A postura do vereador Dalminho diante de críticas feitas por cidadãos itaunenses tem provocado forte reação nas redes sociais e reacendido o debate sobre o direito à crítica que envolve as pessoas públicas e a liberdade de expressão. O parlamentar afirmou que irá acionar judicialmente internautas que, segundo ele, estariam disseminando informações falsas sobre sua atuação na Câmara.
O estopim da polêmica foi um vídeo publicado pelo cidadão Victor Teles, que disputou o pleito de vereador em 2024. No conteúdo, o jovem critica a postura de Dalminho na votação que rejeitou o pedido de reabertura da CPI da Comunicação e levanta a suspeita de que o voto do vereador teria sido influenciado por supostos acordos políticos com o presidente da Câmara, Antônio de Miranda, o Toinzinho, visando a ocupação de um cargo na Mesa Diretora no próximo biênio.
O que ampliou ainda mais a repercussão do episódio foi o caráter decisivo do voto de Dalminho. A votação terminou empatada em 7 votos a 7, cenário que só se consolidou após o posicionamento do parlamentar. Com o empate, coube ao presidente da Câmara exercer o voto de minerva, que acabou selando a decisão contrária à reabertura da CPI. Na prática, o voto de Dalminho foi determinante para levar a decisão ao desempate, o que elevou o peso político de sua escolha e intensificou as críticas populares.
Com a rápida viralização do vídeo, Dalminho utilizou suas redes sociais para divulgar uma nota oficial em tom duro, considerada por muitos como ameaçadora, direcionada a qualquer pessoa que, segundo ele, venha a “difamá-lo”. No comunicado, o vereador afirma estar reagindo em respeito à verdade e ao eleitorado itaunense.
De forma categórica, o parlamentar nega qualquer tipo de acordo, tratativa ou negociação envolvendo troca de voto por benefício político ou pessoal. Segundo ele, sua atuação sempre foi pautada pela legalidade, independência, ética e compromisso com o interesse público.
Dalminho também sustenta que “sua conduta no exercício do mandato é marcada por posicionamentos firmes, sem omissões ou abstenções, votando favoravelmente ou contrariamente conforme sua convicção, à legislação vigente e os interesses da população”. Para o vereador, essa postura pode desagradar a quem prefere a neutralidade ou tem interesses contrariados.
Ainda na nota, o parlamentar afirma que “as acusações que circulam nas redes seriam inverídicas e caluniosas, informando que os responsáveis pela produção e disseminação do conteúdo serão formalmente notificados”. Segundo ele, medidas legais já estariam em andamento para resguardar sua honra, a verdade dos fatos e a lisura do processo democrático.
Retranca
Censura ao parlamentar se intensifica durante a semana na internet e em grupos de WhatsApp
Apesar da tentativa de esclarecimento, o tom adotado pelo vereador tem sido amplamente criticado nas redes sociais e em grupos de WhatsApp da cidade. Muitos internautas avaliam que a reação de Dalminho extrapola o direito de defesa e assume contornos de intimidação, especialmente em um ambiente democrático onde críticas a agentes públicos fazem parte do debate político.
Entre os comentários mais recorrentes estão questionamentos sobre a escolha do parlamentar pela população e críticas à forma como ele lida com divergências. Frases como “está em seu primeiro mandato, mas aprendeu em um ano a fazer conchavos políticos para interesse próprio”, têm se repetido em postagens e discussões online, evidenciando um desgaste na relação entre o vereador e parte do eleitorado. Outras declarações em tons jocosos sinalizam para integrantes de grupos políticos tomarem cuidado “porque qualquer um pode ser processado por expressar sua opinião”.
Para críticos da postura adotada pelo parlamentar, o episódio evidencia um dilema cada vez mais presente na política local: até que ponto a judicialização de críticas não acaba por sufocar o debate público e afastar a população do papel legítimo de fiscalizar seus representantes? Em um cenário em que o voto de um parlamentar foi decisivo para definir os rumos de uma investigação de interesse público, cresce a percepção de que a reação às críticas pode ser tão reveladora quanto o próprio posicionamento no plenário.
Ao final da nota, Dalminho reafirma que o papel do parlamentar é decidir, assumir responsabilidades e agir com coerência, colocando-se à disposição do eleitorado para esclarecimentos. Resta saber se o caminho escolhido — o embate judicial com críticos — contribuirá para fortalecer a confiança pública ou aprofundar ainda mais o distanciamento entre representante e representados.







