Sonho de Natal: idosos do CRASI fazem pedidos especiais

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Envelhecer traz uma série de limitações, principalmente para o corpo físico. E quando estas limitações chegam com a falta de afeto, carinho e solidão? Nesta época, em que o espírito de Natal reúne famílias em momentos de congraçamento, os idosos dos asilos sentem ainda mais a velhice. Muitos, não recebem visitas, nem durante as festas de final de ano e aguardam, ansiosos, por pessoas que nem conhecem, mas que voluntariamente dedicam o tempo para amenizar as dores dos outros. O JORNAL S’PASSO esteve na sede do CRASI para conversar e perguntar aos idosos o que eles gostariam de ganhar neste Natal.

Com ou sem família, a terceira idade requer atenção e tempo para conversar, contar e recontar histórias, abraçar e beijar. Segundo a voluntária, Marta Lança, a entidade abriga 52 idosos, 33 mulheres e 19 homens e, desses, muitos não têm mais família e raramente recebem visitas. “A saudade dos familiares é o principal motivo da carência”, explica.

Por isso, a importância daqueles que doam tempo para os idosos e, em troca, recebem um olhar inesquecível de gratidão. A reportagem do JORNAL S’PASSO perguntou a 10 idosos: “O que você quer ganhar de Natal?”

Com 103 anos, a itaunense mais velha do CRASI, Maria Silva, conhecida como Neguinha, não quer nada. “Apenas paz e amor para todo mundo e Jesus em primeiro lugar”, declarou.

Jovelina Silveira de Jesus, de 87 anos, começou tímida, afirmando que poderia ser qualquer coisa, mas depois realizou o seu pedido. “Uma calça, mas que seja cumprida”,.

Nagib Leonel de Oliveira, de 76 anos, pede um pouco de roupa. “É o que mais precisamos, além de um pouco de dinheiro né?”

Leozina Cândida de Andrade, que gosta de ser chamada de Bárbara, aos 84 anos, mostra que não deixou a vaidade de lado. Com pulseiras e uma bolsa na mão, diz querer um vestido longo. “Para que eu fique mais bonita, mas também estou precisando de um vidro de perfume para ficar bem cheirosa e conhecer um moço”, conta a idosa que adora forró.

Omar Ferreira da Silva, de 67 anos, se alimenta por sonda e por isso o CRASI sempre realiza campanhas para angariar fundos e comprar um leite especial, que faz parte de sua dieta rigorosa. Ele precisa de 36 litros deste leite especial por mês, e sua aposentadoria é de apenas R$ 880. De presente de Natal, o pedido é singelo: leite e “um rádio a pilha pequeno para eu escutar as notícias”, disse.

A alegre Maria das Dores de Oliveira França, popularmente conhecida como Dodora, de 74 anos, ajuda no que pode no local para manter-se viva e pede um terço de Natal. “Porque eu não sei ler, então eu rezo pelo terço, mas eu canto e danço, como ninguém”, garante.

Raimunda Rodrigues, a Mundinha, de 96 anos, fica tímida e desconfiada, mas logo diz “quero um vestido”, enquanto arruma o que usa, limpando e ajeitando o modelo no corpo.

Antônio Carlos Soares acaba de completar 91 anos e afirma precisar de tudo, principalmente “um abraço, queria ganhar de Natal”. Além do carinho, o Sr. Antônio pede uma boina e um óculos de sol, para esbanjar sua personalidade no CRASI.

Geraldo Francisco de Lima, de 80 anos, relata estar no lar há 20 anos e considera o local sua casa. De presente de Natal, põe a mão no pulso vazio. “Quero um relógio de pulso, com a pulseira de ferro, que é a que eu mais gosto”.

Valdine Ferreira da Cruz, de 68 anos, traz as marcas que a vida lhe proporcionou. Veio da cidade de Januária, caminhando até ser encontrado pela Polícia e levado até o CRASI, hoje, seu lar. Tímido, concordando com tudo, afirma querer uma roupa e um chinelo.

“Ação entre amigos”

Para angariar fundos e manter a instituição, o CRASI realiza um sorteio solidário. O bilhete custa apenas R$ 10 e quem participar, estará concorrendo a uma moto zero KM. Para mais informações e para adquirir o bilhete, ligue (37) 3241-9664 ou (37) 99958-2913.  O sorteio será realizando no dia primeiro de janeiro, pelos quatro últimos números da Loteria Federal.

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