“Marcha será infinitamente maior”, diz vereador; evento volta a usar recursos públicos  

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A realização da Marcha para Jesus já movimenta lideranças religiosas, vereadores conservadores e bastidores políticos do município. Marcada para o próximo dia 30, a edição deste ano promete uma estrutura ainda maior que a do ano passado — novamente com utilização de recursos públicos, desta vez por meio de emendas impositivas parlamentares destinadas por vereadores. 

O anúncio da mobilização foi feito nas redes sociais com tom de convocação religiosa e forte apelo popular. “O dia está marcado… e não é um dia qualquer”, diz a publicação da organização, que promete um grande ato de fé pelas ruas da cidade. 

Diferentemente da edição anterior, que foi organizada diretamente pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o evento deste ano será conduzido pela Associação dos Profissionais de Eventos de Itaúna (APEI), em conjunto com pastores evangélicos da cidade. Nos bastidores, porém, vereadores ligados à bancada conservadora têm participação ativa na articulação política e financeira da marcha. 

Durante reunião realizada nesta semana, o vereador Israel Lúcio afirmou que a edição de 2026 será “infinitamente maior” que a realizada no ano passado. Segundo ele, a proposta é ampliar a dimensão do evento religioso e consolidar a marcha no calendário municipal. 

A programação oficial ainda não foi divulgada. Segundo os organizadores, os shows e artistas convidados dependem da conclusão dos trâmites burocráticos para transferência dos recursos oriundos das emendas parlamentares. 

A nova edição da Marcha para Jesus reacende um debate que já havia tomado conta da cidade em 2025, quando a Prefeitura foi alvo de críticas pelo alto investimento destinado ao evento, incluindo a contratação do cantor gospel Eli Soares, nome de projeção nacional no segmento evangélico. 

Na época, setores da sociedade questionaram a prioridade dada ao evento religioso diante de outras demandas culturais e sociais do município. A Secretaria de Cultura também foi criticada por concentrar grande parte do orçamento em uma única programação. 

Agora, embora a organização tenha sido retirada formalmente das mãos do Executivo, o financiamento público permanece presente — desta vez por meio das chamadas emendas impositivas, mecanismo que permite aos vereadores direcionarem parte do orçamento municipal para ações e projetos específicos. 

Apesar das críticas, defensores da Marcha argumentam que o evento movimenta a economia local, reúne milhares de pessoas e representa uma manifestação legítima da fé cristã no espaço público. 

A expectativa dos organizadores é de que a edição de 2026 reúna caravanas de diversas cidades da região e tenha uma estrutura superior à do ano anterior, consolidando o evento como uma das maiores manifestações religiosas do município.