Itaúna tem 383 casos confirmados de Leishmaniose Canina

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Zoonoses afirma que sacrifícios de animais são fiscalizados pela Aida, mas ONG nega

Durante muito tempo, o departamento de Zoonoses e a Associação Itaunense de Defesa ao Animal – AIDA – viveram conflitos, decorrentes principalmente, do método utilizado para a eutanásia dos animais diagnosticados com doenças graves, particularmente a Leishmaniose. Até pouco tempo, os animais eram sacrificados na câmara de gás.

Depois de adotar o sistema instituído pelo Código Federal de Bem-Estar Animal, o canil municipal, localizado no Distrito Industrial, só acolhe animais que estejam doentes ou apresentando sinais da doença, ou seja, só recebe cachorros com suspeita de leishmaniose, após teste rápido da Zoonoses. 

Os cães sob suspeita realizam exame de sangue através da Fundação Ezequiel Dias, FUNED, e confirmada a doença, com autorização de um veterinário, é feita a eutanásia, com uma injeção letal. Todo o procedimento é fiscalizado pelo Ministério Público e a AIDA, de acordo com o departamento de Zoonoses. Entretanto, a presidente da ONG, Michele Nogueira, nega que a Associação faça o acompanhamento dos procedimentos de eutanásia e garante que membros da AIDA não vão ao canil há dois anos.

Segundo Michele, a única relação da ONG com a Secretaria de Saúde é quando os voluntários encontram animais que apresentam sintomas da leishmaniose. “Quando nos deparamos com esta situação, ligamos para o setor de zoonoses para que eles realizem o exame rápido e, em caso positivo, não realizamos o resgate”, explica.

Somente este ano, 1.593 testes rápidos para leishmaniose canina foram realizados em Itaúna e, desse total, foram encaminhados 496 casos suspeitos para a FUNED, sendo confirmados 383 casos, segundo a Secretaria de Saúde. A chegada do verão e das altas temperaturas são também preocupações para o aumento do número de casos.

Transmissão

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil possui 90% dos casos de leishmaniose visceral da América Latina e Minas Gerais responde por 77% das ocorrências da região sudeste. 

A transmissão da leishmaniose visceral é realizada através da picada do mosquito-palha infectado pelo protozoário Leishmania chagasi. O cachorro é o principal hospedeiro da doença, mas não transmite para os humanos. O fato de os cachorros não serem transmissores é o principal motivo de discordância da Aida quanto à eutanásia realizada pelo departamento de zoonoses. “Ao invés de combater o mosquito, eles matam os cães que são vítimas como nós, seres humanos. A melhor medida é fiscalizar lugares que proliferam o mosquito. Não adianta ficar matando os cães, se não são eles os transmissores da doença”, justifica Michele.

Com opinião contrária, alguns veterinários destacam que o animal pode servir de reservatório da doença, ao passo que, o mosquito pode picá-lo e, em seguida, contaminar as pessoas com quem ele convive, completando assim o ciclo de transmissão e infecção nos humanos.

Como prevenir

O ideal é que o cão seja protegido com a coleira antiparasitária e esteja com a vacinação em dia. Além disso, é importante manter a limpeza do ambiente e do abrigo do animal para manter o mosquito afastado.

O mosquito transmissor da doença tem preferência por locais ricos em matéria orgânica, plantas e árvores. Para quem mora em ambientes mais arborizados, é recomendado o uso de telas finas ao redor do abrigo do cão.

Sintomas

A enfermidade pode causar problemas dermatológicos no cachorro, como pelagem falha e opaca e perda de pelos no focinho, orelhas e região dos olhos, além de diminuição de peso repentina, mesmo sem a alteração de apetite, anemia, apatia, vômitos e diarreia.

É essencial que um veterinário seja procurado para o diagnóstico. A doença pode ser tratada com a administração de medicações que reduzem as chances de transmissão do parasita a outros animais e humanos.

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