Medo e doenças emocionais atingem crianças e jovens em idade escolar na pandemia

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A pandemia do novo coronavírus, que tem feito muitas pessoas ficarem em casa, evitando as aglomerações e os excessos, tem causado medo e doenças emocionais em muita gente, especialmente em crianças e jovens. Hiperativas por natureza, as crianças confirmam antiga tese de que os pequenos saudáveis, são os da estripulia, os que não param quietos, que inventam mil modos, que fazem bagunça, que mexem em tudo. E afirmam que criança parada é sinal de algum problema, de doença. De repente veio um basta, um desacelerar na vida das pessoas e, também, de forma abrupta, vieram a acomodação – em casa –, o medo e doenças psicossomáticas. Como lidar com essas novas fobias? E com as angústias dos pequenos, sem terem muito o que fazer, em casa?

Para o psicólogo, escritor e professor itaunense Jonas Vieira, de forma perceptiva já é possível verificar um aumento na incidência de sintomas relacionados à falta de saúde mental. Ele, que atende em seu consultório adolescentes e adultos, diz acreditar que estudos já devem estar sendo realizados sobre o tema e que, no momento, não é possível estabelecer nenhuma conclusão. Mas, a situação se mostra crítica e bastante desafiadora. Jonas afirma que, como profissional, não viu aumentado o número de procura por esse tipo de atendimento, por entender que as pessoas estão ainda avaliando as possibilidades financeiras e, até, mesmo, o receio de sair de casa. No entanto, os pacientes que estão buscando ajuda, têm chegado ou se mantido em terapia, estão relatando algum nível de afetação da situação atual. “De todos os contextos, esse, creio eu, seja um dos mais delicados. Trabalho em uma escola e tenho visto de perto a relação entre pais e filhos, tem surgido de tudo. Por essa razão é difícil generalizar uma recomendação. Cada caso (e cada casa) é uma situação diferente, que vai demandar tratativas diferentes. A minha sugestão é: procure ajuda, se julgar necessário, com a escola, pedagogos, com o serviço de psicologia, reflita sobre a sua capacidade de ter paciência e, acima de tudo, como anda a sua saúde. É importantíssimo que nesse momento crítico, saibamos todos as fronteiras de nossos limites. Somos feridos cuidando de outros feridos numa guerra que é de todos”, observa.

Na avaliação da também psicóloga e professora, Ana Maria de Carvalho, que atende crianças e adolescentes, esta pandemia está causando sofrimento a todos os grupos, independentemente da idade. No trabalho, ela tem atendido crianças e adolescentes com quadros de sofrimentos, cujos sintomas são choro, irritabilidade ou, às vezes ficam amuados e quietos demais. Também há situações de insônia e daqueles que começam a alimentar-se com exagero, especialmente de doces. Ela destaca que os jovens podem iniciar com o cigarro, a maconha ou aumentar a procura por sexo na internet. A profissional conta que no início do isolamento atendia por telefone e que, por isso, ficou extremamente cansada. “O cara a cara do consultório é melhor. Nem o skype achei bom, enfim, agora é atender com máscaras, aff!”, pontua.

Saudade da escola

Ana Maria conta que tem percebido que as crianças maiores sentem falta da escola e do convívio. E que esta restrição está causando solidão, junto com a ansiedade exacerbada, medo, insônia e bulimia. “Este período prolongado está facilitando aos adolescentes saírem para encontros em grupos apesar de saberem do perigo que representa, para si e para os seus parentes, que estão no grupo de risco. Sentem culpa, raiva e muita somatização”, avalia. Por fim, ela afirma que as crianças e adolescentes estão sofrendo com a incerteza do reinício das aulas ainda neste ano de 2020, sentindo-se impotentes, sem motivação para qualquer atividade proposta.

O melhor caminho para os pais lidarem com a situação de eventuais doenças de crianças e jovens nessa pandemia é o relacionamento saudável, ensina a psicóloga e professora. “Cada filho ou filha tem sua forma única de lidar com uma situação de stress como esta pandemia que estamos passando. Nem sempre sabem falar sobre os sentimentos e emoções, por isso às vezes somatizam. Enfim, é necessário o pai ou cuidador procurar manter- se no mínimo de equilíbrio para puxar uma conversa, dizendo da realidade, mas dizendo como vai passar. Podemos, juntos, resistir a este desafio. O diálogo é a melhor forma de conhecer e ajudar”, enfatiza.

Jogos artísticos e brincadeiras

Educadores de várias áreas, sobretudo da educação infantil e das artes, têm orientado para os jogos e brincadeiras em casa. Os instrutores de oficinas de arte da Gerência de Cultura da Prefeitura de Itaúna têm gravado vídeos na rede social Instagran ensinando aos pais – e aos próprios jovens em idade escolar – a saírem dessa pandemia com o resgate de brincadeiras da infância, além de treinamentos e o conhecimento de técnicas de teatro, dança, música, literatura e artes plásticas. De acordo com os instrutores de oficina, as aulas online têm surtido efeito, com respostas bastante animadoras tanto para crianças quanto para os adultos que também buscam alternativas de novos conhecimentos para esses tempos em que a melhor recomendação seja o ficar em casa.

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