Acidentes frequentes reforçam alerta sobre os perigos de rios e cachoeiras no verão

0
154

O período de verão, marcado por altas temperaturas e aumento da procura por rios, cachoeiras, barragens e espaços com lazer aquático, tem sido acompanhado por uma sequência preocupante de acidentes em Itaúna. Registros ocorridos nos últimos dias — e também no fim do ano passado — reacendem o alerta para os riscos envolvidos nessas atividades, que se repetem ano após ano no município, muitas vezes com consequências graves e até fatais. 

No dia 28 de dezembro, um homem morreu após se afogar na Barragem do Benfica. Populares que estavam no local conseguiram retirar a vítima da água e levá-la até a margem da represa. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas, ao chegar, constatou que o homem já estava sem vida.

Já neste ano, no domingo, 11, duas ocorrências distintas mobilizaram equipes de resgate em Itaúna. No início da tarde, uma mulher de 51 anos ficou ferida após um acidente em um escorregador aquático de um restaurante localizado às margens da MG-431, na zona rural do município. Segundo o SAMU, a vítima relatou que, ao descer pelo brinquedo, foi atingida por outra pessoa que descia logo atrás, o que provocou dores intensas na região cervical, lombar e nos arcos costais. Ela recebeu os primeiros atendimentos no local, foi imobilizada e encaminhada consciente para o Hospital Manoel Gonçalves. 

Ainda no fim da tarde do mesmo dia, o SAMU foi acionado para atender um adolescente de 16 anos que sofreu uma queda na cachoeira conhecida como “Poção”, às margens da MG-431, próximo ao acesso da estrada da Água Viva. O jovem apresentava ferimentos na cabeça e no rosto, escoriações pelo corpo e suspeita de fratura no braço esquerdo. Ele foi levado por populares até a rodovia, onde recebeu atendimento da equipe de resgate antes de ser encaminhado ao hospital. Inicialmente, o caso chegou a ser divulgado como afogamento, mas a informação foi posteriormente descartada, sendo confirmada a queda como causa do acidente. 

Para o Bombeiro Civil e salva-vidas Glauber Pacheco, a repetição desses episódios evidencia a necessidade de maior conscientização. “O que a gente observa todos os anos é o mesmo cenário: pessoas se arriscando em locais sem estrutura, sem salva-vidas e, muitas vezes, após o consumo de bebida alcoólica. Água não é brincadeira, qualquer descuido pode ser fatal”, alerta. 

Segundo ele, medidas simples podem salvar vidas. “Evitar nadar em áreas desconhecidas, respeitar a sinalização, não pular de locais altos e jamais misturar álcool com atividades aquáticas são atitudes básicas. Além disso, crianças e adolescentes precisam de supervisão constante, mesmo em locais considerados rasos”, reforça Glauber Pacheco. 

O salva-vidas também chama atenção para brinquedos e estruturas aquáticas. “Escorregadores e atrações desse tipo precisam ter controle de uso e espaçamento entre as descidas. Muitas lesões acontecem por colisões, como já vimos recentemente”, explica. 

Com o verão ainda em curso, autoridades e profissionais de resgate pedem que a população redobre os cuidados. A busca por lazer e refresco deve vir acompanhada de responsabilidade, para que momentos de descanso não se transformem em novas estatísticas de acidentes ou tragédias.