A onda de incêndios florestais que atinge Minas Gerais neste ano levou o governo estadual a decretar emergência por 180 dias, diante do avanço descontrolado das queimadas e do impacto ambiental em diversas regiões. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado em 24 de outubro, permite a adoção de medidas imediatas de prevenção, reforço nas operações de combate e solicitação de apoio federal para conter os danos.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, o Estado registrou quase 19 mil incêndios em vegetação até setembro, com uma média de 150 ocorrências diárias apenas naquele mês. Em 2024, foram mais de 24 mil casos — o pior número da série histórica.
Em Itaúna, a situação segue alarmante. O levantamento mais recente mostra 357 registros de incêndios entre janeiro e setembro de 2025, número que inclui o aumento de queimadas em lotes vagos, que passaram de 135 para 146 em um ano — um crescimento de 8,14%. As chamas têm se espalhado rapidamente, colocando em risco áreas urbanas e rurais, com episódios que assustam a população.
Nesta semana, um incêndio de grandes proporções atingiu a área nos fundos do Condomínio Residencial Dona Helena, na Avenida João Moreira de Carvalho, entre os bairros Jardim Santanense e Vale das Aroeiras. O fogo chegou próximo aos muros do condomínio, forçando os próprios moradores a agir por conta própria, utilizando baldes e mangueiras para tentar conter as chamas antes da chegada das equipes de emergência.
Um morador relatou à reportagem a sensação de medo: “Foi solicitado várias vezes a limpeza desse lote. Tinha que ter leis mais rígidas contra os donos dos terrenos. Se tem o lote e não cuida, a prefeitura deveria fazer algo mais sério. Mas esse é o Brasil, infelizmente.”
Outro ponto crítico foi registrado no bairro João Paulo II, onde um incêndio devastou lotes e áreas de preservação permanente. Segundo relatos, as queimadas têm ocorrido quase toda semana e, em muitos casos, de forma criminosa.
“Isso é crime! Tem crianças com menos de seis meses morando perto desse fogo e pessoas com bronquite e asma. Quem fez isso não pensa no próximo, está colocando vidas em risco”, desabafou uma moradora.
O Pelotão do Corpo de Bombeiros de Itaúna alerta que a tendência é de manutenção ou até aumento dos casos nas próximas semanas, por causa da continuidade do período seco e das altas temperaturas. A corporação reforça a necessidade de conscientização da população, lembrando que qualquer tipo de queimada urbana é ilegal e perigoso.
Além dos prejuízos ambientais, os incêndios têm afetado diretamente a saúde pública. A fumaça espessa e o calor excessivo comprometem a qualidade do ar, agravando problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
O cenário evidencia uma realidade preocupante: Itaúna vive um momento crítico, que reflete o colapso ambiental em diversas partes do estado. Enquanto as autoridades reforçam o combate e pedem colaboração da população, moradores cobram ações mais firmes de fiscalização e limpeza de lotes — medidas que, segundo eles, podem ser decisivas para evitar novas tragédias.







