Itaunense Laura Lufési está no elenco de “O Agente Secreto”, filme que tem Wagner Moura como protagonista

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A atriz itaunense Laura Lufési faz sua estreia no cinema em grande estilo: integrando o elenco de O Agente Secreto, novo filme do aclamado cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de títulos consagrados como Aquarius e Bacurau. A produção, será distribuída pela Vitrine Filmes e traz Wagner Moura, Gabriel Leone e Maria Fernanda Cândido como protagonistas. 

O longa se passa no Brasil de 1977 e acompanha a trajetória de Marcelo (Wagner Moura), um professor de tecnologia que deixa São Paulo em busca de paz em Recife. Contudo, ao chegar em plena semana de Carnaval, descobre que não conseguirá escapar do passado violento que o assombra. Cercado por espionagem e tensões sociais, Marcelo vê a cidade se transformar em um lugar longe de ser o refúgio que imaginava. 

Em entrevista ao Jornal S’Passo, Laura Lufési relembra como surgiu a oportunidade de participar do projeto: “O diretor de elenco Gabriel Domingues me convidou para um teste. Ele não conhecia meu trabalho ainda, mas através de uma plataforma de cadastro de atores viu meu perfil e me chamou. Enviei uma selftape, depois fiz um teste presencial com Kleber, Emilie, Leo Lacca e Gabriel. Dias depois recebi o convite para fazer parte do filme”. 

Essa participação marca a estreia de Laura em longas-metragens e ela reconhece que o primeiro desafio foi acreditar no próprio talento: “Não me boicotar e achar que eu não merecia estar ali. Isso acontece muito com quem vem de onde eu vim. Mas a postura de todos, desde a direção até a equipe, me deu base para transpor esse medo”. 

O peso de trabalhar com um dos maiores nomes do cinema mundial não intimidou a itaunense e Laura destaca que Kleber é realmente diferenciado. “Além de gostar de trocar experiências e ideais com os atores, ele sabe bem o que quer e o que não quer. Mas é bonito ver o quanto ele também abre espaço pra gente colocar o que é nosso. Eu poderia ter ficado nervosa, mas ele tem uma sensibilidade e confiança que me deixaram à vontade”, afirmou. 

A parceria com Wagner Moura

Outro ponto marcante foi dividir o set com Wagner Moura, ator admirado por Laura desde a infância. “Sempre fui fã de Wagner artisticamente e politicamente. Estar ao lado dele foi muito emocionante, sonhei muito com isso. Mas no set precisei enxergá-lo como parceiro de trabalho, senão a troca não aconteceria. Essa foi a base para controlar a emoção”. 

Laura ressalta que a produção lhe trouxe importantes lições. “Entendi que as melhores cenas acontecem sem esforço ou planejamento interno, quando estamos presentes para ser atravessados pelas situações. Aprendi também que tornar sobre o outro é mais bonito do que tornar sobre si, isso quem me ensinou foi Leo Lacca”. 

Raízes em Itaúna e Azurita 

Apesar de agora trilhar novos caminhos no cinema, Laura não esquece suas origens. “Eu fiz teatro na escola, era minha aula favorita. Tive professores como José Roberto, depois no SESI estudei com Dani Moreno e Léo Souza. Mais tarde, mesmo cursando Letras na UFMG, decidi estudar Teatro e fiz cursos técnicos de atuação”, relembra. 

Ela destaca ainda a influência cultural da família e da cidade natal: “Sou a primeira artista da família a viver disso como profissão, mas sempre saúdo meu avô, que promoveu por décadas a Folia de Reis no Distrito de Azurita, em Mateus Leme, mesmo enfrentando o racismo religioso. Para mim, ele foi o primeiro artista da família”. 

A visão do diretor

Em entrevista à imprensa, o diretor Kleber Mendonça Filho destacou a importância do projeto, afirmando que o filme é resultado de um desejo grande de continuar filmando o Brasil e o Recife, desta vez no contexto histórico do mundo de 50 anos atrás, de um Brasil do passado.

“Eu também tinha vontade de fazer um filme de mistério e suspense, em que o Recife fosse o cenário principal. Eu era criança nos anos 1970, mas me lembro com alguma clareza do ano de 1977, quando eu tinha nove anos. Creio que ‘77 foi o primeiro ano que me marcou ainda como criança. Naquela época, o Brasil era muito diferente, mas, de certa forma, também muito parecido com o de hoje”. 

A cineasta completa: “É a combinação perfeita: encerra a realização do filme e inaugura a sua trajetória. Estou feliz com O Agente Secreto e quero que as pessoas vejam o filme no exterior e no Brasil. É uma história muito brasileira e, por isso mesmo, é um filme do mundo todo”, finaliza. 

Com estreia marcada para 6 de novembro nos cinemas brasileiros, O Agente Secreto surge não apenas como uma das produções mais aguardadas do ano, mas também como possível protagonista do Brasil na corrida pelo Oscar de 2026. 

Filme é apontado pela Variety como candidato a superar “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles 

A outra boa notícia é que o cinema brasileiro pode voltar a brilhar no Oscar em breve. De acordo com uma análise publicada pela revista americana Variety, o novo longa de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto, surge como forte candidato a repetir – e até superar – o sucesso de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. 

O comentário é assinado por Clayton Davis, editor da revista e conhecido por antecipar tendências nas grandes premiações. Foi ele quem destacou Fernanda Torres antes de sua vitória histórica no Globo de Ouro de 2025. Agora, Davis afirma que O Agente Secreto tem potencial para alcançar destaque em categorias como direção, roteiro original, atuações e até melhor filme. 

Lançado em 2024, Ainda Estou Aqui marcou a história do cinema nacional ao conquistar o prêmio de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025 – a primeira vitória do Brasil na premiação. O longa de Walter Salles também concorreu na categoria de Melhor Atriz, com Fernanda Torres, que acabou derrotada por Mikey Madison.