Grafite ganha espaço entre os jovens de Itaúna

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Basta um passeio pelas ruas e avenidas de Itaúna para se deparar com uma manifestação ainda pouco compreendida e que até bem pouco tempo sequer era considerada arte. Taxado muitas vezes de pichação, o grafite rompeu as barreiras do preconceito e, graças a artistas como “Os Gêmeos”, nascidos em São Paulo e considerados os melhores grafiteiros do Mundo, ganhou atenção e uma multidão de admiradores.

O grafite surgiu em Nova York e hoje se transformou em um movimento mundial organizado, em que o artista cria uma linguagem intencional para interferir na cidade, aproveitando os espaços públicos para a crítica social.

Em Itaúna, o grafiteiro William Pinguim afirma que quando começou, em 1998, o grafite não aparecia no cenário urbano da cidade e que só conseguiu fazer pinturas por aqui anos depois, quando já não morava mais no município. “Cada cidade compartilha características próprias e hoje já há abertura para os grafites que mostram uma pintura bonita, alegre e por isso, são bem aceitos pela sociedade”, explica.

Ao mesmo tempo, há grafites que refletem temáticas ainda pouco aceitas pela sociedade e é neste cenário que a arte se confunde com a pichação. Ambos nascem da mesma vontade de expressão pessoal, mas o resultado é diferente, como comenta Edênia Alcântara, coordenadora do Centro da Juventude. “Enquanto a pichação permanece como um símbolo de vandalismo e seus praticantes são considerados marginais, o grafite adquire, cada dia mais, a conotação de arte. Por isto, deixou de ser uma arte do cenário urbano para ganhar até as galerias de arte”, afirma.

Contra a lei

O preconceito e a confusão entre o grafite e a pichação começam na própria legislação brasileira que sempre tratou os dois como crimes contra o “Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural”. Somente a partir de 2011, uma lei federal definiu a pichação como crime, mas excluiu o grafite, desde que fosse feito com aprovação do proprietário do imóvel ou com autorização do órgão competente.

O educador social Victor Oliveira diz que, apesar de ter ganhado um grande impulso e visibilidade nos últimos anos, o grafite ainda é uma cultura marginalizada. “Ele (o grafite) é um dos pilares do hip-hop e continua à margem da sociedade, como um “life style” e um manifesto de resistência”.

Desafios

A coordenadora do Centro da Juventude, Edênia Alcântara, explica que os profissionais do grafite enfrentam grandes desafios e, na maioria das vezes, a falta de reconhecimento. “Trabalhar com arte já é um desafio, principalmente no cenário atual do nosso país. E quando se trata de uma arte que utiliza os espaços urbanos, tudo fica mais complicado. O grafiteiro utiliza e ocupa desses espaços para expressar sua marca, sentimentos e visão de mundo”, salienta Edênia que destaca como uma grande conquista, a criação de uma oficina para orientar e ajudar os jovens que querem saber mais sobre o grafite no Centro da Juventude.

Já William Pinguim acredita que o maior desafio é a falta de valorização do trabalho. “Para quem tem o grafite ou qualquer outra manifestação artística como hobby é mais fácil, porém, quem vive da arte, enfrenta muitas dificuldades”, relata. 

Cultura

Existem relatos e vestígios de grafite desde o Império Romano e, na atualidade, ele ressurgiu, na década de 70, quando alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes nova-iorquinas. Essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos e se transformaram em arte urbana ou street art.

O grafiteiro William Pinguim ressalta que a importância do grafite para a cultura é imensurável, já que é uma forma de expressão que faz com que as pessoas reajam, sejam provocadas e se incomodem.

“Independentemente de cultura, classe social ou religião, todos seres humanos podem se manifestar através da arte, pois a arte cura, a arte muda e a arte transforma vidas, grupos, lares, bairros e não temos a dimensão de onde podemos chegar através dela”, reflete o grafiteiro Victor Oliveira. 

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