Audiência Pública debate medidas emergenciais, mas sem solução definitiva para as enchentes na Prainha 

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As enchentes continuam sendo um problema na história recente de Itaúna, trazendo medo e prejuízos a centenas de famílias. Na última quinta-feira (26), uma audiência pública realizada na Câmara Municipal voltou a colocar o tema em pauta, reunindo autoridades, técnicos e moradores. 

Embora o encontro tenha sido marcado pela apresentação de medidas para minimizar os problemas causados pelas enchentes, ficou claro que as ações são paliativas e não representam a solução definitiva para um problema que se repete ano após ano. 

Estiveram presentes representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, SAAE, Secretaria de Infraestrutura e vereadores. 

O tenente Rodrigo, da Defesa Civil, destacou avanços como a conclusão de 90% do Plano Municipal de Contingência, a reativação do número 199, o monitoramento das barragens e o combate a ocupações irregulares. 

Já o secretário de Infraestrutura e Serviços Alexandro Moks, apresentou intervenções pontuais como a limpeza de margens de rios e ribeirões, melhorias na drenagem urbana, especialmente na linha férrea, e intervenções em estradas rurais como ações importantes para evitar as enchentes no município. 

O secretário de Urbanismo e Meio Ambiente, Hidelbrando Neto e o subsecretário Gustavo Capanema reforçaram o compromisso da gestão para resolver o problema, mas admitiram que as ações não atacam a raiz do problema e que falta um projeto estrutural capaz de estancar as inundações que afligem várias regiões de Itaúna. 

A Prainha e o projeto adiado 

Em fevereiro, o prefeito Gustavo Mitre (Republicanos) encaminhou à Câmara um ofício solicitando a retirada de pauta de um projeto de lei, originalmente proposto pelo ex-prefeito Neider Moreira (PSD), que autorizava o município a contratar um financiamento de pouco mais de R$ 76 milhões para obras na Bacia do Córrego Sumidouro. O objetivo era conter as enchentes na Avenida Jove Soares.

Por meio de nota, a Prefeitura esclareceu que a decisão foi tomada para permitir uma análise mais aprofundada e responsável do projeto, devido ao impacto financeiro significativo. “Não é um abandono da pauta”, afirmou a administração. A nota também reiterou que as ações de controle de inundações na Prainha não serão deixadas de lado, e que as medidas necessárias serão tomadas com transparência e responsabilidade, respeitando os princípios de boa governança e prudência fiscal. 

O projeto, apresentado em abril de 2024, previa a ampliação do sistema de drenagem do córrego para reduzir as enchentes, como as registradas no final de 2023. Segundo a empresa responsável, a Objetiva Projetos e Serviços, após a obra, a chance de uma enchente de grandes proporções seria de apenas 1%. 

O engenheiro André Lopes explicou que a solução definitiva passa pela implantação de uma nova galeria em todo o trecho, pois sem esse canal adicional, o problema persistirá. A proposta previa execução em etapas, começando pela foz do córrego. 

O valor total da obra está estimado em R$ 81 milhões (com galeria moldada in loco) ou R$ 126 milhões (com galeria pré-moldada). Só o projeto custou R$ 779 mil. O alargamento do canal chega a R$ 50 milhões, podendo atingir R$ 95 milhões com aduelas pré-moldadas. Já a reestruturação da rede subterrânea de água e esgoto soma R$ 17 milhões, as bacias de contenção SB01 e SB02, R$ 11 milhões, e o vertedouro, R$ 3 milhões. 

Tema já debatido

Essa não foi a primeira vez que o assunto foi discutido na Câmara. Em novembro de 2023, o então secretário de Infraestrutura e Serviços, e hoje vereador, Rosse Andrade, junto a Daniel Magalhães Pereira, Neurivan Gonçalves de Aguilar, o engenheiro Gláucio Martins e representantes da Projeta Engenharia, debateram com os vereadores o projeto de recuperação do canal da Prainha. 

Os técnicos destacaram que, além do aumento do volume e da intensidade das chuvas, a urbanização acelerada e novos loteamentos nas partes altas agravam o problema e foi sugerido iniciar a ampliação do canal na Avenida Jove Soares, entre a rua Manoel Corrêa e a avenida Miguel Augusto Gonçalves, cujo custo aproximado será de R$ 12 milhões. 

Medidas que não resolvem

Na audiência pública, os moradores pediram soluções imediatas como a substituição de manilhas, construção de bacia de contenção no bairro Santa Edwiges, entre outras ações do poder público. 

Porém, apesar dos debates ficou claro que sem uma grande intervenção, a cidade segue vulnerável e a cada chuva intensa, a população revive o medo, as perdas e a sensação de impotência. 

“Em Itaúna, o problema das enchentes vai muito além de limpezas, manilhas ou ações emergenciais. O drama exige coragem política, investimento pesado e um planejamento que olhe para o futuro — algo que, por enquanto, ainda parece distante”, disse ao Jornal S’Passo, uma das pessoas que participou da audiência.