Centro de Itaúna fica sem energia e população critica inércia da CEMIG

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Na manhã desta quinta-feira, 25, o centro de Itaúna acordou sem energia elétrica. Ruas do centro comercial ficaram paralisadas, semáforos apagados comprometendo o trânsito e diversos serviços básicos foram interrompidos. Comércios não conseguiram abrir as portas, escritórios suspenderam as atividades e trabalhadores se viram de braços cruzados diante da instabilidade elétrica que já virou rotina na cidade. 

“Perdi a manhã inteira sem vender nada. Meus clientes até vieram, mas foram embora porque não conseguiam pagar, já que as máquinas de cartão estavam descarregadas e não funcionavam”, desabafou uma comerciante. 

Portões eletrônicos travados e sistemas internos paralisados transformaram o dia em um verdadeiro desafio. “É desanimador, a gente nunca sabe quando a energia vai voltar, e isso já aconteceu tantas vezes este ano que não dá mais para contar. Todas as vezes temos que colocar o portão eletrônico no manual, e isso desgasta bastante, fazendo com que os motores estraguem mais rápido. O do meu prédio por exemplo, teve de ser consertado várias vezes por esse motivo”, disse o engenheiro Carlos Henrique. 

As falhas no fornecimento de energia não são um episódio isolado. Desde janeiro, itaunenses relatam quedas frequentes, tanto na área central quanto em bairros e comunidades rurais. As oscilações já provocaram a queima de aparelhos domésticos e eletrônicos. 

“Meu computador queimou há alguns dias por causa de um pico. Estou há dias tentando resolver com a companhia, mas até agora não obtive resposta”, relatou a estudante Fernanda Guimarães, moradora do bairro das Graças. 

De nada adiantou 

No início do ano, a Câmara Municipal chegou a aprovar uma Moção de Apelo, de autoria do vereador Israel Lúcio, cobrando da Cemig medidas para corrigir as interrupções constantes, sobretudo nas comunidades de São José de Pedras, Brejo Alegre e Retiro dos Farias. O documento destacava os prejuízos sofridos por pequenos produtores rurais, que dependem de energia elétrica para manter equipamentos básicos de irrigação e refrigeração de alimentos. 

A justificativa apontava ainda que empresas terceirizadas pela Cemig não estariam realizando a poda regular de árvores próximas à rede elétrica, o que agrava os problemas durante períodos de chuva e ventania. Apesar da mobilização, até hoje as reclamações continuam sem resposta efetiva. 

Vereadores criticam

A mais recente queda de energia, reforçou a insatisfação popular e provocou reações políticas. Diversos vereadores se manifestaram nas redes sociais criticando a postura da Cemig em Itaúna. Eles alegam que a cidade já sofre com deficiências energéticas e sobrecarga no sistema, o que deveria ter motivado uma ação firme por parte do Governo de Minas. 

Desta vez, em nota, a companhia informou que a interrupção foi causada pelo rompimento de um cabo na região central. “A Cemig informa que, na manhã desta quinta-feira, por causa de um cabo partido, clientes ficaram sem o fornecimento de energia, na região central e em alguns bairros de Itaúna. O trecho foi isolado e equipes da companhia atuam no local para os reparos necessários. Por volta das 10h30, parte dos clientes tiveram a energia restabelecida. No momento, cerca de 250 clientes permanecem sem o fornecimento. As causas do rompimento do cabo ainda serão apuradas. A previsão de restabelecimento total da energia é até a tarde desta quinta-feira.” 

Retranca 

Queimadas provocam aumento dos apagões em todo Estado

As queimadas se tornaram um dos principais vilões do fornecimento de energia em toda Minas Gerais este ano. Somente em agosto, os focos de incêndio foram responsáveis por desligamentos que afetaram 76,4 mil consumidores — número superior ao total de ocorrências registradas entre janeiro e julho, que somou 70 mil clientes. O aumento representa 109,1% no comparativo mensal. 

No acumulado de 2025, já são mais de 146 mil pessoas atingidas por 235 incidentes envolvendo a rede elétrica, sendo 27 apenas na região Centro-Oeste do estado. 

A concessionária afirma investir em medidas de prevenção, como limpeza das faixas de servidão, poda de árvores, retirada de vegetação próxima a estruturas e inspeções periódicas em linhas de transmissão. Em áreas de maior risco, também são aplicados aceiros e pintura de postes com tinta antichamas. 

Além disso, a Cemig reforça que provocar queimadas é crime, com previsão de prisão, e que a fumaça intensa agrava doenças respiratórias, comuns nesta época do ano. Entre as recomendações de prevenção, a Cemig alerta para a importância de não descartar pontas de cigarro em estradas ou áreas rurais, apagar corretamente fogueiras em acampamentos e evitar deixar garrafas de vidro ou plástico em locais com vegetação, já que esses materiais podem potencializar o início de incêndios.