A NOVELA DOS EMISSÁRIOS DE ESGOTO

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Moradora denuncia poluição do Ribeirão dos Capotos e pede providências ao SAAE


Degradação ambiental se agrava e Câmara pode instaurar comissão para investigar causas e responsáveis 

A moradora do bairro Santanense, Geralda Fonseca Lobo, procurou o Jornal S’Passo para denunciar novamente a grave situação do Ribeirão dos Capotos, que passa aos fundos de sua residência. Segundo ela, o curso d’água, que há alguns anos era limpo e transparente, hoje apresenta uma coloração escura, com sinais de assoreamento, esgoto a céu aberto e forte mau cheiro. 

“Antes era um rio, agora corre só um fio. A mortandade de peixes é visível, os pássaros e animais aquáticos sumiram. Até quando o SAAE vai continuar de braços cruzados diante desse descaso? Já não aguentamos mais o mau cheiro constante”, desabafou Geralda, indignada. 

Segundo moradores, a origem do problema continua sendo o lançamento irregular de esgoto diretamente no leito do ribeirão dos Capotos, que corta bairros como Aeroporto, Garcias, Chácara do Quitão, Alaíta e Santanense. As fortes chuvas entre 2021 e 2022 agravaram o cenário, destruindo parte dos emissários da rede de captação de esgoto. Já de acordo com o SAAE, parte da estrutura também foi danificada durante a limpeza do leito do ribeirão realizada pela gestão municipal anterior. A autarquia destacou ainda que, com as variações no nível da água, especialmente em épocas de chuva, é comum o aumento da intensidade do mau cheiro. 

A reportagem entrou em contato com o SAAE, que informou, por meio de nota, que está preparando a licitação para intervenções nos trechos mais afetados do Ribeirão dos Capotos, incluindo as regiões de Santanense e Alaíta/JK. As obras, segundo a autarquia, envolvem a recomposição de partes da rede de captação de esgoto que integra o Projeto SOMMA. 

Comissão especial Câmara vai investigar rompimento dos emissários 

As denúncias de Geralda se somam às de outros moradores dos bairros Santanense, JK e Chácara do Quitão, que relatam as mesmas condições precárias no entorno do Ribeirão dos Capotos. A situação chegou à Câmara, onde o vereador Léo Alves (Podemos), propôs a criação de uma Comissão Especial de Investigação para apurar as responsabilidades pelos danos ambientais decorrentes das obras de desassoreamento realizadas após as fortes chuvas de 2022. 

Durante a reunião ordinária desta terça-feira (7), o parlamentar destacou que o problema se arrasta há anos, sem que medidas efetivas sejam tomadas. “É preciso investigar. Alguém tem que ser responsabilizado por esse prejuízo, que quem vai acabar pagando é a população”, declarou Léo Alves em plenário. 

A ideia da instauração da Comissão Especial ganhou força após o diretor do SAAE, Nilzon Borges, informar durante sabatina na Câmara, que o custo para recuperar os emissários rompidos do Projeto SOMMA pode chegar a R$ 10 milhões. A autarquia busca recursos a fundo perdido para executar a obra, mas, caso não consiga, avalia usar recursos próprios — cerca de R$ 2,5 milhões por ano — para custear as intervenções. 

No dia em que Nilzon esteve na Câmara, o vereador Rosse Andrade (PL), que foi secretário municipal de Infraestrutura e Serviços durante a gestão anterior — período em que ocorreram as obras —, afirmou que o SAAE não acompanhou tecnicamente a execução dos trabalhos, o que pode ter contribuído para o agravamento do problema. Já na reunião desta semana, o vereador voltou a frisar a ausência de fiscalização de comissões técnicas em diversas obras e contratos do município, o que segundo ele, “tem prejudicado a cidade”. 

Com a possível criação da comissão especial, a Câmara pode dar início a uma investigação formal, realizando oitivas com testemunhas e análise documental, com vistas a identificar os responsáveis e cobrar soluções concretas para um problema que afeta centenas de famílias itaunenses e ameaça o equilíbrio ambiental da cidade.