Geriatra, pediatra e infectologista explicam cuidados para se proteger do coronavírus

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Nada parece estar certo e o tempo de tudo que fazemos parece ter mudado, estar em slow motion como resultado de algo invisível que sequer sentimos, até que sintamos os efeitos que é capaz de causar no nosso corpo. Neste admirável mundo novo, as ruas estão em clima de feriado e muitas pessoas não estão sabendo administrar, pasmem, o excesso de tempo que passaram a ter. Se o dia parece ser pequeno com 24 horas, desde o início desta semana, parece que tem uma infinidade de segundos. Sem escolas, sem trabalho, sem lazer nos clubes, sem compras, sem lojas ou shoppings. Como se adaptar a um período que se anuncia como curto, mas que na verdade ninguém sabe quando tempo vai durar? A resposta é: com medo.

O Brasil vive uma pandemia provocada pela Covid-19 e o Coronavírus já foi notificado em Itaúna. Diante do avanço no número de casos e, principalmente, do número de mortes em todo o mundo, os idosos estão no centro do grupo de maior risco e a infecção que se apresenta de modo parecido a uma gripe comum, é disseminada com uma rapidez absurda, especialmente entre aqueles com mais de 60 anos. O alerta e as medidas pouco ortodoxas de confinamento são para tentar minimizar as transmissões comunitárias, ou seja, aquelas que veem de fora do país.

O geriatra Geraldo Agustavo, em entrevista ao Jornal S’PASSO, afirma que o cuidado com os idosos deve ser redobrado e a maior proteção neste momento é o isolamento em casa. “É uma parcela da população que temos que ter um cuidado maior, principalmente os idosos frágeis e não há outra maneira de proteger esses idosos, a não ser com o isolamento. É importante eles entenderem que devem sair somente em casos de extrema necessidade, tomar muito cuidado com as visitas, principalmente de crianças, adolescentes e adultos que podem se tornar transmissores do Corona”, afirma o especialista.

Segundo o médico, o período de incubação dos vírus, tempo entre o dia de contato com uma pessoa doente e o início dos sintomas, é de cerca de cinco dias, apesar de, em casos mais raros, chegar a 14. “É nessa fase que o vírus tende a ser transmitido de forma silenciosa. Entre 80 a 85% dos casos, o vírus acontece de forma leve, sem necessidade de hospitalização, no entanto, 15% precisam ser internados, a maioria idosos”, explica. Por isso, a recomendação do médico é barrar as visitas. “Evitar ir em hospitais, asilos, residências de idosos é muito importante, pois é a forma de ajudá-los. Temos que ter muito cuidado com essas pessoas, com atenção redobrada de seus cuidadores”, diz Dr. Geraldo.

O geriatra destaca que, caso um idoso tenha sintomas suspeitos da Covid-19, como febre, tosse, falta de ar e cansaço excessivo, o conselho é que não vá para o pronto-socorro. “O ideal é que o atendimento seja feito em domicílio ou no posto de saúde do bairro, em que será feita uma primeira avaliação, com recomendação ou não para o hospital. Não podemos superlotar o pronto-socorro, é um risco muito alto, a pessoa pode estar apenas com uma gripe e contrair algo mais grave no local”, explica o médico.

Crianças

Ao contrário do que muitos pensam, as crianças não são imunes ao Coronavírus. Em exclusiva ao S’PASSO, o professor de Medicina na UIT e pediatra há 25 anos, Dr. Roberto Chaves, afirma que crianças e adolescentes também estão suscetíveis ao vírus, contudo de uma forma mais branda. “O que ocorre é que nessa faixa etária, a manifestação acontece de uma forma menos grave, mais leve ou moderada. Existem sim, relatos de casos graves, em três crianças chinesas que apresentavam doenças pré-existentes. Em adolescentes saudáveis, também é mais rara a ocorrência da forma grave, por isso há essa sensação de imunidade”, explica.

O pediatra inclusive alerta que as crianças podem transmitir o vírus aos mais velhos, principalmente quando apresentam sintomas respiratórios e destaca que outra medida de prevenção, além do isolamento, é o cuidado com a secreções, saliva e coriza, fontes de transmissão. “Os pais devem redobrar o cuidado de higienização dos móveis e locais onde as crianças tem mais contato. E o diálogo é, sem dúvidas, a arma mais poderosa, em que os responsáveis podem orientar os filhos ou utilizar de formas lúdicas para explicar o atual momento e a importância da higienização constante, para que a criança se sinta participativa”.

Poucos recursos

“Precisamos encarar essa crise com mais seriedade, até porque temos muito menos recursos no sistema de saúde público, frente às demandas que vão se apresentar”, disse em coletiva de impressa o prefeito Neider Moreira. A preocupação do chefe do Executivo, que é médico, é que o sistema de saúde municipal não comporte a demanda, em caso de transmissão comunitária e, por isto, na quinta-feira, ele assinou uma portaria com medidas restritivas ao funcionamento do comércio e muitos serviços, para evitar a proliferação do vírus.

“O isolamento é fundamental para o enfrentamento da pandemia e é importante que as pessoas deixem de frequentar lugares com aglomerações. Nunca houve algo tão sério como estamos vivendo neste momento, me lembro da epidemia de meningite, na década de 70, e não chega nem perto do que estamos passando. Então peço, novamente ao itaunenses, o isolamento social, pelo menos pelas próximas semanas, para evitar um pico da doença na nossa cidade”, finaliza.

As medidas mais eficientes para prevenir a infecção pelo Coronavírus passam pela etiqueta respiratória, ou seja:

• Higienizar com frequência as mãos usando água e sabão ou álcool em gel (70%)

• Evitar tocar os olhos, o nariz e a boca

• Evitar apertos de mão, abraços e beijos quando cumprimentar as pessoas.

• Se espirrar ou tossir, cobrir o nariz e a boca com o cotovelo flexionado ou lenço descartável, que deve ser jogado fora em seguida.

Esse é um momento de esforços individuais e coletivos para conter a epidemia de Coronavírus. Todo mundo tem de fazer sua parte e lembrar que há pessoas que, infelizmente, correm maior risco com esse novo perigo.

“Medidas restritivas não são exagero, pois Saúde pode entrar em colapso”, diz infectologista

A determinação de fechar o comércio e paralisar serviços parecem exageros, contudo, o infectologista André Fernando Diniz e Silva, assegura que são medidas necessárias para controlar o avanço do Covid-19. Para o especialista, os números são subestimados, já que não é possível mensurar quantas pessoas carregam o vírus e, por isso, é preciso o isolamento, para que o sistema de saúde não entre em colapso diante do número de casos.

“A questão é controlar a disseminação desse vírus que é muito rápida, ou seja, uma pessoa pode infectar dezenas e mesmo as complicações sendo pequenas, podemos infectar pessoas que podem evoluir para um quadro mais grave. É primordial não ter contato com pessoas que estão com sintomas respiratórios, para evitar contato com o vírus e parar esse ciclo de disseminação. A população de risco não deve, de jeito nenhum, sair de casa”, alerta Dr. André.

O infectologista relembra que o Coronavírus rapidamente se espalhou pela China e depois atingiu a Europa, em especial a Itália, de forma muito agressiva, e sua disseminação segue rápida no Brasil. Em uma semana, a doença teve alta de 1.800% em Minas Gerais, chegando a 38 casos confirmados, até o fechamento desta edição. “Itaúna vive uma realidade de alerta importante em relação ao Corona e as recomendação são para conter a velocidade de replicação do vírus. A cidade, até o momento, tem doze casos em investigação, mas há muitos outros casos. O vírus já está aí e não conseguimos mensurar sua dimensão”, afirma. “As medidas que foram adotadas são para que o vírus seja eliminado de forma gradual, porque com esse alto nível de disseminação, não vamos ter leitos suficientes. É prudente lembrar que, além da pandemia, as pessoas continuam enfartando, tendo AVC, fraturas graves e tudo mais, então, o número significativo de casos pode sobrecarregar nosso sistema”.

Cura

Nessa quinta-feira, 19, os Estados Unidos anunciaram a aprovação do uso de um medicamento antimalárico no tratamento contra a Convid-19. O presidente Donald Trump disse que o cloroquina, ou hidroxicloroquina, “mostrou resultados preliminares muito encorajadores” e, que a disponibilização do medicamento poderia ser realizada “quase imediatamente”. Contudo, Dr. André é enfático: “a medicação ainda não trouxe resultados de comprovação. É um estudo promissor e, em um momento como esse, buscamos a solução mais rápida, mas ainda assim, é preciso fazer mais testes. No momento, o melhor remédio é ficar em casa”, finaliza o médico.

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