“Não dá para colocar os sentimentos em palavras.” Foi assim que a itaunense Thais Pereira de Castro definiu o momento mais importante de sua trajetória profissional até aqui. Professora de escolinhas esportivas e apaixonada pelo futsal desde a infância, ela foi convocada para integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira Feminina de Futsal de Surdas, como auxiliar técnica.
A conquista coloca o nome de Itaúna em destaque no cenário esportivo nacional e representa anos de dedicação silenciosa dentro das quadras, treinamentos, projetos esportivos e trabalho de base com crianças e jovens da cidade.
A convocação oficial aconteceu no último dia 18 e partiu da presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos, Diana Kyosen. O anúncio transformou em realidade um sonho alimentado desde os primeiros passos de Thais no esporte. “Ser lembrada em um nível onde a exigência profissional é altíssima me deixou com um orgulho imenso da minha caminhada e de tudo que passei para chegar até aqui”, afirmou.
A história de Thais com o futsal começou ainda criança, aos sete anos, em projetos sociais da Prefeitura, no bairro Cidade Nova. Foi ali, nas quadras da comunidade, que nasceu a paixão pelo esporte que mais tarde definiria sua vida profissional.
Anos depois, em 2010, ao ingressar na Universidade de Itaúna, ela começou a atuar oficialmente na área da Educação Física. O primeiro estágio surgiu no SESI, oportunidade concedida pela saudosa Viviane Orsine, lembrada por Thais como uma das maiores referências de sua formação.
Além de supervisora no início da carreira, Viviane também havia sido professora dela durante a infância, na Escola do Cidade Nova. “Desde então fui estagiando, trabalhando, estudando e conquistando meu espaço”, contou.
A caminhada até a Seleção Brasileira, no entanto, foi marcada por desafios. De origem simples, Thais relembra as dificuldades financeiras e emocionais enfrentadas ao longo da trajetória acadêmica e profissional. Segundo ela, o apoio da mãe e da família foi decisivo para que conseguisse concluir a graduação e seguir investindo na carreira.
“Foram anos buscando meu espaço, seguindo dia após dia, mesmo passando por momentos difíceis. Só quem esteve perto sabe o que tive que abrir mão, o quanto precisei me provar, me reinventar e me dedicar”, disse.
A profissional destaca que nunca deixou de buscar aperfeiçoamento. Participou de cursos, capacitações e procurou aprender constantemente com nomes experientes da modalidade. O reconhecimento veio gradualmente, até surgir a oportunidade de atuar no esporte de surdos.
A ligação com a ASPAM, Associação de Surdos de Pará de Minas, começou quando trabalhava na Prefeitura de Pará de Minas. Em 2024, recebeu convite da treinadora Vanessa Tedeschi para integrar a comissão técnica da equipe.
Os resultados apareceram rapidamente. Ao lado do grupo, participou de importantes competições nacionais e ajudou a equipe a conquistar o Campeonato Mineiro Adulto de 2024, o Campeonato Mineiro Sub-21 de 2025 e a terceira colocação na Copa do Brasil de 2025, todos na categoria masculina.
Agora, o novo desafio será representar o Brasil em nível internacional. “Todo profissional da área sonha em vestir a camisa da Seleção. Eu sempre tive isso como meta na minha vida. É uma conquista muito expressiva e importante para mim”, destacou.
Enquanto se prepara para o período de treinamentos da seleção, previsto para o próximo mês, Thais afirma que já iniciou o processo de adaptação à nova rotina. Ela vem estudando o funcionamento da comissão técnica, conhecendo as atletas e entendendo as demandas do grupo nacional.
Além da emoção pela convocação, a profissional também aproveita o momento para levantar um debate importante sobre inclusão no esporte. Para ela, as mulheres já conquistaram espaço em diferentes áreas esportivas, mas pessoas com deficiência ainda enfrentam obstáculos muito maiores, principalmente relacionados à comunicação.
“A barreira já começa na Libras. Quantas pessoas sabem se comunicar? Isso deveria ser uma preocupação nacional”, afirmou.
Segundo Thais, falta investimento em políticas públicas voltadas à inclusão, principalmente dentro das escolas. Ela acredita que o ensino da Língua Brasileira de Sinais deveria estar mais presente tanto na rede pública quanto privada de ensino.
Mesmo diante das dificuldades, a itaunense reforça que a dedicação continua sendo a chave para conquistar espaço no esporte e em qualquer profissão.
“Dedicar tempo, esforço e energia aos sonhos faz diferença. Você vai construindo seu merecimento. Deus abençoa quem trabalha, quem corre atrás e quem não desiste”, concluiu.
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