77% dos venezuelanos que chegaram em Itaúna já estão empregados

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Mais três estrangeiros vieram há um mês

Em julho, a chegada de um grupo de 23 venezuelanos na Comunidade Bom Pastor dividiu opiniões na cidade: pessoas a favor, defendiam o começo de uma nova vida para os estrangeiros; outros eram contra e justificavam a opinião, afirmando que eles tirariam a oportunidade de emprego de quem é da cidade e está desempregado. Independente das opiniões, os venezuelanos se estabeleceram e há um mês, mais três chegaram em Itaúna.

Hoje, 20 venezuelanos já estão empregados, como é o caso de Jesus Celestino Hernandes. Ele conquistou uma vaga no mercado de trabalho e o melhor, conseguiu manter a profissão de serralheiro que tinha na Venezuela. Agora, espera se estabelecer na empresa para trazer a família para Itaúna. “Minha esposa, filhos e oito netos ficaram lá. Eu mando dinheiro para eles comerem, pois a situação no país permanece precária. Quero ir para lá, conversar e então trazê-los para começarmos uma nova vida aqui”, relatou.

Há dois anos Jesus saiu da Venezuela, cruzou a fronteira em busca de oportunidades para ajudar sua família, dormiu no chão em Roraima e finalmente chegou em Itaúna. “Minha família é grande e quero todos ao meu lado. Na Venezuela, a situação é crítica e comíamos diretamente do lixo, porque não tínhamos dinheiro. Os brasileiros são nossos “hermanos”, nos acolheram muito bem e as pessoas da cidade são muito humildes”, destacou.

A vida segue para eles e as oportunidades já são realidade. Uma das famílias conseguiu alugar uma casa nas proximidades da Comunidade Bom Pastor e mais três venezuelanos vieram há um mês, entre eles, está Ivan Figueroa e a esposa Poliana. O jovem era jogador profissional de baseball e, em Itaúna conseguiu um emprego em uma curtidora. “Em nosso país, a situação é precária, tínhamos trabalho, mas no final do mês não conseguíamos comprar comida; as crianças não tinham leite, o dinheiro não valia nada e passávamos muita necessidade. Minha família teve que se dividir: meu pai está na Colômbia, minha mãe no Peru, meu irmão no Chile e nós aqui. Consegui uma vaga em um time de baseball em Belo Horizonte e pretendo no próximo ano montar uma escolinha aqui na cidade”, revelou.

Ivan ficou surpreso com o número de doações que a comunidade recebeu e principalmente com a recepção dos itaunenses. “A população é muito receptiva e caridosa. Quando andava pela rua, as pessoas me paravam e falavam algo motivador. No trabalho, brincamos que enquanto eles me ensinam português, eu ensino eles o espanhol. O idioma diferente é nossa única dificuldade, mas vamos nos adaptando para falar melhor o português”.

Ivan diz que as crianças venezuelanas já estão na escola, algumas em tempo integral e que a adaptação foi rápida. “Estamos aproveitando essa oportunidade, mas no futuro queremos estar com nossa família e voltar quando o país se reestabelecer”.

As diferenças

Nos últimos tempos, a Venezuela vive a pior crise econômica da história do País. A situação econômica frágil foi intensificada pela queda dos preços do petróleo no começo de 2015. Durante o ano de 2016, por exemplo, a inflação foi de 800% e a economia contraiu-se em 18,6%. Uma pesquisa indicou que cerca de 75% da população tinha perdido uma média de pelo menos 11 kg devido à falta de alimentação adequada e a taxa de homicídios em 2015 foi de 90 por 100.000 habitantes, segundo o Observatório Venezuelano de Violência. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a inflação em 2018 foi de um milhão por cento ao ano;

O jovem Ivan lembra com tristeza os impactos que toda a crise trouxe para a vida de sua família e ressalta que na Venezuela ele e milhões de pessoas não tinham perspectivas, mesmo que se esforçassem. “Aqui é muito diferente; vocês pagam imposto na água, luz, mas vocês têm estes serviços. Nós não pagávamos e não tínhamos. As pessoas aqui no Brasil estudam, se esforçam, têm objetivos. Na Venezuela, a pessoa que não faz nada, tem a mesma vida de quem faz. A diferença é que a pessoa que se esforça tem um pouco mais de condições de comer”.

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