“A Polícia Civil não dorme e não vamos calar diante da criminalidade”, diz novo delegado

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Natural de Pará de Minas, o novo Delegado, João Marcos Amaral Ferreira, 33, formou em Direito pela Universidade de Itaúna em 2010, é pós-graduado em Direito Penal, Processo Penal, Constitucional e Administrativo. Fez concurso em 2018 e tomou posse em 2019. Sua primeira designação foi para Carmo do Paranaíba, no Triângulo Mineiro e, durante seis meses, atuou em todas as áreas da delegacia, desde trânsito, até crimes contra o patrimônio, homicídios e também no setor administrativo. Durante entrevista exclusiva ao Jornal S’PASSO, o novo delegado falou sobre os desafios e um pouco dos seus planos a frente da Delegacia de Itaúna. Confira:

Você vem de uma cidade menor que Itaúna. A rotina é bem diferente?

A Delegacia de Carmo do Paranaíba era vinculada a Delegacia Regional de Patos de Minas, mas de certa forma, era bem independente e tínhamos certa autonomia. Da minha parte foi muito aprendizado. Apesar da cidade ter 35 mil, as atividades sempre foram muito intensas, pois existe uma penitenciária na cidade e ela é porta de entrada para presos, o que gera grandes movimentações do juizado especial e outras pastas do judiciário. Apesar do pouco tempo, foi uma grande experiência. Nas áreas do Direito Penal e Investigativo, tenho experiência consolidada, não apenas por ter sido advogado criminalista, mas porque meu pai era Inspetor da Polícia Civil.

Nesta primeira semana em Itaúna já foi possível ter uma noção do trabalho a ser feito?

Solicitei aos escrivães vinculados às pastas pelas quais serei responsável, ou seja, homicídios, crimes contra a pessoa, contra o patrimônio que abrange furtos, roubos, estelionatos e outros da mesma espécie para me informar quais são os casos urgentes, os prazos para encerrá-los e aqueles que necessitam uma investigação mais intensa. É importante frisar que todo caso é importante, mas existem alguns que precisam de uma atenção maior. Já estou ciente que existem algumas investigações em andamento, inclusive de um crime que ocorreu no último dia 03, no povoado de Córrego do Soldado, que estão bem adiantadas. Esse início de ano na cidade tem sido intenso quando se trata de homicídios; foram 14 tentados e consumados, um índice alto para a população de Itaúna. Estamos intensificando as ações para coibir e reduzir estes crime e já emitimos alguns mandatos de prisão e medidas cautelares para trazer mais tranquilidade para a população.

Qual será a linha de investigação adotada para os crimes não resolvidos. Alguma novidade nos casos de repercussão como do jovem Michael cujo crânio foi localizado recentemente ou do Vitor Hugo que foi enterrado em cova rasa?

Quando se trata de crimes de homicídio, a primeira coisa que devemos fazer é o levantamento da vida pregressa daquela pessoa e tentar levantar os últimos passos dela, além de tentar buscar pessoas que estavam próximas e que possam ter envolvimento com o crime. Nesses casos específicos, não tive contato físico com o processo do Vitor Hugo que está no Fórum, mas já realizei alguns levantamentos a respeito o caso do assassinato e existem pedidos para continuidade das investigações e confirmação da autoria do crime. Em relação ao de Michael as investigações também estão adiantadas e há laudos que devem ser anexados ao processo. Estamos aguardando, para firmar uma linha de investigação, pois até o momento não podemos descartar nenhuma possibilidade.

Qual expectativa na cidade?

Tive uma excelente recepção e foi muito gratificante a forma que fui recebido na cidade. Quero retribuir com a prestação de um serviço de qualidade para a população que merece uma resposta efetiva do Estado e da Polícia Civil. Já falei várias vezes que tenho um carinho especial por Itaúna, pois já conheço a cidade há alguns anos e foi onde me formei. Com relação aos colegas, pude notar que a equipe é bem coesa, companheira e atuante e, tenho certeza que vamos trilhar um bom caminho e desempenhar um excelente trabalho.

Com a saída do delegado Jorge Mello o efetivo ficará novamente como era. Há possibilidade de vir mais um Delegado para a cidade?

A Polícia Civil está com um quadro defasado, mas para o concurso que eu prestei ainda há cerca de 80 pessoas para serem chamadas. A expectativa é que as localidades que necessitam ainda sejam atendidas, inclusive Itaúna que tem uma grande demanda criminal e de investigações. A princípio não há previsão de chamada dos excedentes em decorrência desta pandemia.

Nesta sua primeira semana, qual o desafio enfrentado?

O crime não para e durante esta pandemia que o país está vivendo, temos que agir com prudência para liberar alguns detentos. Esses egressos têm causado um certo transtorno e já há aumento do índice de criminalidade. Vamos atuar para combater esses crimes e trabalhar para retirar essas pessoas do convívio social.

O que fazer com os menores envolvidos em crimes? Uma APAC Juvenil resolveria o problema na cidade?

Eles exigem um tratamento diferenciado, com internação, mas está difícil mantê-los internados, devido à legislação. Temos que fazer levantamentos, mas, embora eu tenha chegado há pouco tempo, já ouvi falar muito no método APAC, como inovação em recuperação e reintegração social de infratores. Tudo que visa melhorar o ser humano e resgatar o papel do indivíduo na sociedade é válido, e a APAC tem se mostrado eficiente nisso. É um modelo seguido e um exemplo no Brasil inteiro.

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