Companhia Itaunense Energia e Participações sinaliza recuperação e propõe distribuição de dividendos 

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Após atravessar um dos mais longos e complexos processos de falência e recuperação judicial da história empresarial mineira, a Companhia Itaunense Energia e Participações — antiga Companhia Industrial Itaunense — anunciou uma proposta de distribuição de dividendos intermediários com base no lucro líquido do trimestre encerrado em 30 de setembro. O sinal de retomada marca uma nova fase de estabilidade financeira para a centenária empresa, fundada em 1911. 

De acordo com a administração da Companhia, a proposta foi elaborada em conformidade com o artigo 204 da Lei das Sociedades por Ações e com os artigos 22 e 23 do Estatuto Social. As demonstrações financeiras intermediárias, auditadas e enviadas à Comissão de Valores Mobiliários, apontaram lucro líquido trimestral de R$ 24,041 milhões, e lucro acumulado ajustado de R$ 28,846 milhões. 

A proposta prevê o pagamento de R$ 22,01 milhões em dividendos intermediários, o equivalente a R$ 2,90 por ação ordinária, considerando as 7.589.885 ações em circulação. O pagamento está condicionado à aprovação em Assembleia Geral Extraordinária. 

Segundo a diretoria, a iniciativa reflete a “sólida situação financeira” atual e o cumprimento integral das obrigações herdadas do processo de falência e da recuperação judicial.

Histórico: de massa falida à reconstrução 

A Companhia Itaunense viveu períodos de grande prosperidade no século XX. Foi um dos principais polos industriais de Itaúna e chegou a empregar mais de dois mil trabalhadores diretos, destacando-se pela produção siderúrgica e pela geração de tributos para o Estado. 

Entretanto, o cenário econômico nacional no fim dos anos 1980 e início dos 1990 — marcado por hiperinflação, juros elevados e sucessivos planos econômicos fracassados — comprometeu severamente a liquidez da empresa. Em dezembro de 1999, a Itaunense teve sua autofalência decretada, permanecendo em estado falimentar até fevereiro de 2013, quando a Justiça suspendeu a falência e autorizou o início de um novo ciclo de recuperação. 

O plano de recuperação judicial, aprovado em 2013 e encerrado judicialmente em 2015, marcou a virada da empresa, que passou a operar sob nova administração. O processo foi oficialmente extinto em 2019, após a quitação do último credor, o Banco do Nordeste do Brasil, e a consequente retirada da expressão “em recuperação judicial” do nome empresarial. 

Desde então, o grupo controlador, que reúne cerca de 68% do capital social, conduziu um processo de saneamento financeiro e modernização da governança corporativa. As dívidas com mais de 180 credores foram liquidadas, e a empresa obteve certidões negativas municipais e estaduais, além de certidão positiva com efeitos de negativa na esfera federal. 

Venda de ativos e reestruturação operacional 

Durante a recuperação, a principal fonte de receita da Itaunense foi o arrendamento de seu parque siderúrgico à SIMEC Laminados e Trefilados (antiga ArcelorMittal Trefilados), cujo contrato encerrou-se em 2020. Em seguida, o ativo foi vendido à própria SIMEC, operação que garantiu liquidez e permitiu a continuidade das atividades da companhia.  Paralelamente, as usinas hidrelétricas da Itaunense foram arrendadas à Compasso Energia AS, diante da impossibilidade de custear modernizações em equipamentos antigos. Essas operações — aliadas ao controle de gastos e à venda de imóveis inativos — permitiram o equilíbrio das contas e o cumprimento dos parcelamentos tributários federais