Especulação imobiliária altera paisagem urbana nos últimos anos

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As paisagens urbanas de Itaúna mudaram constantemente ao longo de todos estes anos. Nas últimas quatro décadas então este movimento foi acelerado. Hoje praticamente não se vê ruas de terra em bairros, residências sem energia ou água ou grandes quintais como havia antigamente.

Foi pensando nestas alterações que a mestre Alessandra Cláudia Cabanelas, defendeu tese de mestrado em que investigou a percepção paisagística, revelada pelo imaginário dos diversos envolvidos na construção das paisagens urbanas de Itaúna,

Tomando como estudo de caso a área central da cidade, a hoje mestre, cita em sua tese que a escolha deu-se pela sua importância urbanística, paisagística e simbólica e também pelo acelerado processo de modificação paisagística que Itaúna sofreu nas últimas décadas. “A concepção paisagística de um determinado lugar resulta da interação dos aspectos sociais, culturais, econômicos e simbólicos que direcionam as transformações ocorridas no ambiente natural” redigiu a pesquisadora citando  a Maria Ângela Leite que afirma que a paisagem é o reflexo da relação entre o homem e a natureza, na tentativa de ordenar o entorno, com base em uma imagem ideal.

A tese defende que a compreensão da paisagem implica rever a sua manifestação ao longo dos tempos e ainda perceber que os elementos que a compõem e as manifestações específicas em cada lugar não são estáticos, ao contrário, estão em constante mutação.

É assim que pensamos, por exemplo, que até meados do início deste século a Rua Gonçalves da Guia ainda era considerada zona boêmia, mesmo com alguns poucos “e resistentes” bares. Ou que as imediações do “Cerrado” era um lugar perigoso de se passar.

As alterações, principalmente na área central, vão ao encontro das conclusões de Alessandra. Nos últimos anos, a ascensão econômica mudou a área. A expansão de comércios e a demolição do patrimônio histórico, que vem dando lugar a estacionamentos e prédios, comungam para um empobrecimento da paisagem. “A cidade passou a crescer dentro desta lógica e as paisagens configuradas passaram a expressar a ausência de harmonia entre o natural e o construído. Tal processo agravou-se após a implantação do Plano Diretor de 2008, com a aceleração da demolição de muitas edificações para se inserir edificações verticais, resultando na baixa qualidade paisagística que se observa hoje na área central da cidade de Itaúna”.

A pesquisa concluiu que a área central de Itaúna está sofrendo transformações urbanas que não estão resultando na qualidade paisagística que os próprios moradores esperam e desejam de sua cidade. “Este é o principal problema que deveria ser enfrentado por todos aqueles que estão envolvidos com o planejamento urbano de Itaúna. Enfim, verificou-se que, na cidade de Itaúna, existe um planejamento urbano cujos parâmetros urbanísticos têm produzido paisagens urbanas que não são aquelas em que os moradores gostariam de viver”.

Efemérides itaunenses

Para muitos João Dornas Filho é apenas uma escola. Mas por trás do nome de uma das principais escolas da cidade, existe a homenagem ao grande historiador itaunense. João Dornas era entusiasmado em retratar nossa história. Guardava pedacinhos do cotidiano e parte do que sabemos hoje é devido ao esforço dele.

De fatos históricos ao dia a dia da cidade, passando por dados oficiais, João era obcecado pela a história. Por meio dele sabemos, por exemplo, que a escolha do nome Itaúna não foi tão simples quanto possa parecer.

Durante a elevação de distrito (de Pará de Minas) para sede de município, em 14 de junho de 1901, o Conselho Distrital sugeriu que o município recebesse o nome de Brasilina. O major Senócrit Nogueira sugeriu o nome Vila Brasilina. A história não oficial conta que Brasilina era um affair do major, mas o militar  justificou dizendo que era uma  homenagem ao Brasil.

Itaúna também poderia ter sido chamada Burgana  uma junção dos termos burgo que quer dizer povoado e Ana, em homenagem a padroeira Sant’Ana. Por fim, o deputado José Gonçalves e o senador Padre João Pio escolheram o nome Itaúna, em virtude como todos sabem do grande número de pedras negras na cidade.

Quem passa pelo centro hoje, com dificuldade em se locomover não imagina que no início do século passado a criação de animais soltos é que atrapalhava o ir e vir de quem passava pelo local. A lei municipal nº 7, de 1902, regulamentou a criação de porcos no município, proibindo a criação dos animais soltos nas ruas. A lei nº 8, tratava de cabritos, carneiros e etc, soltos em via pública. João e suas efemérides. Se ele ainda estivesse por aqui, estaria, com certeza, registrando fatos que mais parecem histórias. Como a do bar que só fecha na sexta-feira da paixão, a rua da ponte, sem ponte, a prainha sem mar, mas com calçadão, as hóstias que vertem sangue, a Santa que pede oração e o futuro que nos convida a viver todas.

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