Caos no trânsito se agrava: guinchamentos na Matriz e acidentes expõem desordem e risco à população 

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A sucessão de acidentes e situações absurdas envolvendo o trânsito em Itaúna confirma, mais uma vez, o alerta feito repetidamente pelo Jornal S’Passo: a cidade sofre com a falta de ordenamento, fiscalização ineficiente, imprudência e uma estrutura viária despreparada para o aumento considerável do número de veículos. O episódio mais recente foi registrado na Praça da Matriz, onde dois veículos foram rebocados em meio a uma série de equívocos e falhas de comunicação entre os setores responsáveis, gerando revolta e questionamentos da população sobre a atuação da Divisão de Trânsito. 

Segundo relato de uma das motoristas, o local onde seu carro foi guinchado não possuía qualquer sinalização de proibição no momento em que ela estacionou. Horas antes, a área havia sido interditada temporariamente para pintura de demarcações e instalação de banheiros químicos, a pedido da organização da Festa de Sant’Ana. No entanto, os cones e faixas foram removidos pela Secretaria de Infraestrutura para dar continuidade a outra etapa da obra, o que deixou o local aparentemente liberado. Com a área desobstruída, os motoristas estacionaram — e foram surpreendidos com a remoção dos veículos. 

A Polícia Militar foi acionada por um representante da organização da festa, que apresentou fotos antigas do isolamento, o que justificaria a remoção dos veículos. Em nota, a Prefeitura esclareceu que nenhum servidor municipal fez a solicitação de remoção e que a Gerência de Trânsito apenas cumpriu o pedido de isolamento para o evento. O caso gerou indignação, principalmente porque evidencia a desorganização entre os órgãos envolvidos e a falta de critérios claros para fiscalização. 

Sinalização confusa 

O Jornal S’Passo já havia denunciado, em outras ocasiões, a falta de padronização, a sinalização confusa e o uso indevido de cones e obstáculos nas vias públicas, inclusive por comerciantes. O que se vê é uma cidade refém do improviso, onde condutores e pedestres precisam adivinhar as regras que mudam ao sabor das circunstâncias. 

E o caso da Praça da Matriz não é isolado. Nos últimos dias, Itaúna registrou uma série de acidentes com consequências graves — alguns deles fatais. Na madrugada do dia 16 de junho, uma jovem servidora pública morreu após o carro em que estava colidir com um poste na Av. Manoel da Custódia. No mesmo trecho, dias antes, outro acidente deixou feridos após colisão entre carro e motocicleta. 

O bairro Santanense também entrou para a lista de áreas críticas, com dois acidentes em sequência: um envolvendo duas motocicletas em cruzamento perigoso e outro com adolescentes em bicicletas que colidiram com um automóvel. No bairro Chácara do Quintão, uma mulher ficou ferida após bater em uma árvore. E os relatos continuam, com colisões nas avenidas Dona Cota, Juscelino Kubitschek, JK, e nas proximidades da linha férrea. 

Pontos de risco

Além disso, o acesso ao bairro Padre Eustáquio já contabiliza 17 acidentes apenas em 2025, sendo um deles fatal. Moradores cobram a reestruturação prometida da via, que ainda não saiu do papel, já que a falta de intervenção e planejamento é um risco permanente para quem circula pela cidade. 

Outro exemplo alarmante aconteceu em frente ao SESI, na Av. São João, onde pais de alunos denunciam diariamente o “verdadeiro caos”. Faltam vagas, a sinalização é precária e o fluxo intenso de veículos sem organização coloca em risco a integridade de crianças e pedestres. 

No bairro Morro do Sol, o Jornal S’Passo também flagrou a circulação indevida de caminhões na Rua Divinópolis — mesmo após proibição por causa de acidentes fatais. Um vídeo recente que viralizou, mostra um caminhão travado em plena subida, descumprindo a norma de segurança que tenta proteger os moradores daquela região. 

Cones demarcam vagas

Além de todos esses problemas, um dos mais graves envolve as demarcações irregulares de vagas com cones e caixotes em frente a estabelecimentos comerciais, desrespeito às vagas de idosos e deficientes, motos ocupando vagas de carros e veículos estacionados em esquinas. A fiscalização, segundo os leitores do Jornal, é inexistente ou ineficaz. 

Os radares também têm gerado polêmica. Motoristas se queixam de multas aplicadas em locais estratégicos, como próximo ao Hospital Manoel Gonçalves, onde a pressa para socorrer um paciente pode acabar se transformando em penalidade. Sugestões como ampliação da sinalização, readequação de faixas de pedestres e revisão dos limites de velocidade têm sido ignoradas. 

Na região da Silva Jardim, a rotatória em frente ao posto Delta segue como ponto de congestionamento e acidentes frequentes. O cruzamento da Av. JK com a Rua Albino Santos, nas imediações do Supermercado BH, também é considerado crítico, principalmente para caminhoneiros que enfrentam subidas íngremes em horários de grande movimento. 

Até mesmo os pontos de ônibus são alvo de críticas. Na Silva Jardim, passageiros enfrentam sol e chuva sem abrigo, enquanto na Manoel Corrêa, o embarque de passageiros gera lentidão e bloqueios nas vias. 

Volta às aulas

O trânsito de Itaúna encontra ainda mais dificuldades para fluir normalmente quando da volta às aulas, especialmente na porta dos colégios. Carros e vans disputam os espaços com os pedestres, alunos e pais, nos momentos de início e final das aulas. Neste contexto, a confusão fica formada, barulho de buzina são ouvidos por todo lado, as filas duplas retornam e até acidentes envolvendo veículos e pedestres.