Crasi retoma rotina com a recuperação dos internos contaminados pelo coronavírus

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Os registros de contaminação da Covid-19 em Itaúna tiveram uma considerável queda na última semana, ficando na marca 19 casos confirmados (quarta-feira, 3) e mantendo os 70 óbitos divulgados na semana anterior. O boletim da Prefeitura, publicado no dia 3, mostrou que são 4.901 pacientes contaminados pelo coronavírus, sendo 2.599 do sexo feminino e 2.302 masculinos. Os registros mostram ainda que são 10 os hospitalizados.   Porém, até o fechamento dessa matéria (quinta-feira, 4), os números divulgados pela Prefeitura indicavam que duas mortes não foram confirmadas, estão sob suspeita de Covid-19.

E com relação a óbitos pela Covid-19 estão ainda muito vivos na memória dos itaunenses os casos de contaminação de vários idosos no Centro de Recuperação e Assistência Social Integrada – Crasi provocados por um surto de coronavírus. Quase toda a população de asilados da instituição foi contaminada,  seis idosos morreram.

O Crasi foi criado em Itaúna há 35 anos, em 1986, pelo sr. Ulisses Lança e um grupo de voluntários do serviço social. A instituição funciona no Bairro Jadir Marinho, à rua Prefeito Antônio Dornas de Lima, 157.

O Jornal S’PASSO conversou no início dessa semana com a enfermeira-chefe da instituição,  Marise Franco. Ela contou que o lar de idosos viveu momentos de grandes desafios nos últimos dias, mas que agora está normalizado. Como se fosse uma tempestade que passou. Agora a calmaria. O novo coronavírus chegou à cidade – como em quase todos os lugares no Brasil – no início de março de 2020. Foram 11 meses sem nenhum caso no Crasi. “Conseguimos segurar, com muita atenção, cuidado, restrição de visitas, seguindo todos os protocolos. Assim, não tivemos nenhuma contaminação”, contou. Lembrou ela que no dia 15 de janeiro deste ano alguns idosos, dezessete, começaram a apresentar sintomas, como diarreia, gripe, febre. Um médico do PSF atende com frequência a instituição. De cara constatou os sintomas em vinte pacientes, alguns tiveram que ser encaminhados ao Hospital.  O surto da Covid-19 chegou no Crasi. Dos 43 idosos, somente 6 deram negativo, havia 11 positivos assintomáticos. Além dos idosos, 12 funcionários tiveram que ser afastados por estarem contaminados também, ficaram de atestado e a instituição teve que se valer de um esforço redobrado da comunidade, que sempre está presente no dia a dia da entidade. Foi necessária a contratação temporária de profissionais freelancer. A situação demandava inúmeros gastos extras e a profissional de saúde, juntamente com os dirigentes da instituição, só pensava numa questão: como pagar essas novas despesas? Para a enfermeira Marise, que inclusive perdeu mãe que morava na instituição (idosa e portadora de comorbidades), para a Covid, não houve um caos no Crasi, mas sim um desafio onde inúmeras pessoas e instituições se envolveram – e auxiliaram da melhor forma. Na sua avaliação, houve um  verdadeiro milagre para que a serenidade voltasse depois desse redemoinho de problemas.

Pacientes curados, situação normalizada

A situação hoje no asilo tem por objetivo apenas a manutenção dos bons resultados conquistados à custa de inúmeras inciativas. Da quase totalidade dos idosos doentes de antes, existem hoje oito pacientes em cuidados institucionais e 30 sem sintoma algum. Os funcionários – nenhum óbito – estão retornando ao trabalho depois da alta médica. Marise faz questão de ressaltar que toda essa situação veio confirmar aquilo que eles, do Crasi, já sabem há muitos anos, Itaúna é um a cidade solidária e solícita. Com altas despesas e sobrevivendo exclusivamente de doações, tudo concorre para que o Crasi funcione plenamente. “Nunca faltou material de limpeza, nenhum material destinado ao trabalho dos cuidadores, como luvas, nenhum alimento. O Crasi gasta 960 litros de leite, 6.500 fraldas por mês. Temos seis refeições diárias e as coisas funcionam graças a essa solidariedade. Não temos do que nos queixar”, considerou.

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