Nos bastidores, vereadores comentaram que ausência do presidente foi “estranhada”, já que ocorreu na mesma sessão em que seria escolhida a CPI para investigar ações administrativas de servidores do Legislativo
A sessão ordinária da Câmara precisou ser interrompida de forma inesperada esta semana, depois que a transmissão oficial apresentou falhas e o presidente do Legislativo, Toinzinho, não compareceu ao plenário. Conforme informado pelas redes sociais, ele estava na solenidade de entrega da Medalha Desembargador Hélio Costa ao Tenente-Coronel Alexandro Cesar de Souza, realizada no Fórum da Comarca. Com isso, os trabalhos foram conduzidos pelo vice-presidente, vereador Gustavo Dornas Barbosa.
Logo no início da reunião, o vereador Alexandre Campos pediu a suspensão dos trabalhos devido ao defeito no equipamento responsável pelo registro e transmissão em vídeo das sessões. Sem o funcionamento das câmeras, segundo ele, não haveria condições de prosseguir com uma pauta considerada sensível. O pedido gerou discussão: enquanto parte dos parlamentares defendia a retomada apenas após o reparo da aparelhagem, o vereador Leonardo Alves sugeriu que, ao menos, a Ordem do Dia fosse apreciada. A proposta foi rejeitada pela maioria dos presentes, e o vice-presidente encerrou a sessão.
A decisão de parar os trabalhos chamou ainda mais atenção porque dois pareceres importantes seriam lidos nesta mesma reunião — documentos que indicariam se duas Comissões Parlamentares de Inquérito seriam instaladas ou arquivadas.
Uma das propostas trata do uso indevido de madeiras retiradas das margens do rio São João durante a gestão passada. A outra, porém, tem provocado grande desgaste político: ela pede investigação sobre a atuação do chefe da Comunicação da Câmara, indicado pelo vereador Kaio Honório. O servidor é acusado de participar da administração de um perfil no Instagram usado para atacar parlamentares adversários e favorecer aliados.
Nos bastidores, vereadores comentavam que ao menos um dos pareceres seria contrário à abertura da CPI, o que poderia gerar forte reação de parte do Legislativo. A ausência do presidente da Casa e a falha simultânea na transmissão levantaram questionamentos entre os parlamentares. O vereador Da Lua defendeu que, diante do impasse, a sessão fosse remarcada com garantia de transparência: “É um assunto sério demais para ser discutido sem transmissão e sem a presença do presidente”, afirmou.
Horas após a polêmica, Toinzinho afirmou à imprensa que não costuma faltar às reuniões e que faz questão de instalar a CPI solicitada pelo vereador Guilherme Rocha, conhecida como “CPI da Omissão”, por entender que o tema exige clareza e responsabilidade. O presidente reiterou, mais de uma vez, que dará prosseguimento ao pedido.
Segundo ele, um ofício justificando seu atraso foi encaminhado à Mesa Diretora. O documento, contudo, não foi lido durante a reunião, o que contribuiu para ampliar o clima de desconfiança entre alguns vereadores. Na noite anterior, Antônio de Miranda publicou um vídeo nas redes sociais mostrando sua participação na cerimônia no Fórum.
Ainda assim, pontos levantados por parlamentares permanecem sem esclarecimento, como o fato de o Legislativo não ter instaurado um procedimento administrativo para apurar as denúncias contra o chefe da Comunicação quando elas surgiram, além da mudança de critérios que permitiu sua nomeação para o cargo.
A sessão que seria na noite de quinta-feira, novamente não foi realizada e deve ocorrer na próxima semana, com a leitura dos pareceres que podem definir o futuro das duas CPIs — e, possivelmente, o rumo das relações internas na Câmara.







