identificado, afirma que as mídias sociais deverão ser largamente utilizadas e consequentemente notícias falsas vão se espalhar. “Cabe, aos candidatos, fazerem um pacto para eleições limpas. Se todo mundo se comprometer a divulgar somente verdades, o processo será isento. Porém, a gente sabe que toda eleição tem fofoquinhas e disse me disse. O problema é que essas fofoquinhas agora são ampliadas e rapidamente disseminadas”.

Outro parlamentar ouvido pelo JORNAL S’PASSO diz que o uso indevido das redes sociais já começou. O político cita os áudios do escândalo dos pastéis, vídeos publicados pelo ex-vereador Medeirinho e os memes feitos contra a vereadora Otacília Barbosa. “Esse tipo de mensagem se espalha rapidamente. O problema é que colegas nossos (vereadores e assessores) ajudam a espalhar este tipo de conteúdo. Mas, os mesmos que espalham hoje podem ser os que serão atacados no dia seguinte”.

O chefe do Cartório Eleitoral, Euder Monteiro, afirma que a Justiça Eleitoral está planejando uma série de ações e prevenções para o pleito eleitoral. Além de cuidar para que os processos desta natureza tramitem mais rapidamente. “A ideia é prevenir ao máximo, com apoio da imprensa e promovendo reuniões com candidatos e cabos eleitorais. Além disto, priorizaremos o andamento dos eventuais processos que possam vir a ocorrer, acentuando o poder de Polícia que a Justiça Eleitoral possui”.

Whatsapp

O combate à desinformação nas eleições de 2020 passa pelo enfrentamento do problema no Whatsapp. Tomando o papel da rede social no pleito de 2018, apesar de ser uma rede social de mensagens privadas, permite a difusão em massa de mensagens, como nos grupos de até 256 integrantes, de forma obscura e utilizando o anonimato, enterrando o debate político.

Só para se ter uma ideia do poder do “Zap”, os atuais vereadores de Itaúna possuem listas e mais listas de grupos e participam ativamente do aplicativo. Júnior Fonseca lembra que os políticos que exercem mandados atualmente fazem das redes sociais uma extensão de seus gabinetes e com isto a proliferação de informações é exponencialmente maior. “Temos vereadores como Lucinho de Santanense, Márcio Hakuna, Iago Souza que praticamente legislam pelas redes sociais. O prefeito Neider Moreira também grava vídeos e os lança nas redes sociais. Tudo ainda feito de forma amadora. As redes são importante instrumento de divulgação do trabalho, porém, têm que ser usadas corretamente”.

Para evitar o uso indevido da plataforma nas próximas eleições, o jornalista defende que a Justiça Eleitoral coíba e puna exemplarmente quem divulgar notícias enganosas e que pressionem os grandes grupos de comunicação, responsáveis pelo Whatsapp e Facebook, para que haja mudanças nas plataformas. “A Justiça Eleitoral vai ter de ser rápida e punir os responsáveis pela propagação das informações. É preciso pressionar o Facebook e o Whatsapp para que eles viabilizem a identificação de responsáveis por mensagens que violem os códigos posturais e que causem constrangimento aos candidatos e à sociedade. Particularmente, entendo que 2020 será uma das eleições mais duras e ‘sujas’ que Itaúna já viu. Todo o clima tenso instalado na cidade contribui para este meu pessimismo”, finaliza.

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