Igreja Batista Betel pressiona prefeitura para retirada do Carnaval da Prainha 

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Templo entra no embate junto dos vereadores Israel Lúcio e Kaio Honório contra a realização da festa na Jove Soares que, segundo eles “tem atrapalhado a entrada dos evangélicos para os cultos”

Mesmo com o circuito do Itaúna Folia 2026 já definido, planejado e praticamente fechado, o Carnaval voltou ao centro de uma disputa que mistura religião, política e a utilização de um espaço público. Apesar de ser praticamente certo que o trajeto da festa seguirá os mesmos moldes de 2025, mantendo-se entre as praças José Flávio de Carvalho e Celi, com alterações apenas pontuais na logística — como a redistribuição de banheiros químicos, praça de alimentação e o sentido de circulação do trio elétrico, que passaria a acompanhar a mão da avenida em direção à Praça José Flávio, há quem queira mudar o que já foi decidido. 

Tudo parecia caminhar dentro da normalidade até que antigas insatisfações, que existiram durante o Carnaval de 2025, voltaram à tona esta semana. Pastores e fiéis evangélicos manifestaram reprovação ao circuito carnavalesco, alegando que o fechamento da Avenida Jove Soares “atrapalha a entrada para os cultos” realizados em algumas igrejas, particularmente na Igreja Batista Betel.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, pastores da Igreja Evangélica Batista Betel estiveram em reunião com o secretário de Cultura e Turismo esta semana, quando demonstraram a insatisfação com a manutenção do circuito na Prainha. Paralelamente, líderes religiosos também teriam procurado integrantes do governo municipal para contestar o local escolhido e tentar transferir o Carnaval para outra região da cidade, mesmo com o planejamento técnico já encaminhado. 

Para ampliar a pressão, os pastores teriam recorrido aos vereadores Kaio Honório e Israel Lúcio, solicitando que ambos atuassem junto à prefeitura para retirar o Carnaval da porta da igreja. Como argumento, foi levantada a suposta insatisfação de comerciantes e moradores da Avenida Jove Soares.

A movimentação tem gerado desconforto, principalmente após o vereador Israel Lúcio gravar um vídeo afirmando ter levado a reivindicação ao prefeito. Segundo ele, o pedido foi para que o Carnaval fosse deslocado para outra área da cidade, sob a justificativa de que comerciantes, moradores e evangélicos estariam sendo prejudicados. “O prefeito nos prometeu que o assunto seria levado ao secretário de Cultura e que chegaríamos a um consenso. Vamos aguardar a reunião para a resposta”, declarou. 

Já o vereador Kaio Honório, embora não tenha se manifestado nas redes sociais, estaria atuando de forma direta nos bastidores. De acordo com fontes do jornal, o parlamentar teria intensificado a articulação junto ao governo, chegando a ameaçar que, caso a solicitação não fosse atendida, discursos críticos poderiam surgir em palanques ligados à igreja. 

retranca 

A Marcha Para Jesus pode, o Carnaval não? 

A polêmica que surge com o Carnaval não teve o mesmo impacto que a realização da Marcha Para Jesus, que aconteceu no mesmo local e contou com apoio integral de pastores, obreiros e fiéis. 

Na ocasião, evangélicos participaram ativamente da organização, inclusive segurando cordas ao redor do trio elétrico durante o percurso do Boulevard até a Praça José Flávio de Carvalho. O evento, realizado em apenas um dia, teve equipamento de som potente e produziu, segundo moradores, um nível de barulho significativamente maior do que o do Carnaval — tudo isso sem registros públicos de incômodo ou contestação. 

Com a Bíblia debaixo do braço, a chamada “legião” acompanhou o trio, organizou o fluxo de pessoas e dispersou o público de forma voluntária ao longo do trajeto. A diferença de postura, agora, tem provocado uma enxurrada de questionamentos nas redes sociais. Muitos internautas se perguntam por que a Marcha Para Jesus pode ocupar o espaço público, com som alto e grande aglomeração, enquanto o Carnaval, manifestação cultural popular e tradicional, passa a ser tratado como um problema. 

A mudança de discurso de parte do segmento evangélico — e, em especial, da igreja diretamente beneficiada pela Marcha — tem alimentado críticas sobre seletividade, intolerância cultural e o uso de influência religiosa para interferir na política.