FIM DAS AUTOESCOLAS?  

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Mudanças federais aprofundam crise e fechamento abrupto deixa alunos no prejuízo em Itaúna 

As mudanças promovidas pelo Governo Federal no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) começam a produzir efeitos concretos — e preocupantes em todo o país com reflexos em Itaúna. O encerramento repentino das atividades da Autoescola Master, anunciado nesta segunda-feira (19), expôs de forma dura os impactos da nova política sobre o setor e, principalmente, sobre os consumidores. 

A unidade, localizada na Rua Marechal Deodoro, no Centro da cidade, fechou as portas sem qualquer aviso prévio. Alunos que haviam pago pacotes completos ou parcelas adiantadas foram surpreendidos por um comunicado afixado na porta, informando o encerramento das atividades por “motivos administrativos e financeiros”. Não houve orientação a respeito de um canal de atendimento ou esclarecimentos sobre devolução de valores ou transferência dos processos. 

“É um descaso completo. A gente economiza meses para pagar a habilitação e simplesmente chega aqui e encontra a porta fechada”, relata um aluno que havia concluído as aulas teóricas e aguardava o início das práticas. “Não é só dinheiro, é tempo, planejamento, expectativa. Ninguém atende telefone, ninguém explica nada.” 

Outra estudante, contou ao S’Passo que se sente enganada. “Eles continuaram matriculando alunos até a semana passada. Se sabiam que iam fechar, por que não avisaram? Isso é falta de responsabilidade com quem confiou”, desabafa. 

Mudança nas regras e efeito dominó 

O fechamento ocorre em meio a uma profunda reformulação no modelo de formação de condutores no país, consolidada com a Resolução nº 1.020/2025, em vigor desde dezembro passado. A principal alteração é o fim da obrigatoriedade de aulas em Centros de Formação de Condutores para a obtenção da CNH. 

Agora, candidatos podem optar por estudar por conta própria, contratar instrutores autônomos credenciados, realizar aulas práticas sem carga horária mínima elevada — apenas duas horas — e até utilizar veículo próprio para o exame, desde que atendidas exigências de segurança. As aulas teóricas passaram a ser oferecidas gratuitamente e de forma online pelo governo federal. 

A justificativa oficial é reduzir drasticamente o custo da habilitação, que pode cair de valores próximos a R$ 3.200 para cerca de R$ 645, além de combater a condução de veículos de maneira irregular, comum entre pessoas que não conseguem arcar com os preços praticados pelas autoescolas. 

Pequenos negócios em risco e  consumidores desprotegidos 

Embora a proposta tenha forte apelo social, o impacto no setor é severo. Levantamentos apontam que mais da metade das autoescolas mineiras correm risco de encerrar as atividades. O segmento tenta barrar as mudanças no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, alegando prejuízos à segurança no trânsito e inviabilidade econômica dos pequenos empreendimentos. 

No entanto, casos como o da Autoescola Master escancaram outra face do problema: a ausência de mecanismos eficazes de proteção aos alunos diante do colapso financeiro de empresas do setor. 

Até o fechamento desta matéria, não houve posicionamento oficial da empresa sobre ressarcimentos ou orientações aos alunos afetados.