Quem passou pela Praça José Flávio de Carvalho na tarde desta sexta-feira (1º), durante a programação do Festival do Trabalhador, se deparou com uma exposição que foi além da estética artística e provocou reflexão social. O artista plástico itaunense Levy Vargas apresentou ao público a série fotográfica “Onde Você Mora?”, também intitulada “População Invisível”, composta por registros feitos durante caminhadas pelo Centro de Itaúna e bairros próximos.
As imagens retratam pessoas em situação de rua, captadas em cenários muitas vezes ignorados pela rotina apressada da cidade — sob marquises, viadutos e pontes, em condições extremas de vulnerabilidade. A proposta do trabalho é justamente lançar luz sobre uma realidade frequentemente invisível pela sociedade.
Em entrevista exclusiva ao Jornal S’Passo, Levy explicou que o projeto nasceu de inquietações despertadas durante seus percursos pela cidade. “Durante essa caminhada eu fui me deparando com essas pessoas que são invisíveis para a maioria das pessoas, que estão debaixo de marquises, dos viadutos e das pontes em extrema miséria. Muitas vezes, a gente, no nosso conforto, não faz ideia do sofrimento dessas pessoas. Imagina ter que fazer suas necessidades, tomar banho e até mesmo se alimentar em um ambiente de extrema miséria. Isso me incomoda e comove muito”, relata o artista.
A série, segundo ele, busca provocar o olhar da população e estimular a empatia diante de uma realidade que, embora presente, muitas vezes é ignorada.
Levy também relembrou a repercussão gerada quando publicou a primeira fotografia da série nas redes sociais. Na ocasião, ele foi questionado sobre o que estaria fazendo, na prática, para ajudar as pessoas retratadas.
“Quando publiquei, fui questionado sobre o que eu fazia para ajudar aquelas pessoas. Senti que a pergunta veio em tom de cobrança, como se fotografá-las fosse uma atitude hipócrita. Mas justamente aquela primeira foto, feita na porta de um barzinho, acabou gerando uma campanha de arrecadação de roupas e alimentos para pessoas em situação de rua”, contou.
Segundo o artista, a mobilização tomou proporções inesperadas e resultou na instalação de varais solidários espalhados pela cidade, incentivando doações e despertando um sentimento coletivo de solidariedade.
“Foi uma campanha muito bem-sucedida, que despertou algo bonito na cidade. Espero que essa mostra consiga abrir ainda mais o coração e a alma das pessoas”, afirmou.
Exibida em meio às celebrações do Dia Mundial do Trabalhador, a mostra trouxe ao evento uma dimensão de reflexão social, lembrando que, para além das homenagens e festividades, a data também convida à discussão sobre dignidade humana, desigualdade e direitos básicos. A exposição de Levy Vargas transforma a arte em denúncia, sensibilização e convite ao olhar atento para aqueles que, muitas vezes, seguem invisíveis aos olhos da sociedade.







