Estudantes da rede pública ficam sem aulas e sem alternativa

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Ana Paula Viegas é mãe de um aluno do 2º ano do Ensino Fundamental. O filho, Matheus, estava animado com as novas descobertas na escola quando as aulas presenciais precisaram ser suspensas em função da pandemia de coronavírus. “Ficamos preocupados com ele em casa. Já tem quase um mês e não recebemos nenhum tipo de atividade. Fazemos o possível para ensinar ele em casa, mas meu medo é que a falta da escola prejudique o andamento do aprendizado dele”, conta Ana. Diferente dos alunos da rede de ensino privada, aqueles que estudam em escolas municipais e estaduais permanecem na incerteza de como será cumprido o cronograma deste primeiro semestre letivo.

As escolas particulares se adaptaram rapidamente, criando alternativas para atividades online. Em Itaúna, o Colégio Sant’Ana, por exemplo, explicou em nota que desde o dia 23 de março disponibilizou videoaulas e exercícios em uma plataforma digital com conteúdo desde o maternal até o Ensino Médio. Além disso, os coordenadores e professores estão produzindo materiais complementares diários, que são compartilhados com os alunos pelas redes sociais. Com isso, o Colégio conseguirá seguir cumprindo a carga horária exigida para conclusão do ano escolar.

A realidade para os alunos de escolas públicas tem sido bem diferente. Ainda não existe consenso sobre como serão as atividades. O Governo do Estado levantou diversas possibilidades, a maioria utilizando a tecnologia como aliada. Porém, quando analisado o perfil dos alunos de muitas escolas, a internet, tão presente no dia a dia de muitos, pode virar obstáculo. Crianças e adolescentes de áreas mais pobres ou da zona rural poderão encontrar dificuldades, tanto de conexão como de equipamentos para cumprir as tarefas.

Uma das alternativas levantadas é que o material seja entregue nas escolas para aqueles que não têm acesso à internet. A coordenadora da subsede de Itaúna do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Maria das Graças Gonçalves, disse que eles têm acompanhado a situação e que como esses alunos terão acesso aos materiais e o risco que os servidores também serão expostos ao ir para as escolas, também preocupa. “Garcias, Várzea da Olaria, Santanense, entre outras escolas, atendem muitos alunos da zona rural que, em alguns casos, não têm internet. Entendo que eles estão aparelhando o Estado para as aulas online, mas, e os alunos que não têm acesso?”, questionou Maria das Graças. Ela conta ainda que o sistema lançado pelo Estado neste ano para matrículas online foi falho e trouxe mais dificuldades para o trabalho nas secretarias escolares.

O secretário de Educação de Itaúna, Weslei Lopes da Silva, conversou com o Jornal S’Passo e afirmou que o município tem feito um trabalho articulado com a Superintendência Regional de Ensino, para elaborar um material direcionado aos alunos das escolas itaunenses. Porém, ainda não há data para liberação das atividades e também não existe previsão para retorno das aulas.

Aulas transmitidas pela Rede Minas

O Governo do Estado anunciou que, a partir de 11 de maio, a Rede Minas transmitirá aulas direcionadas aos estudantes da rede pública estadual. As aulas devem ocupar cerca de cinco horas da grade matinal da emissora, sendo quatro horas de aulas gravadas e uma hora para que professores esclareçam dúvidas, em tempo real. A expectativa é atingir cerca de um milhão de alunos por meio da emissora.

As aulas estarão disponíveis no canal do Youtube do governo estadual e os planos de estudo estarão no site da Secretaria de Educação, a partir do próximo dia 22. Segundo nota da secretaria de Estado, a previsão é iniciar o compartilhamento de conteúdo no dia 4 de maio e haverá adaptação dos conteúdos para libras e braile, além de materiais disponibilizados para escolas indígenas na língua maxakali, falada por diversas tribos do Estado. Deverá ser lançado ainda um aplicativo móvel para professores e alunos, a fim de aprimorar o sistema de estudo domiciliar. O plano do Estado, contudo, já foi travado por uma liminar movida pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), acatada pela Justiça.

Justiça proíbe volta ao trabalho

O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais derrubou, na quarta-feira, 15, a deliberação do governo de Minas que convocava para retorno às atividades os servidores administrativos da educação. Ainda de acordo com TJ, a decisão impede também a convocação dos professores para as transmissões pela Rede Minas, até que o Estado apresente um plano para garantir a saúde dos servidores da Educação. A decisão atendeu a mandado de segurança solicitado pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Estado de Minas Gerais. Na última segunda-feira, 13, o Ministério Público de Minas Gerais já havia emitido parecer recomendando a suspensão da convocação.

O decreto assinado pelo secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral Pereira da Silva, estabelecia a volta ao trabalho, na última terça-feira, 14. O texto destacava ainda que o trabalho deveria ser feito preferencialmente de forma remota, já que não há previsão para volta às aulas. Maria da Graças, do Sind-UTE Itaúna, explicou que a instrução passada pelo sindicato foi para que os servidores não voltassem. “A orientação foi para não voltar. O pessoal estava com muito medo, tanto do vírus, quanto de uma retaliação por parte do governo, mas deixamos claro que é melhor manter a vida e depois lutamos pelos nossos direitos”, declarou a coordenadora da subsede.

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