A situação financeira delicada da Coteminas — gigante do setor têxtil nacional e controladora da Fábrica de Tecidos Santanense — segue se agravando e acaba repercutindo diretamente nas subsidiárias do grupo, incluindo a unidade de Itaúna, que já vem sofrendo com o impacto da recuperação judicial e o acúmulo de dívidas trabalhistas.
Recentemente, a Coteminas divulgou, com um ano de atraso, o balanço financeiro referente ao terceiro trimestre de 2024. O documento, publicado por meio da Springs Global, revela que a companhia ainda opera no vermelho: entre julho e setembro do ano passado, a receita líquida foi de R$ 105,1 milhões — uma queda de 36,5% — enquanto o prejuízo somou R$ 67,4 milhões no período.
Embora o resultado negativo seja menor do que o registrado no mesmo trimestre de 2023 (quando o rombo ultrapassou R$ 170 milhões), a situação ainda é preocupante. A empresa, que acumula uma dívida próxima de R$ 2 bilhões, segue em processo de recuperação judicial desde julho de 2023 e tenta negociar com credores a venda de imóveis, a reestruturação do passivo e a captação de novos investimentos para evitar um colapso definitivo.
Reflexos em Itaúna
A crise da controladora tem afetado a Tecidos Santanense, que foi incorporada ao grupo há mais de uma década e hoje enfrenta desafios semelhantes. A empresa, uma das mais tradicionais de Itaúna, também ingressou em recuperação judicial e vem acumulando ações trabalhistas movidas por ex-funcionários que alegam descumprimento de acordos e atrasos em pagamentos.
Nos últimos meses, diversos processos têm se acumulado na Justiça do Trabalho, refletindo a dificuldade da Santanense em honrar compromissos com a mão de obra local. O cenário acendeu o alerta entre trabalhadores e fornecedores, que temem o agravamento da situação caso o plano de recuperação do grupo Coteminas não avance.
Setor em crise e futuro incerto
Com o fechamento de dezenas de lojas do braço varejista Ammo Varejo — responsável por marcas como MMartan e Artex — e a postergação da assembleia de credores para novembro, a Coteminas tenta ganhar tempo para reorganizar suas finanças. No entanto, a instabilidade do grupo coloca em risco centenas de empregos diretos e indiretos em cidades onde mantém fábricas, como Itaúna, Montes Claros e Blumenau.
Enquanto a controladora tenta se reerguer, a Santanense, símbolo da industrialização itaunense, luta para sobreviver em meio a um dos momentos mais delicados de sua história. O futuro da empresa — e de muitos trabalhadores que ainda dependem dela — está agora atrelado à capacidade da Coteminas de cumprir o plano de recuperação e recuperar a confiança do mercado.







