Regulamentação de mototaxistas gera preocupação na classe

0
593

“Nós não vamos aceitar isso, iremos fechar a porta da Prefeitura, senão eles vão acabar fechando muitas portas de estabelecimentos assim”, diz profissional

A Prefeitura publicou essa semana, a abertura do processo de licitação, credenciamento e regulamentação dos mototaxistas da cidade. A ação, é baseada na lei nº 4.841, apresentada na Câmara Municipal, em 2014, pelo ex-prefeito Osmando Pereira.

Ao todo, serão destinadas 71 vagas no município. As inscrições para habilitação de credenciamento deverão ser realizadas até o dia 04 de dezembro, às 08h15, no Setor de Protocolo da Prefeitura. A regulamentação deverá ser paga anualmente no valor de R$352,80, sendo válida apenas por um ano. Os candidatos que tiverem interesse devem levar toda a documentação exigida a prefeitura. O edital 013/2019 com toda a documentação pode ser encontrado no site oficial da Prefeitura.    

Os profissionais que continuarem realizando o transporte sem o credenciamento poderão sofrer medidas administrativas junto ao órgão de trânsito municipal. O infrator poderá sofrer advertência, multa, suspensão temporária da exploração do serviço e cassação da permissão do serviço.

O que muda com a regulamentação?

De acordo com o projeto, a regulamentação vem para trazer benefícios ao município, além de realizar a arrecadação anual, por meio do credenciamento. Contudo, o estatuto estipula diversos critérios para a prática na cidade. Para se ter uma ideia, motociclistas interessados a vaga deverão inserir em suas motos o motocímetro, aparelho que é utilizado para realizar o cálculo da distância percorrida. Além disso, todos os veículos deverão ser originais de fábrica, com no máximo seis anos de fabricação e possuir seguro para os passageiros e terceiros, entre outras diversas obrigatoriedades.   

O texto base do projeto previa a aplicação de 01 vaga para cada 1.300 habitantes. Entretanto, através de uma emenda modificativa apresentada pela vereadora Márcia Cristina – PP – e aprovada pelo legislativo essa semana, passa a valer duas vagas pelo mesmo montante da população, resultando nas 71 vagas oferecidas. Critérios esses que são baseados no senso do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).

Corridas mais baratas

Além das especificações exigidas, o projeto poderá fazer com que as corridas fiquem mais baratas. Isso porque, na bandeira 1, ou seja, em dias e horários comerciais, a corrida custará apenas R$1,00 a cada km rodado. Já na bandeira 2 (sábados, feriados e horários noturnos), o valor será de R$1,20. Caso o mototaxista ligue o motocímetro para ir até o cliente, prática essa chamada de bandeirada, o valor será de R$2,00.

Indignação 

Em entrevista ao Jornal S’PASSO, o proprietário de uma rede de mototaxistas, que não quis se identificar, afirmou que a medida só irá trazer prejuízos para a classe. Além disso aproveitou para disparar críticas ao projeto. “Não sou contra a regularização, mas queremos que a Prefeitura venha a dar condições para todo mundo. São 71 vagas, mas hoje temos mais de 300 motoqueiros trabalhando. Onde esses 229 motoqueiros irão trabalhar. O que essas pessoas vão fazer da vida”, indagou.

Revoltado, o proprietário ainda comentou que um grupo atuante na cidade tem se organizado para ir contra a implementação da regulação. “Esses vereadores não sabem de nada. Por exemplo, é a mesma coisa que tirar eu que trabalho com moto a vida toda, e colocar para trabalhar em uma padaria. Eles (vereadores), não entendem nada de moto para querer fazer isso. Nós não vamos aceitar isso, iremos fechar a porta da Prefeitura, senão eles vão acabar fechando muita porta de estabelecimentos assim”, exclamou.

A reportagem também esteve em outro ponto de mototáxi para escutar os profissionais, que classificaram como um “absurdo” a regulamentação. Com medo de represálias, pediram para não terem suas identidades reveladas. “Todo mundo que eu conheço é contra. Ninguém vai se submeter a pagar o que tão pedindo ou colocar motocímetro nas motos. O camarada tem que vender a moto para comprar um aparelho desses, que hoje custa mais de R$5 mil”, destacou.

O valor das corridas também foi algo que desagradou. “É R$1 por km rodado, se você rodar 2km você faz R$2. Mas, se você furar o pneu da moto é R$15. A gasolina está R$4,74, então você precisa rodar 5Km só para pagar o valor da gasolina. Como um pai de família vai se manter assim”, questionou.

Pesarosos, os motoqueiros ainda desabafaram. “Todo mundo que trabalha com telemoto é pai família. Se um pai de família se dispõe a entrar em um telemoto e trabalhar até 23h da noite é porque ele precisa”, finalizou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui