Centro da Juventude Itaúna denuncia que Itaúna vive racismo velado

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No último dia 20 foi celebrado o Dia da Consciência Negra, uma data que destaca o alto índice de racismo e discriminação que ocorre em todos os setores da sociedade brasileira, inclusive nas escolas e ambientes de trabalho. Apesar de não haver nenhum caso de racismo registrado na Polícia Civil, a realidade é outra, segundo informações do Centro da Juventude que recebe diversos relatos de jovens discriminados na cidade.

O delegado Jorge de Melo confirmou que não há notificação de racismo na cidade e destacou que a recomendação da polícia é que qualquer ocorrência seja denunciada. “Acredito que as pessoas tenham tomado consciência das consequências que esse ato pode trazer, mas se alguma pessoa for vítima de racismo pode me procurar diretamente, que irei tomar as devidas providências”, afirmou.

Racismo velado

Apesar de não haver registrado na Polícia ocorrências envolvendo o crime de racismo, no Centro da Juventude, diversos jovens contam o que sofrem no dia a dia. A coordenadora do CJ, Edênia Alcântara, afirma que sempre recebe jovens que já sofreram algum tipo de racismo, injúria racial ou preconceito. “O mais triste é que muitos atos são ações veladas, que não podem ser denunciadas ou encaminhadas para a justiça. Meu conselho é que as vítimas continuem de cabeça erguida e que lutem por seus direitos”.

Edênia Alcantara-Coordenadora CJ

Edênia explica que apesar de todos os avanços, os direitos das pessoas negras na política, educação, cultura, entre outros segmentos sociais ainda são limitados. “Sempre falo que para constatar que o Brasil ainda é um país racista, basta fazer o ‘teste do pescoço’, ou seja, olhar para o lado para ver quantas pessoas negras estão na faculdade, em um curso de medicina, ou quantas pessoas negras trabalham em joalherias ou são professores universitários”.

Relembrando fatos recentes como o do segurança que foi vítima de injúria racial no Mineirão durante o clássico entre Cruzeiro e Atlético e uma convocação de emprego que excluía pessoas negras ou gordas como candidatas, Edênia salienta que há muitos casos que não chegam à mídia, por diversos fatores, principalmente por medo, falta de informação ou provas.  

O JORNAL S’PASSO conversou com Myrla da Silva, de 18 anos, que contou a situação de racismo que viveu. Ela diz que sofreu discriminação quando voltava da escola e passava pela avenida Jove Soares, em frente a um depósito de bebidas. “Três meninos de uma instituição escolar estavam conversando e quando passei por eles, o mais velho me chamou de macaca e o que estava ao seu lado começou a imitar o animal, enquanto o terceiro apenas analisava a minha expressão”, relatou com tristeza.

Myrla da Silva

A menina ficou completamente chocada, mas sua reação foi diferente do que ela esperava. “Eu sempre dizia que xingaria, denunciaria e até poderia agredir a pessoa, mas no momento que aconteceu, não sabia o que fazer; queria chorar, gritar, fiquei completamente sem reação e quem já sofreu racismo sabe do que eu estou falando. Continuei andando, até chegar em casa, para desabar, e aí sim, chorar”, revelou.

A jovem relatou ao CJ o ocorrido e a orientação foi de que fizesse a denúncia. “Minha mãe tinha uma amiga que conseguiu até a filmagem e com isso a identificação dos meninos, mas eles eram de escola particular e provavelmente a denúncia não iria para frente. Mas eu nunca vou esquecer essa cena, que infelizmente, não será a última”, finalizou.

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