Covid-19: dúvidas são a maior ameaça

0
911

Uma pessoa que foi infectada, pode ser infectada novamente?

Esta ainda é uma pergunta sem resposta. Temos indícios, com relação a vírus anteriores, semelhantes ao SARS COV 2, de que o ser humano consegue ter resposta imunológica definitiva, porém ainda não se pode afirmar com absoluta certeza. Por se tratar de doença de surgimento recente ainda não temos condições de afirmar de forma definitiva.

Qual a forma mais comum de “pegar” o vírus?

A transmissão entre humanos se dá predominantemente por via aérea, ou seja, o vírus pode ser eliminado em gotículas no meio ambiente pela fala, tosse ou espirro, ou mesmo por procedimentos que geram aerosolização, isso mais frequentemente em ambiente hospitalar. Daí a importância da etiqueta respiratória ou o uso de máscaras para que o vírus não seja eliminado no meio ambiente ou caia em superfícies. Se um indivíduo respira as gotículas eliminadas ou tem contato com sua mão em superfícies contendo o vírus e levando a mão aos olhos, boca ou nariz, pode se contaminar. Daí a importância da higienização frequente das mãos. É importante, neste momento de pandemia, manter contato com distância superior a um metro e meio para evitar o possível contágio. Lembrar que pessoas assintomáticas podem ser transmissoras do vírus, ratificando a importância do uso de máscaras, mesmo para pessoas assintomáticas, principalmente quando estiverem em locais comuns. Há também relatos de transmissão por via fecal-oral, ou seja, deve-se ter cuidado também com o trato e manejo dos excrementos do paciente doente.

O vinagre é eficaz para higienização como o álcool gel?

Das substâncias mais conhecidas e caseiras que podemos usar para desinfecção das superfícies contaminadas com o vírus, as mais importantes e eficientes são preparações à base de etanol (entre 62 a 70%), o peróxido de hidrogênio a 0,5% (água oxigenada) ou hipoclorito de sódio a 0,1% (equivalente a uma colher de sopa de água sanitária em litro de água).

Como acontece a evolução da doença no paciente?

A doença Covid-19, em cerca de 80% dos pacientes, apresenta sintomas leves e são caracterizados como sintomas e sinais gripais, com boa evolução, como uma gripe comum. Muitos podem até se manterem assintomáticos. Porém os 20% restantes podem evoluir com uma forma grave de pneumonia viral e, destes, 1/3 pode evoluir com quadro crítico, necessitando de suporte ventilatório, em unidade de tratamento intensivo, com evolução para intubação orotraqueal e ventilação mecânica.

Que tipo de tratamento/medicamento tem sido usado quando alguém é internado com a Covid-19?

O tratamento, na grande maioria das vezes, é apenas medicação sintomática e medidas de suporte, devendo-se evitar uso de anti-inflamatórios. Nos pacientes que evoluem com pneumonia, necessitando de cuidados hospitalares, e diante da possibilidade de coinfecção bacteriana, usa-se antibióticos. Nos pacientes com insuficiência respiratória pode ser necessário o suporte ventilatório com respiradores. Não há um tratamento específico contra o vírus, que possa acabar com a infecção. O sistema imunológico do organismo é que vai fazer esse papel.

A cloroquina está sendo realmente eficaz?

,/b>

A cloroquina (ou Hidroxicloroquina) é um medicamento que vem sendo estudado e utilizado no tratamento porque, in vitro, mostrou capacidade de diminuir a replicação viral. Entretanto, não é uma medicação que pode ser usada sem recomendaçã médica. Primeiro, porque é necessária uma indicação precisa para o seu uso e, segundo, porque apresenta efeitos colaterais, às vezes importantes, o que faz com que possa ser prescrita em determinadas situações clínicas ou para determinados pacientes.

Existe previsão de vacina contra a doença?

Atualmente não há vacina disponível. As vacinas estão em desenvolvimento, mas podem ser necessários de 12 a 18 meses para que uma vacina esteja disponível.

Quanto tempo o novo Coronavírus sobrevive no ar e em superfícies?

Antes de responder à pergunta, gostaria de enfatizar que trata-se de uma doença nova. O vírus SARS COV 2, que produz a doença chamada Covid-19, é um vírus novo, que pela primeira vez acomete o ser humano, e estamos ainda aprendendo sobre a doença, sua fisiopatologia, aspectos clínicos, transmissibilidade, letalidade e formas de tratamento. A cada dia surge um novo protocolo, formas diferentes no manejo da doença, e pode ser que o que foi respondido agora, passa a não ser mais verdadeiro num futuro próximo. Ou mesmo não podemos, face aos conhecimentos atuais, afirmar taxativamente alguns pontos, uma vez que precisamos conhecer melhor a história natural da doença. Existem evidências de que o vírus permanece ativo em alguns tipos de superfícies por longos períodos, sendo que um estudo sugere que ele sobrevive por até nove dias. Há diferenças no tipo de material e outras variáveis como temperatura (resiste menos ao calor), umidade, dentre outras menos importantes.

Na sua opinião, o isolamento vertical é efetivo?

A medida mais efetiva, do ponto de vista comunitário, é o isolamento, que pode ser definido como horizontal ou vertical. Ambos têm como objetivo o distanciamento social, que pode ser mais ou menos doloroso para determinados segmentos da sociedade. O importante é o momento de se aplicar um ou outro isolamento. No isolamento vertical, apenas um grupo ou grupos de pessoas devem ficar isolados, em função do alto risco de morbimortalidade. O mais difícil é definir o momento de se passar de um para o outro, pois são muitas variáveis em jogo: aspectos humanos, sanitários, financeiros e econômicos, sociais e mesmo epidemiológicos. Não há consenso. Mas o mais importante, na minha opinião, é o entendimento da população em cumprir com o que se pede naquele determinado momento. Porque quem realmente faz acontecer um tipo de isolamento ou outro é o comportamento das pessoas. Todos devem fazer o seu sacrifício para conduzirmos a curva epidemiológica de forma a não sobrecarregar o serviço de saúde. E isso vai ser decisivo no índice de letalidade da doença.

O que fazer ao chegar em casa? Quais procedimentos devemos adotar?

Com relação aos procedimentos individuais devemos estar atentos à higienização das mãos frequentemente, com água e sabão ou álcool gel a 70%, uso constante de máscara (para não sermos transmissores, caso assintomáticos, e para nos protegermos). Ao chegarmos em casa dispensar os calçados, tirar as roupas e colocá-las para lavar. Não há necessidade de lavá-las separadamente. Para os profissionais de saúde é imprescindível o uso correto dos equipamentos de proteção individual.

Em quantos dias a pessoa contaminada apresenta sintomas?

O período de incubação, ou seja, o tempo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos sintomas pode ser de até 14 dias, porém o mais comum é entre quatro a sete dias.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui