História, cultura e gastronomia de Itaúna

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Cada edição o Jornal S’Passo levará você para conhecer melhor nossa cidade

Desde que Itaúna entrou oficialmente no Mapa Nacional do Turismo, em setembro, a cidade está apta a ganhar recursos para fomentar a ação no município e, a fim de incentivar e mostrar as riquezas e belezas da cidade, o JORNAL S´PASSO trará reportagens sobre lugares, patrimônios materiais e imateriais do Município.

Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA
  Historiador/ Escritor/ Membro Fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/
Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências”, “Olhares Múltiplos” e
 “O que a vida quer da gente é coragem”/
Cidadão Honorário de Itaúna

As reportagens vão retratar, por exemplo, a história de nossos monumentos, dentre eles as igrejas, museu, bibliotecas, escolas e também a famosa Gruta de Itaúna, que traz consigo uma história de fé e devoção. Outros temas de reportagens da nossa equipe são as amostras culturais, festivais gastronômicos e festas tradicionais, dentre elas, o carnaval e o Reinado.

As matérias também trazem questionamentos sobre a estrutura da cidade para receber turistas, além de um diagnóstico de como estão os patrimônios históricos. O conteúdo terá orientação e supervisão do professor e Historiador, Luiz Mascarenhas.

Capela do Bonfim: o lugar mais alto para alcançar a fé

Por Luiz Mascarenhas

A Capela do Bonfim foi erguida no ano de 1853, por um abastado fazendeiro, Tenente José Ribeiro de Azambuja. Seu estilo corresponde a um colonial muito simples, um “barroco” jesuítico tardio, com exterior e interior muito despojados. Foi construída no cume do então Morro de Santa Cruz, tudo levando a crer que nele já existia um cruzeiro, como era costume nas Minas Gerais se plantarem cruzeiros nos altos dos montes, perto das povoações: isso se explica como um sinal de permanência do homem na terra e sua necessidade das bênçãos do Céu. Era um sinal do “divino” entre os homens a recordá-los sempre das promessas e proteção do Eterno.       Localizada a aproximadamente 25 km do centro da cidade de Itaúna, a Capela do Senhor do Bonfim sempre foi um local de peregrinação religiosa- muito concorrida era a festa de “Santa Cruz”, que antigamente se comemorava no dia 03 de maio; atualmente em 14 de setembro (Festa da Exaltação da Santa Cruz). Está situada no ponto mais alto da região de Itaúna, a 1000m de altitude.

Foto: Site Itaúna Décadas

                No séc. XIX, ao passar estas terras, os frades franciscanos capuchinhos, vindos da Itália, ditos “barbôneos” – chefiados pelo pregador apostólico Frei Eugênio Maria de Gênova- com a missão da Sagrada Propaganda “Fide” de Roma, recomendaram que se construísse no interior do cemitério (hoje EE “José Gonçalves de Melo”) a Capela de São Miguel e Almas e no alto do Morro de Santa Cruz, a Capela do Senhor do Bonfim; daí sua origem.

                Precisamos sempre elucidar o valor intrínseco do nosso Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural. A pequena Capela do Bonfim é destituída de traços arquitetônicos que chamem a atenção e não contém obras sacras de valor significativo. Porém, é na sua simplicidade que reside sua beleza, que para muitos olhares, transmite aquela sensação de paz e harmonia.

                Patrimônio tem a ver com nossas raízes, nossa História, nossa identidade cultural. Aquilo que nos identifica; singulariza enquanto povo das barrancas do Rio São João. Todas as cidades são dotadas de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural. Algumas pessoas, quando nos referimos a esses valores, pensam que Patrimônio se restringe apenas às cidades ditas históricas do Ciclo do Ouro, como logo vem à mente, Ouro Preto, Mariana, Sabará, São João del Rei e tantas outras. Mas, nós – itaunenses –  também temos a nossa História particular e Itaúna também possuí ainda, algumas pouquíssimas edificações e sinais do nosso passado histórico. Dentre esses; o nosso marco exponencial que é a Capela do Rosário – construída praticamente cem anos ante da do Bonfim (1765).

A Capela do Bonfim pertence à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima do bairro Pe. Eustáquio e está dentro dos bens tombados da nossa Diocese de Divinópolis. Diferente da Igreja do Rosário, a Capela do Bonfim carece de maior documentação. Isto se explica porque a primeira foi erigida como a Igreja Matriz e assim possuía grande destaque e funções litúrgicas muito próprias e específicas, por exemplo, os batizados que eram realizados em sua pia batismal- este objeto litúrgico é próprio apenas das matrizes, não existindo nas capelas sufragâneas; enquanto a Capela do Bonfim era quase uma ermida de fazenda, edificada em propriedade particular.

                A Capela do Bonfim passou por um terrível sinistro no dia 16 de outubro de 2014 que a reduziu a cinzas, restando de pé somente algumas paredes. Portanto, lamentavelmente a Capela original do séc. XIX já não mais existe, sendo a atual uma reconstrução. As chamas de um incêndio criminoso consumiram parte de nossa História e hoje a Capela ainda segue incompleta na sua reestruturação, uma vez que o altar-mor (peça sacra que a caracterizava internamente, aonde se celebravam as missas) não foi reconstruído.

                A Capela do Bonfim – em sua singeleza- leva-nos a um misto de serenidade e paz e do alto do monte, podemos contemplar a cidade de Itaúna e o horizonte de montanhas a seu redor, introduzindo-nos na mineiridade da alma.

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