População de capivaras cresce e aumenta riscos de febre maculosa

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Quem passa pelo Lago Sul, no Boulevard, ou no entorno Rio São João e na Barragem do Benfica certamente já viu uma ou outra capivara, ou até famílias inteiras dos animais, circulando pelos locais. Sem predadores na região, os simpáticos animais se multiplicaram e hoje são vistos com frequência pela população.

Mas o jeito inocente dos mamíferos esconde um perigoso vetor de doenças: o carrapato estrela, que pode transmitir a febre maculosa. A capivara é um dos principais hospedeiros do carrapato e geralmente os locais por onde ficam ou passam podem estar infestados.

Moradores do entorno do bairro Boulevard Lago Sul estão preocupados com o número de capivaras vistas na região.

O fotógrafo Sidney Le Roy, conta que já se acostumou com a presença dos mamíferos à beira do lago. E, evita transitar pelo local com medo de ser picado por algum carrapato. “Direto eu vejo essas capivaras lá. Principalmente, durante a manhã e na parte da noite. A gente fica com medo de passar por ali, porque elas podem nos passar alguma doença”, afirmou.

Sidney acrescenta que durante um de seus ensaios, realizado próximo ao lago, uma de suas modelos foi picada por carrapatos, o que trouxe preocupação. “Eu pedi que ela fosse imediatamente tomar um banho e checar onde tinha sido picada. Essa questão precisa ser levada mais a sério pela Prefeitura”, declarou.

A caligrafa Sinara Fonseca conta que os animais já fazem parte da paisagem. Mas está preocupada com o número excessivo dos roedores. “Em apenas uma noite contei mais de 15 capivaras pastando tranquilamente aqui no lago”.

Perigo

Por se tratar de um dos principais hospedeiros para “Amblyomma cajennense”, conhecido popularmente conhecido como carrapato estrela, agente transmissor da febre maculosa, a multiplicação das capivaras acendeu alerta ao Centro de Controle de Zoonoses.

De acordo com a instituição, foram contabilizadas, ao todo, 26 espécimes na cidade e segundo o Coordenador da Vigilância Ambiental, Eudes José, diversas ações têm sido realizadas às margens do lago, a fim de combater o carrapato. “Nós fizemos um trabalho recente, aplicando remédios e limpando o local, antes do aniversário da cidade. Além disso, estamos com um cronograma para repetir as ações de dois em dois meses” explica.

Eudes disse ainda que embora os animais estejam se multiplicando com o passar do tempo e isso acabe provocando possíveis riscos da proliferação do carrapato estrela, não é possível fazer a retirada dos mamíferos. “Nós que somos os invasores. Não podemos tirar as capivaras de lá porque é o habitat natural delas. A solução é estarmos sempre monitorando, como já estamos fazendo, e realizando as ações de limpeza”, afirmou.

A falta de manejo dos animais, políticas de esterilização das capivaras foi criticada por um morador do entorno do lago, que pediu para não ser identificado. “Minha casa dá de fundos para o lago. Eu já me deparei com uma capivara dentro da minha cozinha. Creio que a prefeitura poderia fazer igual foi feito em BH, remanejando os animais, fazendo exames para ver se eles estão infectados, colocar os bichos em quarentena e depois soltar em regiões menos povoadas. Do jeito que está, estão esperando alguém ser infectado e morrer para tomar alguma providência”.

Ainda de acordo com a Vigilância ambiental com a chegada das chuvas, a situação deve se estabilizar. Isso porque, segundo o coordenador do órgão, os carrapatos não sobrevivem a essa época do ano. “Os insetos caem na água e são devorados pelos predadores, peixes e passarinhos. Eles não conseguem resistir as chuvas” finalizou.

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