Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla traz à tona o amor incondicional

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tema “Família e Pessoa com Deficiência: Protagonistas na Implementação das Políticas Públicas”

Com o tema “Família e Pessoa com Deficiência: Protagonistas na Implementação das Políticas Públicas”, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla começou nessa quarta-feira, 21, com alunos e usuários da quadra da APAE de Itaúna – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais Instituto Santa Mônica -.

Nesta segunda-feira, 26, às 14h, acontece o II Debate Inclusivo na APAE, com o tema “Educação Inclusiva – Desafios, Processos e Melhorias”. Já na terça-feira, 27, haverá uma participação na Câmara Municipal sobre a importância da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

No dia 30, acontece o III Fórum Inclusivo da Arte Capoeira e, logo após, às 14h, oficina de Capoeira Inclusiva. A programação termina no dia 31, com uma passeata inclusiva da APAE do espaço cultural até a Praça da Matriz, às 8h30, em seguida, acontece o Batizado e Troca de Cordas.

A realização da Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla em todo o País traz ao debate a necessidade de acabar com a discriminação. Apesar das grandes conquistas, ainda temos uma sociedade segregadora e esse é um dos maiores desafios a serem vencidos. Para mostrar a importância do amor incondicional, a reportagem do Jornal S´Passo conversou com Wilson Peixoto, um professor de matemática, que ao ter seu segundo filho, Wiliam, portador de autismo, teve suas perspectivas transformadas e encontrou um novo significado para a vida.

“Wilian é nosso segundo filho, temos Nathalia, de 18, e ele, de 14 anos. Quando ele nasceu, estávamos com a expectativa comum a todos os pais e, de repente, vimos que ele não falava e começamos a investigar. Fomos a inúmeros médicos, psicólogos, fizemos exames em Itaúna, Divinópolis e Belo Horizonte, até descobrirmos que ele era autista”, explica o pai.

Wilson diz que toda a busca empreendida por ele e pela esposa fez com ele tivesse a certeza de que o filho teve sempre as melhores oportunidades para se desenvolver e ter uma vida normal. “Hoje eu tenho consciência de que fizemos o que era possível. Corremos atrás de escolas, exames, profissionais como fonoaudiólogo e psicólogo, além de esportes como natação, terapia ocupacional”, afirma.

Educação para além da doença

Wilson destaca que mesmo o filho, mesmo tendo necessidades especiais, precisa de uma educação firme e da palavra não. “Minha esposa é mais protetora e eu já prefiro ser firme. Nosso amor é incondicional, mas sabemos conduzi-lo para que seja independente e feliz”.

Segundo Wilson, o nível de autismo do filho é moderado, pois ele consegue assimilar conhecimento em diversos assuntos, porém, ele tem dificuldades de socialização, de cumprir horário. Wilian não consegue amarrar o sapato ou pentear o cabelo, mas consegue saber a tabuada de cor”, conta. O dia a dia é cheio de surpresas para os pais de Wilian. Ele está aprendendo inglês, já cantar e decora com rapidez datas e números. “Tentamos dar ao Wilian oportunidades comuns a qualquer criança e jovem, mas observamos que muita gente lança um olhar diferente sobre ele ao primeiro contato. Porém, basta conhece-lo um pouco mais para se encantar com a incrível a capacidade que ele tem de decorar datas, números e outras informações”.

Palestras de conscientização

E foi através das curiosidades e sabedoria de Wiliam que Wilson começou a ministrar palestras explicando o autismo e como é criar um filho com a doença. “Quando ele tinha uns seis anos, eu perguntei a ele ‘Wiliam está chegando o aniversário do papai, que dia será o meu aniversário?’  Então ele respondeu 19 de julho e então perguntei que dia da semana daria e, sem demoran ele respondeu que seria na sexta-feira. Consultei o calendário e ele estava certo. Acredito que ele tenha memória fotográfica”, relata.

Segundo Wilson, o objetivo das palestras, além de conscientizar, é mostrar o que sua vivencia com o filho. “Nossas apresentações são para mostrar para outras pessoas aquilo que nós vivemos dentro da nossa casa, com nosso filho que é autista. Mostrar os direitos que ele e as demais crianças têm e que as pessoas que possam estar vivendo situações semelhantes possam aprender um pouco com a nossa experiência”.

“A gente costuma falar da importância da inclusão para o desenvolvimento do deficiente, mas, é importante mostrá-los, colocá-los para frente porque eles podem se desenvolver. Acreditamos que não temos um problema; vivemos situações diferentes da maioria dos pais em seu cotidiano, mas criamos uma maneira bacana de enfrentar a questão para que no final tudo fique bem hoje”, finaliza.

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