Pronto-Socorro vira dormitório e moradores de rua ocupam saguão de espera do Hospital

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A situação das pessoas em situação de rua em Itaúna voltou ao centro das críticas nos últimos dias depois que viralizou um vídeo amplamente compartilhado em que uma pessoa em situação de rua utilizava a fonte luminosa da praça para tomar banho em plena luz do dia. Já no dia seguinte, a mesma mulher protagonizou um episódio ainda mais grave: em aparente surto psicótico, correu completamente nua pelo local, aos gritos, diante de famílias, crianças e idosos.

Os episódios, por si só, já levantam questionamentos urgentes sobre abordagem social, saúde mental e políticas públicas. No entanto, a situação não se restringe ao centro da cidade — ela também avança para os bairros. Nesta semana, o Jornal S’Passo recebeu fotografias registradas por pacientes e por servidores do Pronto Socorro. As imagens mostram pessoas em situação de rua deitadas no saguão da unidade, dormindo no chão e ocupando cadeiras destinadas a pacientes que aguardam atendimento. Segundo relatos, a cena tem se tornado frequente.

Um servidor da unidade, que preferiu não se identificar, alertou para os riscos sanitários da situação. “A permanência dessas pessoas no saguão, sem qualquer tipo de controle ou acompanhamento, representa risco real de contaminação. Estamos falando de um ambiente hospitalar, onde há pacientes imunossuprimidos, idosos e crianças. É uma situação preocupante.”

Pacientes também relatam desconforto e insegurança. Uma pessoa que aguardava atendimento descreveu o cenário. “Além da ocupação das cadeiras, a sujeira é constante. Há restos de comida, lixo espalhado e até fezes na área da garagem das ambulâncias, que é um espaço de circulação intensa de pacientes em estado delicado. Isso é muito preocupante.”

Outro relato, encaminhado à redação, reforça o sentimento de indignação. “Fui levar minha mãe no Hospital hoje e me deparei com uma cena lamentável. E de acordo com funcionários e outras pessoas que estavam lá isso é corriqueiro, eu achei um absurdo; moradores de rua ocupando as dependências da sala de espera do Pronto Socorro, fazendo o local de dormitório, e inclusive você pode ver nas imagens que tem um marmitex no chão, que pode trazer mais males para quem está lá buscando atendimento”. 

Diante da recorrência dos episódios — tanto na área central quanto dentro de uma unidade de saúde — cresce a cobrança por ações concretas e coordenadas do poder público. A ausência de políticas eficazes de acolhimento, tratamento e reinserção social tem transformado o problema em um ciclo contínuo, que impacta diretamente toda a população.