SAAE começa a cobrar dívida de R$ 350 mil da comunidade do Mamonal em dezembro

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Segundo autarquia, “estudo interno para individualizar o consumo e cobrar o valor justo de cada morador”, deve ficar pronto no final deste mês

O SAAE informou, essa semana, em entrevista exclusiva ao Jornal S’PASSO, que deverá começar a cobrar a antiga dívida da comunidade do Recanto dos Colibris – Mamonal – já no mês de dezembro. O valor devido à autarquia ultrapassa R$360 mil e é referente ao consumo irregular de água no bairro.

O diretor geral do SAAE, Arley Cristiano Silva, explicou que o estudo para levantar a dívida devida de cada morador, ainda está sendo finalizado e a demora é porque a análise demanda cautela, tendo em vista as complexidades socioeconômicas da população. Além disso, as medidas foram pensadas para trazer o mínimo de impacto, tanto para os moradores, quanto para a autarquia. 

“Hoje, temos 116 moradores cadastrados no Mamonal, mas nem todos consomem água da mesma forma. Alguns locais são lotes vagos e outros, são utilizados para a criação de animais. Há famílias grandes e outras com poucas pessoas. Isto, determina que o consumo não é igual em todas as residências. Por isto, não é justo dividir o valor integral da dívida, de forma igualitária para todos os proprietários dos imóveis. O estudo deve ficar pronto ainda neste mês de novembro e, caso isto aconteça, nas contas do mês de dezembro, os moradores já receberão o valor referente ao parcelamento do débito”, afirmou.

Incompetência

A dívida dos moradores do Mamonal se arrasta desde 2016, quando o ex-prefeito Osmando Pereira (PSDB), durante sua gestão, decretou a implementação de um hidrômetro central na comunidade como forma paliativa para levar água à região. Contudo, o equipamento não obedecia aos parâmetros técnicos estabelecidos pelos órgãos reguladores e foi cadastrado em nome da Associação do Mamonal, que não possuía personalidade jurídica. A solução temporária se tornou permanente e o consumo de água da população não foi registrado individualmente, ocasionando a dívida de mais de R$360 mil.

Endividados e com uma conta impagável, a situação da comunidade só não pirou porque foi aprovado um projeto de lei que possibilitou que o débito fosse parcelado em até 72 vezes.

O Jornal S’PASSO procurou o ex-prefeito Osmando Pereira para um esclarecimento acerca da situação no Mamonal e sobre a instalação irregular do equipamento. Contudo, Osmando se esquivou dos questionamentos, afirmando desconhecer as obras à época. Além disso, apontou como responsável o ex-diretor do SAAE, Marcos Vinícius Ferreira.

Procurado, o ex-diretor da autarquia declarou falta de verbas e o fim do mandato como motivos para que a situação não fosse resolvida. “No momento era a única solução encontrada. O pessoal do Mamonal estava sem água e como era final de mandato, não tínhamos condições de comprar o material para realizar a ligação de casa em casa. Sendo assim, a saída foi fazer a ligação no hidrômetro do condomínio e o condomínio iria estipular o consumo de cada um, cobrando dos moradores e pagando o SAAE”, explicou.

O ex-diretor da autarquia disse ainda que não tinha conhecimento das reais condições do Mamonal, além dos equipamentos utilizados. “Na época não sabíamos que a Associação não tinha CNPJ, e não tínhamos essa informação do hidrômetro. Isso é com o pessoal do setor de Contas e Consumo. Eu estou sabendo disso agora”, declarou. 

Com o jogo do empurra, empurra institucionalizado quando o assunto é a é situação do Mamonal, quem paga a conta, agora, é a população.

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