Funcionamento do Rotativo na área central é alvo de críticas de comerciantes e população

0
856

Mais de 15 dias após o início do funcionamento do estacionamento rotativo, muitos comerciantes e motoristas têm reclamado do modelo instalado na cidade. Com atendimento 100% digital, o rotativo cobra R$ 2 a hora para carros e R$ 1 para motocicletas, com o usuário podendo renovar por mais uma hora sua permanência na vaga. O problema é que após este limite, o motorista precisa mudar de vaga e outa zona azul ou ir embora, o que vêm gerando transtorno.

O Jornal S’Passo foi conferir de perto a situação e na tarde de quinta-feira, a reportagem percorreu diversas ruas da área central abordando motoristas. Liliane Cabral afirma que o centro necessitava de um estacionamento rotativo, entretanto o modelo aplicado há alguns anos na cidade era mais eficiente. “Da outra vez as pessoas ficavam na praça vendendo os tickets, agora temos que ficar procurando os monitores e, se não achamos, o carro é rebocado. Também não ensinaram à população como usar o aplicativo; eu não sabia onde comprar e quando achei o vendedor, ele disse que estava sozinho atendendo todo o entorno da praça”.

Já Thiago Henrique Guimarães não gostou do fato de pagar por uma vaga pública. “Tem que baixar aplicativo, não encontramos vendedor na rua, aí tem que ficar esperando alguém vir receber. A Prefeitura não explicou como devemos usar e não está nem um pouco acessível”.

O Jornal S´Passo conversou também com Reginaldo Alves Pereira que não concorda com a instalação do sistema de estacionamento. “Não sou a favor do rotativo porque além de pagarmos ainda temos que trocar de vaga de hora em hora; isso não existe”.

Outro motorista, Francisco Rodrigues, conta que ficou estacionado por duas horas na área central e ao trocar de vaga, o monitor não autorizou. “Ele disse que eu já havia atingido minha cota aqui, e se eu quisesse estacionar que era para ir para a Prainha. Isso é um absurdo”.

Comércio

Comerciantes do entorno da Praça, ouvidos pela reportagem, foram unânimes em afirmar que as vendas foram impactadas com o início da cobrança do rotativo. Jéssica Marinho, caixa de uma loja, diz que as vendas caíram drasticamente. “O centro está mais vazio, sem carros, não tem movimento e a circulação de pessoas diminuiu”.

O comerciante Deiler Rodrigues relata que a maneira como a empresa e a Prefeitura instalaram o rotativo foi errada e, ao invés de aumentar, diminuiu a circulação de veículos. “Como uma pessoa vai resolver pendências no centro em duas horas? Fazer compras, ir ao banco ou mesmo ao médico. O rotativo está afastando as pessoas do centro. Todo mundo quer facilidade e não empecilhos e burocracia. Acho justo pagar e que haja rotatividade dos veículos, mas o modelo tem que ser funcional”.

Outra comerciante que não quis ser identificada afirma que seu estabelecimento virou ponto de informações do rotativo. “Estamos atendendo e o cliente fica olhando no relógio, sai com pressa por conta do horário; há pessoas mais velhas que não entendem a tecnologia do aplicativo. Está horrível, estão comparando Itaúna com cidade grande e não é bem assim; aqui é interior. Os sábados estão mortos e ninguém vem mais ao centro para comprar. As vendas caíram muito”.

Jaqueline Simone Aquino, que trabalha no centro, reclama também da dificuldade que os comerciantes e trabalhadores da área estão tendo com a determinação de ter que trocar o carro de vaga de duas em duas horas.

Outro comerciante que também preferiu o anonimato, conta que o centro tinha mais movimentação e o número de clientes caiu. “Confesso que o centro precisava do rotativo, mas ao redor não. Não acredito que financeiramente esse empreendimento vai dar o retorno que a Prefeitura espera, nem a empresa”, relata.

O JORNAL S’PASSO entrou em contato com o Departamento de Trânsito que garantiu estar atento aos problemas e questionamentos da população e por isso há uma proposta de alinhamento com a empresa responsável. “Vamos tentar suprir essas falhas; três equipes de T.I. da empresa trabalhando em tempo integral, 24 horas por dia, e temos feito essa tratativa e buscando soluções”, explica Audrey Leite.

Em conversa com a reportagem, o representante da IT2B, Roberto Cantoni, informou que a empresa já está com mais de 20 pontos de revenda na cidade e há 12 monitores circulando nas ruas da Zona Azul e que mais três pessoas serão contratadas, uma delas portadora de deficiência. “O ideal para avaliarmos o sistema seria 60 dias, mas haverá uma expansão do estacionamento rotativo em algumas ruas, que não entraram neste primeiro momento”, revela. Roberto ainda confirma que a circulação de veículos está dentro do esperado pela empresa para o começo do novo sistema.

De acordo com Welton Ramos, da IT2B, a questão de ter de retirar os veículos das vagas é a premissa básica do rotativo. “Itaúna tem duas zonas (central e prainha). O motorista pode ficar em uma zona por duas horas, depois tem que retirar o veículo e ficar mais duas horas em outra zona.

A procuradoria do munícipio nos solicitou prorrogar por mais duas horas a permanência em cada zona. Estamos fazendo o levantamento jurídico e avaliando se conseguiremos atender o pedido da procuradoria” explica.

Ao todo o rotativo atende 1.632 vagas para carros e 100 vagas para motos, na região central, e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados das 7h às 13h. O objetivo é aumentar a rotatividade de veículos que circulam na área e encontram dificuldades em achar vagas, até mesmo em estacionamentos privados.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui