Durante o expediente Participação Popular, o jovem Hércules Vinícius cobrou respostas sobre o Centro da Juventude e criticou a falta de políticas públicas para os jovens itaunenses
A sessão da Câmara desta semana foi marcada por um discurso contundente durante o espaço de Participação Popular. O jovem Hércules Vinícius dos Santos Oliveira utilizou a tribuna para denunciar o descaso do poder público com as políticas voltadas à juventude, com destaque para o Centro da Juventude (CJ) — espaço que, segundo ele, foi referência e ponto de transformação social na cidade.
“Fui conversar com alguns dos secretários, e nenhum deles me deu uma resposta sobre o Centro da Juventude. O vereador Wenderson da Usina até tentou intermediar, mas foi ignorado. Disseram que o CJ é caro. Caro é cuidar da APAC, caro é cuidar do presídio. Educação, cultura e arte não são gastos, são investimentos”, afirmou Hércules.
O jovem lembrou que o Centro da Juventude era um local de acolhimento, aprendizado e oportunidades para jovens da cidade, e lamentou que o espaço não seja mais o que era antes. “Quando o poder público espera, o bandido não espera. Enquanto vocês discutem burocracia, o traficante acolhe o jovem”, alertou.
Retranca
Críticas à falta de fiscalização de vereadores
Em tom firme, Hércules também questionou o papel fiscalizador da Câmara e criticou a falta de atuação da Secretaria de Educação e da Assistência Social. Ele cobrou que o Legislativo acompanhe de perto as ações desenvolvidas dentro das escolas e promova visitas-surpresa aos espaços públicos para verificar se os serviços estão sendo executados como deveriam.
“Falta vontade de trabalhar para a juventude. Falta plantar uma semente para o futuro. O jovem está sendo proibido de sonhar, porque o poder público não faz sua parte. Quando se mata um Centro da Juventude, mata-se junto a esperança de quem acreditava em mudança”, destacou.
O jovem ainda pediu transparência sobre os cargos comissionados e contratos firmados pela Prefeitura, afirmando que muitos servidores e empresas contratadas não estariam desempenhando suas funções adequadamente. “Vocês votaram cargos novos, mas o que esses cargos estão fazendo hoje? Falta rastrear, ver se de fato estão trabalhando”, criticou.
Juventude esquecida e risco social
Em outro trecho da fala, Hércules relacionou o aumento da criminalidade à ausência de políticas públicas eficazes para a juventude. “A gente ouve que Itaúna não tem criminalidade, mas os índices estão crescendo. Recentemente, jovens assaltaram lojas no Centro. Isso é reflexo da omissão do poder público”, afirmou.
Ele também fez um apelo aos vereadores, lembrando o papel essencial da juventude na sociedade: “O jovem é quem vai doar sangue, é quem vai cuidar dos idosos, é quem estava na linha de frente na pandemia. Mas hoje ele não tem incentivo, não tem qualificação, não tem espaço para sonhar.”
“A população não pode esperar”
Encerrando sua fala, Hércules rebateu declarações do secretário municipal de Segurança Pública, Alexandre Barbosa de Oliveira que teria dito nos últimos dias que “a população precisa esperar”. Para o jovem, a espera não é uma opção quando o futuro da juventude está em jogo.
“O secretário está há cinco meses no cargo e recebe o salário em dia. Se o salário está em dia, o serviço também tem que estar. O jovem não tem tempo de esperar, porque enquanto o poder público espera, o bandido age.”







