Mais de 300 ocorrências e dois feminicídios no primeiro semestre acendem o alerta para a violência contra a mulher em Itaúna
Números da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp/MG) revelam um cenário de alerta em Itaúna. Entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026 foram registrados no município 304 boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher, envolvendo 399 pessoas, entre vítimas e agressores.
No topo da lista de crimes do primeiro semestre estão ameaças (91), vias de fato e agressão (54) e lesão corporal (41). Também chama atenção o número de descumprimentos de medidas protetivas de urgência. Foram 36 casos no período, indicando que segue como um desafio a garantia de proteção até mesmo àquelas que recorrem às medidas judiciais.
Os dados da Sejusp também apontam ocorrências de violência psicológica (10), perseguição (9), importunação sexual (1), estupro de vulnerável (1), tortura (1) e sequestro e cárcere privado (1). Outros 57 registros classificados como infrações secundárias completam o quadro estatístico, incluindo atrito verbal (12), furto (6), injúria (6), dano ao patrimônio (4), além de ocorrências envolvendo perturbação do sossego, fiscalização e maus tratos a idosos em contexto familiar.
Entre janeiro de 2024 e junho de 2026, Itaúna somou 1.573 registros de violência contra mulheres.
Dez vítimas de feminicídio desde 2019
Apenas nos primeiros 45 dias de 2026, Itaúna contabilizou dois casos de feminicídio consumados. O primeiro foi registrado em 30 de janeiro e o segundo, em 15 de fevereiro.
Conforme a base de dados da Sejusp/MG, desde 2019, dez mulheres foram vitimadas no município. No mesmo período, houve ainda três tentativas desse tipo de crime.
No estado, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública aponta que houve 78 casos de feminicídio em 2026, de janeiro a junho. Relatório divulgado pelo órgão governamental chama a atenção para a persistência dos crimes de gênero no território mineiro.
Reforço da conscientização e rede de apoio
A violência contra a mulher é tema da campanha nacional “Agosto Lilás”, dedicada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher. A mobilização faz referência ao aniversário de sanção da Lei Maria da Penha, que está completando 20 anos em 2026.
Em Itaúna, será realizada na próxima sexta-feira, 7, uma ação aberta ao público no Teatro Sílvio de Mattos, das 8h às 11h. A programação prevê palestras, orientações, acolhimento e informações sobre os serviços disponíveis na rede de proteção.
ONDE BUSCAR AJUDA
Mulheres em situação de violência podem procurar atendimento e denunciar por meio dos serviços locais e canais nacionais. O atendimento é gratuito e pode ser realizado de forma sigilosa.
Disque 180
Central de Atendimento à Mulher (Governo Federal)
Funcionamento 24 horas, todos os dias. Recebe denúncias e orienta sobre direitos e serviços disponíveis.
190
Polícia Militar
Para emergências ou violência em andamento.
Delegacia de Polícia Civil
Atendimento para registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas.
CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social)
Acompanhamento psicossocial e orientação às vítimas.
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social
Encaminhamento para a rede de proteção e assistência.
Ministério Público de Minas Gerais
Atuação na defesa dos direitos das mulheres e acompanhamento de casos.
Panorama da Violência contra a Mulher em Itaúna (2026)
Dados oficiais da Segurança Pública resumem o cenário do primeiro semestre
- 304 boletins de ocorrência registrados até junho
- 399 pessoas envolvidas (vítimas e agressores)
- 2 feminicídios consumados (janeiro e fevereiro)
Os crimes mais frequentes
- Ameaça: 91 casos
- Vias de Fato / Agressão: 54 casos
- Lesão Corporal: 41 casos
- Descumprimento de Medida Protetiva: 36 casos
- Violência Psicológica: 10 casos
- Perseguição (Stalking): 9 casos
- Outras infrações e chamados: 57 casos (inclui atrito verbal, injúria, furto, danos)
Entre as ocorrências constam ainda perturbação do sossego, fiscalização e maus tratos a idosas em contexto familiar.
Fonte dos dados: Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp/MG)







