Denúncia aponta que “esgoto in natura” está sendo despejado na Barragem Velha

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Após denúncias de moradores dos bairros Santanense, JK e Chácara do Quitão sobre o despejo de esgoto no Ribeirão dos Capotos, surge uma acusação ainda mais grave: o vereador Gustavo Barbosa (Republicanos) alertou para o possível lançamento de esgoto in natura diretamente na Barragem Velha — justamente de onde é captada a água que abastece toda a cidade de Itaúna.  

Segundo o vereador, cinco ETECs (fossas) do SAAE — localizadas nas proximidades dos condomínios Ussara, no Vale dos Pequis e ao longo do Córrego do Soldado — podem estar descartando resíduos orgânicos sem o devido tratamento no curso d’água que deságua na barragem.  

“Preocupado com a qualidade da água consumida pelos itaunenses, fiscalizei neste domingo cinco ETECs do SAAE que, possivelmente, estão lançando material orgânico diretamente no córrego que chega à Barragem Velha. É um risco enorme, já que essa captação abastece toda a cidade”, afirmou Gustavo Barbosa. Ele cobrou providências imediatas do SAAE e do Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura.  

O parlamentar observou ainda sinais de abandono e falta de manutenção nas estruturas, o que pode estar comprometendo o funcionamento dos equipamentos. O alerta é reforçado pela presença crescente de algas e aguapés na superfície da barragem, indício comum de poluição orgânica.  

RETRANCA  

Ribeirão dos Capotos também sofre com poluição e lançamento de esgoto

A denúncia do vereador ecoa reclamação que se repete em outros pontos da cidade. Há um mês os moradores do bairro Santanense denunciaram novamente o lançamento de esgoto no leito do Ribeirão dos Capotos.  A denúncia dos moradores foi corroborada com reclamações de comerciantes da região da Chácara do Quitão, Avenida JK e bairro Alaíta que também relataram os mesmos problemas: mau cheiro intenso, prejuízos financeiros e riscos sanitários.  

“É impossível trabalhar com esse cheiro horrível. Já perdi clientes que entravam na loja e saíam com o nariz tampado. Parece que ninguém faz nada”, desabafou um comerciante da região.  

Pessoas que praticam caminhadas ou trabalham nas proximidades relatam que o odor — descrito como “insuportável” — piora nos dias mais quentes. Moscas, baratas e pernilongos também se tornaram presenças constantes, agravando o desconforto e levantando preocupações sobre doenças.  

Segundo os moradores, parte do problema decorre da destruição de emissários da rede de captação de esgoto pelas fortes chuvas de 2021 e 2022. Desde então, o sistema segue com falhas, permitindo que dejetos sejam despejados diretamente no ribeirão que corta bairros como Aeroporto, Garcias, Alaíta, Chácara do Quitão e Santanense.  

O risco à saúde pública e ao meio ambiente é evidente — especialmente diante da suspeita de que a água destinada ao tratamento e consumo da população possa estar sendo captada em um ponto comprometido por poluição.  

Outro lado 

O Jornal S’Passo entrou em contato com o SAAE para obter respostas às denúncias realizadas pelo vereador e os moradores. Em resposta, a autarquia informou que já está providenciando as respostas a todos os questionamentos. 

“Como a entrevista ficou muito abrangente, vários setores estarão responsáveis pelas respostas, dentro da sua área de atuação. Provavelmente, em razão da semana diminuta, só teremos condições de estar enviando o material na semana vindoura, incluindo-se aí os relatórios técnicos solicitados. Contamos com a compreensão”, diz a nota enviada à nossa reportagem.